O descarte irregular de lixo pela população é um dos principais desafios da limpeza urbana em Fortaleza. Entre março e junho de 2026, 848 autos de infrações por despejo de resíduos sólidos em pontos irregulares da cidade foram aplicados pelas câmeras de monitoramento do Centro Integrado de Videomonitoramento de Fortaleza (CIVFor).
O número é maior do que o registrado em anos anteriores. Em 2025, as infrações somaram 283, enquanto em 2024 foram somente 66. Ao todo, 1,3 tonelada de resíduos sólidos foi coletada em locais impróprios da cidade por meio do videomonitoramento no mesmo período.
Os valores foram revelados nesta quinta-feira (25/6), em evento que apresentou o balanço dos 100 primeiros dias da Operação Capital Limpa e Ordenada. A iniciativa atua na Capital desde 2 de março de 2026 e contempla ações de limpeza urbana, fiscalização, renovação da sinalização de vias, poda de árvores, educação ambiental e monitoramento.
Atualmente, Fortaleza possui 8.870 câmeras com tecnologia 360º e visão noturna, e 86 câmeras com Inteligência Artificial que detectam o despejo incorreto e, automaticamente, identificam e aplicam as multas. Além disso, cerca de 20 drones fazem o monitoramento junto à Guarda Municipal.
Descarte irregular é crime
O despejo irregular de lixo pelos moradores é considerado uma infração grave, conforme o Código da Cidade. A Lei Complementar nº 270, de agosto de 2019, estabelece como transgressão o ato de “despejar resíduos sólidos nos logradouros públicos ou terrenos vagos ou subutilizados”.
A penalidade pode ser aplicada em multa em flagrante, remoção e reparação do dano. Se para o descarte for usado um veículo automotor de passageiros, a multa é dobrada. Os valores variam de R$202,50 a R$32.400.
garis estão espalhados na cidade, atuando em nove frente operacionais simultâneas nas Regionais.
Quando a população se acostuma a descartar os resíduos de forma imprópria em uma área específica da cidade, esse local se torna um ponto crônico de lixo. Um raio-x publicado pelo Diário do Nordeste em junho de 2024 revelou que Fortaleza possui cerca de 1.200 desses pontos críticos de resíduos.
A maioria desses locais está situada em bairros periféricos como Barra do Ceará e Genibaú. Na iniciativa de 2026, foram eliminados 72 pontos de lixo, segundo a Prefeitura.
A Avenida Leste-Oeste foi a região que recebeu o projeto piloto da Operação. “É o local de maior adensamento populacional da nossa cidade, onde as pessoas moram muito próximas umas das outras e terminam descartando os resíduos em locais inapropriados, sobretudo na área do canteiro central”, explica o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão.
A média de resíduos coletados em pontos de lixo na via reduziu de 1.470 toneladas ao mês para 330 toneladas, representando uma diminuição de 77% no volume coletado. Além disso, a queda resulta em uma economia de R$229 mil por mês, segundo o gestor.
O valor é revertido para a recuperação do calçadão da Vila do Mar. “Nós estamos reinvestindo no calçadão do Vila do Mar, nós estamos reinvestindo na poda [de árvores], na iluminação, recuperamos a Areninha do Vila do Mar, fizemos uma quadra. Tudo isso está sendo reinvestido para a população daquela região, que nós iremos fazer isso em toda em toda a cidade”, diz.
Além disso, três novos mini ecopontos foram instalados nos seguintes locais do bairro:
- Av. Theberge com Vila do Mar;
- Av Pasteur com Vila do Mar;
- Rua Santa Inês com Via Paisagística.
O superintendente da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), Guilherme Magalhães Furtado, afirma que outros dois bairros com situação crítica que merecem atenção são a Messejana e o Barroso.
“É desafiador porque é um local que ainda tem muitos espaços vazios, que são os terrenos baldios. Temos uma atuação presente com a utilização também do videomonitoramento e drones que fazem o monitoramento e as autuações nesses locais. Acaba que fica um ponto de descarte porque está abandonado pelo particular”, detalha.
O que é a Operação Capital Limpa e Ordenada?
A força-tarefa integra diversas secretarias da Prefeitura e busca promover a zeladoria urbana. Entre os órgãos envolvidos estão a Secretaria da Conservação e Serviços Públicos (SCSP), Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) e Secretaria Municipal de Educação (SME).
A iniciativa teve início em 2 de março de 2026, dividida em cinco ciclos:
- 2 a 16 de março: Av. Leste-Oeste, Av. Duque de Caxias, Av. General Osório de Paiva;
- 17 de março a 6 de abril: Rua Manoel Jesuíno, Rua Cônego de Castro e Av. Odilon Guimarães;
- 7 a 27 de abril: Av. Desembargador Gonzaga, Av. Domingos Olímpio e Av. Godofredo Maciel;
- 28 de abril a 21 de junho: Av. Rogaciano Leite, Rua Porto Velho e Av. Jovita Feitosa;
- 22 de junho a 11 de julho: Av. Mozart Lucena, Rua Capitão Aragão e Av. Visconde do Rio Branco.
Conforme a gestão municipal, entre as atividades previstas no quinto ciclo estão fiscalizações em pontos críticos, remoção de resíduos, renovação da sinalização de vias e ações educativas voltadas à conscientização da população.
Além dos resíduos, a Operação restabeleceu 971 pontos de iluminação, economizando 70% de energia e reduzindo a manutenção de luminárias. No período da iniciativa, 26.198 luminárias de LED foram instaladas de janeiro a junho, representando 27% da cidade com iluminação em LED.
Em relação à recuperação de infraestrutura, 3,2 mil serviços de manutenção foram realizados no período, incluindo tapa-buraco, recuperação de calçadas, manutenção da drenagem, reparo de tampas de boca de lobo e implantação de meio-fio.
*Estagiária sob a supervisão de Dahiana Araújo.