Um mar de leques com as cores do arco-íris coloriram a Avenida Beira-Mar, em Fortaleza, durante a 25ª Parada pela Diversidade Sexual do Ceará, realizada neste domingo (28). Principal evento do mês do Orgulho LGBTQIA+, comemorado em junho, a ato reuniu milhares de pessoas.
Com o tema “25 anos combinando de não morrer”, a organização do evento, realizada pelo Grupo Resistência Asa Branca (Grab), faz referência a um trecho do livro Olhos D’água, da escritora Conceição Evaristo.
A frase diz respeito à resistência das pessoas LGBTQIA+, que continuam sendo alvo de preconceitos e violências. Em 2025, o Ceará teve 408 vítimas de crimes homofóbicos e transfóbicos registradas pela Polícia Civil do Estado (PCCE).
Nos dez trios elétricos que conduziram o percurso, atrações musicais e discursos políticos foram mesclados. O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), esteve presente. Segundo o Grab, é a primeira vez em 12 anos que um prefeito da Capital vai à Parada.
A 25ª edição da Parada manteve a característica de ser uma mistura de festa que comemora o orgulho de ser LGBTQIA+ e de protesto que clama por melhores condições de vida, emprego e segurança para a comunidade.
Neste ano, foram escolhidas três mulheres importantes para a luta por direitos como “madrinhas” do evento: Beatriz Chaves, travesti de Camocim e ativista dos direitos humanos; Lukresya Nascimento, travesti pesquisadora e produtora cultural de Fortaleza; e a deputada federal Luizianne Lins (PT).
Para a presidenta do Grab, Dáry Bezerra, a população precisa compreender que a luta deve ser de todas as pessoas, e não apenas das LGBTQIA+. Esse entendimento deve ser traduzido também nas urnas, segundo ela, evitando a eleição de candidatos abertamente LGBTfóbicos.
"É emocionante ver que os ataques coordenados que vimos às paradas do Brasil este ano não desestimularam as pessoas a ir à avenida Beira-Mar. Nesses tempos de avanço de um conservadorismo que só exclui e mata pessoas LGBTQIA+, ver tanta gente na nossa parada nos dá fôlego para continuar no enfrentamento à extrema-direita e mostra o quanto a Parada foi um sucesso"
Segurança
Um plano operacional das forças de segurança foi montado especificamente para a 25ª Parada da Diversidade Sexual do Ceará. O percurso contou com 435 policiais militares, 95 guardas municipais, 77 policiais civis e cinco equipes dos bombeiros.
Devido aos bloqueios no trânsito nos arredores da avenida Beira-Mar, indo da altura da rua Júlio Ibiapina até a avenida Rui Barbosa, 80 agentes da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) também participam da operação até as 23 horas deste domingo (28).
Orgulho LGBTQIA+
O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, comemorado em 28 de junho, faz alusão à Revolta de Stonewall, ocorrida em 28 de junho de 1969, em Nova Iorque.
Na época, frequentadores do bar Stonewall Inn — público formado principalmente por transexuais, gays e lésbicas — resolveram resistir à violência policial direcionada e arbitrária que sofriam cotidianamente.
O movimento usa a data para conscientizar, refletir e reivindicar respeito e direitos para a população.