A operação deflagrada nesta terça-feira (23) contra o Banco Digimais, comandado pelo bispo Edir Macedo, teve um total de nove alvos dos mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal e cumpridos pela Polícia Federal.
Entre eles, foram sete pessoas físicas e duas pessoas jurídicas ligadas à estrutura, que é investigada por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional praticados no âmbito da gestão da instituição.
O bispo Edir Macedo não foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta fase, mas, sim, de quebra de sigilo, além de ter bens bloqueados.
De acordo com a PF, relatórios do Banco Central do Brasil apontam que os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição.
Segundo informações do jornal O Globo, quatro dos alvos de busca e apreensão ocupam posições de comando no banco:
- João Luiz Urbaneja, presidente do conselho de administração do Digimais;
- Thiago Rodrigues Urbaneja, filho de João Luiz Urbaneja, presidente executivo do Digimais e vice-presidente do conselho de administração;
- João Alves de Campos, diretor do Digimais; e
- Marcelo de Lima Brasil, também membro da diretoria do Digimais.
Além deles, também foram alvos dos mandados:
- Rodrigo Ruggero, executivo, embora não conste como integrante da diretoria do banco; e
- Rodrigo Balassiano e José Roberto Giancoli Filho, que não tiveram os papeis detalhados, mas são ligados às empresas e fundos de investimento investigados.
Empresas, fundos de investimentos e mais alvos
Finalmente, junto das pessoas físicas, as medidas cautelares de busca e apreensão da PF também foram direcionadas contra o próprio Banco Digimais e contra a ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários.
A lista de alvos de quebra de sigilo fiscal inclui, além dos nomes já citados e do próprio Edir Macedo, a B.A. Empreendimentos e Participações, a Bless Capital Gestora de Recursos, a Digimais Securitizadora de Créditos Financeiros, fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e empresas de consultoria relacionadas às operações.
À imprensa, o Banco Digimais afirmou que “permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso”. A nota reafirma o “compromisso” da institução “com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”.
Digimais foi comprado pelo BTG Pactual em abril
Em 8 de abril, o BTG Pactual anunciou aos acionistas e ao mercado a compra do banco Digimais, controlado pelo Grupo Record, do bispo evangélico Edir Macedo.
O valor da compra não foi informado pela instituição. Apesar do comunicado, a conclusão e fechamento da compra estavam, na época, condicionadas à verificação de determinadas condições, dentre elas o lançamento do Processo Competitivo, que dá oportunidade a potenciais interessados na compra do banco.
Outros fatores também para o fechamento da operação incluíam a obtenção de todas as aprovações regulatórias necessárias, inclusive do Banco Central do Brasil e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.