Acesso indevido a contas da Defesa Civil do Pará disparou alertas com 'misantropia' em 7 estados
Mensagens foram enviadas a estados do Centro-Oeste, Sudeste, Sul e Norte.
Duas contas da Defesa Civil do Pará foram usadas para enviar alertas falsos para celulares de pelo menos sete estados na madrugada de sábado (20).
A informação é de um documento do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional enviado à Polícia Federal, que investiga o caso.
O documento, obtido pelo jornal O Globo, detalha que houve um acesso indevido à Interface de Divulgação de Alertas Públicos (IDAP), a plataforma usada para disseminar avisos à população em situações de risco, como enxurradas, deslizamentos ou tornados.
No caso dos alertas falsos, os envios ocorreram sem validação de autoridades reconhecidas de proteção e defesa civil. A principal suspeita é de que os disparos foram fruto de um ataque cibernético.
Conforme o documento, os primeiros avisos foram enviados ainda na noite de 19 de junho.
Mesmo com o bloqueio da conta usada indevidamente, uma nova sequência de alertas foi enviada na madrugada de sábado, usando uma outra credencial da mesma instituição.
Apesar de as contas serem vinculadas à Defesa Civil do Pará, os alertas foram direcionados a outras regiões do Brasil. Segundo o Ministério, isso é um agravante, pois indica que o responsável conseguiu operar a plataforma sem restrições territoriais.
As mensagens foram direcionadas a São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco, além dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal.
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Mensagem de ódio nos alertas é investigada
Junto aos alertas falsos, que disparam sinais sonoros e visuais nos celulares que estejam no raio de uma possível situação de risco, uma palavra foi enviada: misantropia.
Escrita com grafia alterada, com modificação na última letra, como “misantropi4”, o termo gerou estranheza entre quem recebeu a notificação.
A palavra significa aversão ou horror à humanidade ou à natureza humana. Outro significado atribuído ao termo é o estado de isolamento social, melancolia ou a tendência de evitar o convívio com outras pessoas.
O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) acionou a Procuradoria da República no Distrito Federal, pedindo uma apuração sobre o discurso de ódio contido na mensagem.