Viúvo de mulher morta por PM em posto de combustível no CE questiona soltura: 'Que justiça é essa?'

O secretário estadual da Segurança Pública, Roberto Sá, afirmou que discorda da decisão da Justiça de liberar o soldado Caio Filizola de Paiva na audiência de custódia.

07 de Julho de 2026 - 15:30
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Legenda: Caio (à direita) atingiu Luena (à esquerda) com um tiro de revólver.
Foto: Reprodução.

O corpo de Luena Rocha Melo foi velado nesta terça-feira (7), em Cariré, no interior do Ceará. Ela foi morta por um policial militar na madrugada dessa segunda (6), em um posto de combustível da cidade. Horas depois, Caio Filizola de Paiva, autor do crime, foi preso em flagrante, mas liberado logo após audiência de custódia. O marido da vítima, Hilton Fernandes, criticou a soltura do acusado com medidas cautelares e questionou: "Que justiça é essa?".

Hilton estava no local do crime no momento em que a esposa foi assassinada e foi quem acionou a Polícia. Segundo ele, que não lembra da cena com detalhes, a vítima estaria de costas, saindo da loja de conveniência do posto, quando foi atingida pelo PM. "Ele atirou nela na covardia. Covarde, vagabundo", desabafou o viúvo ao Diário do Nordeste.

Luena deixou dois filhos, sendo um deles de seis anos de idade, fruto do relacionamento com Hilton, e outro adolescente, filho de outro pai. "Deixou duas crianças no meu colo, os bichinhos ficaram órfãos. Espero que esse cara pague muito. Que justiça é essa?", revoltou-se o homem.

Secretário discorda de soltura

Em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, ocasião em que a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) divulgou resultados da pasta, o secretário Roberto Sá afirmou que discorda da decisão da Justiça de soltar o policial militar acusado do homicídio.

"A gente não concorda com essa soltura. Respeita a decisão do outro Poder, mas, absolutamente, nem compreende como alguém preso em flagrante, depois de ter tirado a vida de outra pessoa, possa ter sido liberado", comentou o titular da secretaria.

Embora diga respeitar a decisão judicial, o gestor afirmou ser "importante que o Ministério Público [do Ceará] recorra". "Quanto à nossa tropa, há todo um controle de policiais, há uma atenção muito importante, cada vez mais, para a saúde mental desse policial. Mas a gente não consegue controlar o que as pessoas fazem nas suas vidas privadas. [...] Vamos trabalhar cada vez com mais rigor na apuração desse tipo de conduta", garantiu.

Entenda o caso

Luena Rocha Melo foi morta na madrugada dessa segunda-feira em um posto de combustível de Cariré. Conforme documentos acessados pelo Diário do Nordeste, o suspeito, identificado como "Soldado Filizola", estava embriagado quando foi conduzido à delegacia municipal de Sobral.

À Polícia, o PM afirmou que a mulher e o marido chegaram ao posto discutindo e que ele teria tentado intervir sacando a própria arma de fogo para intimidá-los. Disse ainda que o tiro que matou Luena teria sido acidental, no momento em que ela teria investido contra ele para desarmá-lo.

Testemunha do homicídio, o frentista Francisco Eduardo Mesquita dos Santos contou que Caio estava consumindo bebida alcoólica quando uma mulher chegou, sentou-se a uma mesa afastada e, depois, migrou para a do policial. Ele relatou que ouviu ela falar de um processo que movia contra o soldado por agressão e que, depois, ela se retirou.

O PM teria continuado bebendo no posto, até que a mulher teria retornado e retomado o assunto da agressão, momento em que o marido dela teria chegado para tentar tirá-la. Luena e Caio continuaram discutindo, até que o soldado teria sacado sua arma de fogo e disparado contra a vítima.

Filizola estava de Licença para Tratamento de Saúde (LTS) no momento do crime. A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD) afirmou ter instaurado procedimento administrativo disciplinar para apurar os fatos envolvendo o PM, tendo determinado o afastamento preventivo dele.

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