Réu por tentativa de chacina na Barra do Ceará será julgado por júri popular

Anderson Gabriel da Silva Soares Pereira responderá por homicídio consumado, tentativa de homicídio e por integrar organização criminosa.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
08 de Agosto de 2026 - 07:00
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Legenda: Anderson Gabriel foi preso em setembro do ano passado. A foto dele à esquerda foi utilizada pela Polícia para o reconhecimento facial.
Foto: Reprodução.

10 de junho de 2025, 21h45. Quatro homens em duas motos surgem armados no cruzamento das ruas da Salema e das Taparicas, na Barra do Ceará, e disparam de maneira desordenada contra pessoas que conversavam na calçada de casa, andavam pela rua ou jogavam bola. Três adolescentes, um de 13, outro de 15 e mais um de 17 anos, ficam feridos. Um homem de 40 anos que estava a caminho de casa morre com tiros no abdômen e na cabeça. Os suspeitos se deparam com uma blitz da Polícia Militar, abandonam as motos, as armas e as munições e fogem deixando um rastro de caos da guerra do tráfico.

Embora tenham sido registrados quatro atiradores nos boletins de ocorrência sobre o caso, apenas um envolvido na tentativa de chacina será julgado. Anderson Gabriel da Silva Soares Pereira, apontado como integrante do Comando Vermelho (CV), foi pronunciado no último 30 de julho e sentará no banco dos réus do Tribunal do Júri. A data, porém, ainda não foi definida.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) à Justiça, Gabriel e outros três indivíduos cometeram o crime de maneira "abrupta e consciente". Uma das motos abandonadas pelos suspeitos, inclusive, pertence à mãe do réu, e ela confirmou à Polícia que o filho usava o veículo com frequência há três anos, desde que ela o adquiriu.

Além disso, os adolescentes sobreviventes reconheceram o atirador comparando fotos dele com o momento em que um dos suspeitos levantou a viseira do capacete para disparar os tiros. Relatórios de inteligência apontaram ainda que ele, inclusive, já teria participado de outros ataques orquestrados pelo CV na Barra do Ceará, em disputa por território com a extinta facção Guardiões do Estado (GDE).

Gabriel foi denunciado por homicídio consumado, tripla tentativa de homicídio qualificado e por integrar organização criminosa. O MPCE pediu ainda que fossem consideradas as qualificadoras:

  • Motivo torpe: em razão da guerra entre facções;
  • Recurso que dificultou a defesa das vítimas: pela abordagem repentina na comunidade;
  • Emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido: devido ao uso de uma arma Taurus calibre 9mm;
  • Vítima menor de 14 anos: um dos adolescentes feridos tinha 13 anos na data do crime.

Segundo denunciado pelo crime não irá a júri

O MP denunciou outra pessoa além de Gabriel, mas ela não será julgada pelo crime. O suspeito foi citado por testemunhas como um dos pilotos das motos usadas no ataque e foi apontado no inquérito como um ex-membro da GDE que teria sido expulso do bairro pela facção. Em retaliação, ele teria se aliado ao Comando Vermelho para atuar como informante.

Sobreviventes da tentativa de chacina dizem ter identificado o criminoso por uma tatuagem no braço. No entanto, o Colegiado de Juízes que analisou o caso considerou as provas frágeis e insuficientes para levá-lo a julgamento, especialmente porque uma testemunha, depois, alterou seu depoimento e negou a participação dele na ação criminosa.

O que aponta a defesa do réu?

Quando foi preso, em setembro do ano passado, Gabriel disse que ficou surpreso com o motivo da captura. Em depoimento durante a audiência de custódia, ele afirmou que achou que havia sido detido por um acidente de trânsito.

Meses depois, em juízo, o réu sustentou que não estava no local do crime e que, naquela noite, saiu de casa apenas para comprar um uísque para impressionar mulheres em uma festa. No entanto, no trajeto, teria se envolvido em uma colisão com um carro e sido socorrido por conhecidos. Também negou conhecer o segundo denunciado ou as vítimas.

No processo, a defesa do réu ainda contesta o reconhecimento feito pelas vítimas na delegacia, alegando que foi baseado apenas em fotos e influenciado por terceiros. Os advogados negam, também, que ele tenha envolvimento com o CV ou qualquer outra facção criminosa.

O Diário do Nordeste entrou em contato com o advogado que representa Gabriel para tratar do pronunciamento. Esta matéria será atualizada quando houver retorno.

Meses antes, região foi palco de chacina que deixou mortos e feridos

Os conflitos entre a GDE e o CV pelo domínio da Barra do Ceará foram intensos no ano passado.

Semanas antes da tentativa de chacina citada nesta reportagem, um campo de futebol na rua Tambaú foi palco de um massacre que deixou quatro mortos e seis feridos. À época, os atiradores chegaram em dois carros, todos de balaclava e alguns com camisas da Polícia Civil, fingindo serem agentes da segurança pública, e dispararam contra o público que assistia a uma partida.

As trocas de tiro se intensificaram na região, também, devido ao assassinato das irmãs influenciadoras digitais Bianca e Beatriz por determinação do Comando Vermelho. Constou no inquérito policial que o namorado de uma delas era membro declarado da GDE e teria ordenado o ataque em revide às mortes da namorada e da cunhada.

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