Dezesseis anos após matar, esquartejar e enterrar um desafeto em um sítio em uma localidade de Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza, José Adriano Ferreira de Souza, enfim, começa a ser julgado.
Uma audiência de instrução sobre o caso está marcada para o dia 30 deste mês, na Comarca de Aquiraz, para a colheita das provas orais.
A defesa do réu tentou conseguir um habeas corpus para ele alegando excesso de prazo para início e conclusão da instrução criminal, o que foi negado pela Justiça, que determinou o prosseguimento do processo devido à proximidade da data da audiência.
A manutenção da prisão preventiva de Adriano também se deveu à "garantia da ordem pública", considerando a brutalidade do crime e as reiteradas fugas do acusado.
Crime foi motivado por ciúme
À época do crime, que aconteceu na noite de 19 de abril de 2010, Adriano era caseiro do sítio e mantinha união estável com uma adolescente de 16 anos, que, segundo a investigação, esteve no centro do desentendimento entre os dois homens.
Conforme o inquérito policial, Adriano matou com golpes de foice o caseiro do sítio vizinho, João Rocha de Oliveira, motivado por ciúmes. Ele disse à Polícia, e foi corroborado pela companheira, que João "dava em cima" da jovem constantemente, inclusive, na frente dele, e chegou a oferecer R$ 200 por um encontro amoroso com ela.
O acusado do homicídio alegou que a vítima foi à sua casa com visíveis sinais de embriaguez para cortejar novamente a adolescente. Contudo, segundo ele, mesmo com o "não" da mulher, João teria quebrado a porta da casa e invadido a residência armado com uma faca. Só depois disso é que Adriano teria desferido um golpe fatal na cabeça da vítima.
Depoimento da adolescente desmentiu caseiro
O depoimento da adolescente à Polícia desmentiu o de Adriano e foi fundamental para a compreensão da dinâmica do crime. Conforme documentos obtidos pela reportagem, a testemunha confirmou que João flertava com ela e que, naquela noite, estava embriagado e ofereceu dinheiro por um encontro íntimo com ela na frente de Adriano.
No entanto, o companheiro dela teria questionado se o caseiro estava "ficando doido" e ido à cozinha em seguida, momento em que ela teria ido para o banheiro e fechado a porta. Na volta para a sala, a jovem encontrou João caído no chão e Adriano segurando uma foice. Ela ainda acrescentou que presenciou quando o companheiro desferiu diversos outros golpes na vítima pelas costas, incluindo dois na altura da nuca.
O corpo de João foi levado pelo acusado aos pedaços em um carrinho de mão até uma fossa no sítio, onde foi enterrado e encontrado dias depois, quando a jovem informou à Polícia o local onde o cadáver havia sido enterrado.
Suspeito fugiu da Polícia
Logo após o crime, Adriano fugiu do sítio onde trabalhava e buscou abrigo em Quixadá, no sertão central, onde nasceu. Cerca de um mês depois, um novo caseiro que passou a trabalhar na fazenda no lugar do suspeito informou à Polícia que o antigo funcionário estava morando na Vila Santo Antônio, no distrito de Dom Maurício, na Serra do Estevão.
Um mandado de prisão temporária foi expedido contra o caseiro e ele chegou a ser cercado por policiais em Quixadá, mas conseguiu fugir. A primeira prisão dele só foi ocorrer em julho de 2010, momento em que confessou a autoria do crime.
Contudo, dois meses depois, em setembro, Adriano fugiu da Cadeia Pública de Aquiraz e passou cerca de seis anos foragido, até ser capturado novamente em Tauá, em abril de 2016. Ele fugiu novamente no dia 2 de maio daquele mesmo ano e foi preso pela última vez em setembro de 2025, em Fortaleza. Segue recolhido até hoje na Unidade Prisional Professor Clodoaldo Pinto (UP-Itaitinga II), onde aguarda julgamento.
O processo de Adriano ficou suspenso no período em que seu paradeiro era desconhecido pela Polícia, mas a decisão foi revogada para que a ação penal voltasse a tramitar.