O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se manifestou pela primeira vez sobre as suspeitas relacionadas à sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em documento enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes negou ter favorecido o empresário ou a instituição financeira e classificou a investigação como uma “farsa” motivada por “vingança”.
A manifestação foi encaminhada na noite dessa segunda-feira (14), véspera da sessão extraordinária do STF que analisará o caso. O documento tem 44 páginas e reúne 121 tópicos de argumentação. Moraes pede que a Corte anule o relatório da Polícia Federal (PF) e encerre a apuração.
Um dos principais pontos da manifestação é a contestação das mensagens que teriam sido trocadas entre Moraes e Vorcaro. O ministro afirma que não existem mensagens de sua autoria que comprovem um diálogo com o ex-banqueiro.
Segundo Moraes, o relatório da PF analisou 52 textos encontrados no celular de Vorcaro. Desses, 47 não teriam sido localizados em conversas do WhatsApp. Para o ministro, o material não comprova que os textos tenham sido efetivamente enviados, nem quem seria o destinatário.
A PF identificou anotações feitas por Vorcaro no celular e apontou que ele poderia ter escrito os textos no aplicativo de notas, feito uma captura de tela e enviado as imagens pelo WhatsApp com visualização única. Moraes questiona a conclusão e afirma que o relatório apresenta inferências como se fossem diálogos comprovados.
O ministro também sustenta que houve problemas na preservação e análise dos dados extraídos do aparelho do ex-banqueiro.
Contrato com escritório da esposa
Moraes também respondeu às suspeitas relacionadas ao escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Segundo ele, a banca manteve apenas um contrato com o Banco Master, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
O ministro afirma que os serviços eram de consultoria e advocacia, com os honorários declarados e as respectivas notas fiscais emitidas. Ele nega que o escritório tenha atuado em processos do Banco Master ou de Vorcaro no STF.
A contratação já havia sido revelada no contexto das investigações. Documentos analisados no caso apontam para um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório. Moraes confirmou ter tido acesso ao documento e feito alterações, mas afirmou que a intervenção ocorreu para adequá-lo às regras relacionadas a conflitos de interesse.
Ministro nega ter vazado operação contra Vorcaro
O ministro do STF também rejeitou a suspeita de que tenha informado Vorcaro previamente sobre a operação que resultou na prisão do banqueiro.
Na manifestação, ele afirma que não teve contato com autoridades responsáveis pela investigação para interferir no caso. O ministro também argumenta que a prisão de Vorcaro ocorreu quando ele estava no Aeroporto Internacional de Guarulhos, com o passaporte e o celular, o que, segundo sua defesa, não indicaria conhecimento prévio da ação policial.
A investigação está relacionada à Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master.
Críticas a André Mendonça
Moraes direcionou parte da manifestação ao ministro André Mendonça, que determinou a produção do relatório da PF que deu origem à apuração sobre a relação com Vorcaro.
O ministro sustenta que a investigação foi aberta de forma irregular, sem pedido da PF ou da Procuradoria-Geral da República (PGR) e sem autorização prévia do plenário do Supremo. Por isso, considera o procedimento nulo.
Moraes também acusa Mendonça de ter conduzido a apuração com finalidade político-eleitoral. Segundo ele, a investigação seria uma tentativa de vingança de aliados de pessoas condenadas pelo STF por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023.
STF analisa caso nesta terça-feira
A manifestação ocorre horas antes da sessão extraordinária convocada por Fachin para analisar o caso. O julgamento começa às 10h desta terça-feira (15) e terá como ponto central o relatório da PF que reuniu as informações sobre as mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro.
Os ministros também deverão avaliar o pedido da PGR para que o relatório seja considerado nulo e decidir se há elementos que justifiquem a abertura de uma investigação contra Moraes.
O processo passou a ser relatado por Fachin depois que ele assumiu a condução do caso. Antes, a relatoria estava com Mendonça, que também é alvo de uma apuração relacionada ao Banco Master.