O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou, em novo depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, que possuía interesse em uma delação premiada, mas alegou que a Polícia Federal não teria demonstrado interesse em ouvi-lo.
A declaração foi dada na semana passada, em oitiva conduzida por um juiz auxiliar e acompanhada por representante do Ministério Público Federal (MPF).
Segundo relatos sobre o depoimento, publicados pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (2), Vorcaro disse ter informações que gostaria de apresentar às autoridades, mas citou má vontade da PF em seguir com o acordo.
O ex-banqueiro ainda teria citado nominalmente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, atribuindo a ele a resistência para uma eventual colaboração. A informação foi divulgada pelas reportagens dos portais CNN Brasil e Veja.
Vorcaro também teria relatado intimidações, ameaças e pressão psicológica enquanto esteve sob custódia da PF. A audiência foi registrada no último dia 27 de agosto, com duração de 1h40.
Nova oitiva em gabinete de Mendonça
A oitiva, demandada pela própria defesa de Vorcaro, ocorreu sem a participação de policiais federais. Segundo o gabinete do ministro, a defesa do ex-banqueiro pediu que ele fosse ouvido com urgência após relatos de "graves intimidações".
"A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido", disse parte da nota do gabinete de Mendonça explicando a presença do MPF.
Após a oitiva, no dia seguinte, Vorcaro também prestou novo depoimento à PF. Ele teria sido questionado sobre fatos apontados no inquérito que investiga suposto pagamento de propina a ex-diretores do Banco Central para evitar a liquidação do Banco Master.
Os advogados do ex-banqueiro também utilizaram a ocasião para demonstrar interesse em uma nova proposta de delação. No entanto, investigadores alegaram que nenhum novo elemento teria sido acrescentado à apuração, além do fato de que nenhum meio de prova foi comprovado por ele.
Ainda conforme o gabinete de Mendonça, Vorcaro não mencionou o ministro do STF Alexandre de Moraes durante o depoimento.