A vice-governadora do Ceará e pré-candidata a deputada estadual, Jade Romero (PT), explicou que o anúncio de sua filiação ao União Brasil, feito em março deste ano e não concretizado, fazia parte de uma estratégia para fortalecer a Federação União Progressista (União Brasil-PP). A articulação tinha como objetivo manter as duas siglas na base do governador Elmano de Freitas (PT), o que não ocorreu. Segundo a petista, o plano fracassou porque outros integrantes do grupo não cumpriram o acordo.
Em entrevista para a live do PontoPoder nesta terça-feira (30), Jade expôs os bastidores da negociação e afirmou que a estratégia tinha o aval do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Desde antes da oficialização pela Justiça Eleitoral, a federação União Progressista era disputada por governistas e oposicionistas no Ceará.
"Eu anunciaria a filiação e, em seguida, outros deputados, inclusive o deputado Mauro Filho, anunciariam também", declarou. Segundo a vice-governadora, ela cumpriu a parte que lhe cabia, mas o parlamentar federal não teria cumprido o acordo.
"O deputado Mauro Filho, em seguida, não anunciou. Foi anunciar apoio ao Ciro, porque, teoricamente, teriam oferecido a vaga ao Senado para ele na chapa do Ciro, e ele achou mais atraente", afirmou. Até então no PDT e aliado do governador Elmano de Freitas (PT), Mauro Filho se filiou ao União Brasil e anunciou adesão ao grupo oposicionista no último dia 1º de abril.
"Traíram o Governo"
Ao comentar o desfecho das negociações, Jade afirmou que considera ter cumprido o compromisso assumido e atribuiu o fracasso da estratégia a aliados que, segundo ela, deixaram a base do governo.
"Eu venho do movimento estudantil, não tenho parentes na política, não venho de família rica e não tenho sobrenome importante. A única coisa que eu tenho é a minha palavra, e a minha palavra eu cumpri. Não se concretizou porque outras pessoas, que depois traíram o Governo, não tiveram palavra", completou.
Estratégia para fortalecer a base governista
Segundo Jade, a adesão do União Progressistas ao arco de aliança do governador Elmano de Freitas seria vantajosa para ambos os grupos.
"Era o partido poder ficar maior, estadual e nacionalmente, com novas lideranças. Ganharia uma vice-governadora, ganharia um deputado federal, ampliaria a possibilidade de fazer uma bancada federal maior", destacou.
"Tanto que o partido depois perdeu outros quadros. A Fernanda Pessoa saiu, o próprio Roberto Pessoa saiu, algumas pessoas se desfiliaram. Então, acho que, para o partido, acabou sendo ruim. Não só deixou de ter novas lideranças, como também perdeu algumas lideranças importantes que estavam lá", acrescentou.
Apesar das movimentações recentes, Jade afirmou que o cenário político ainda permanece em aberto.
"Enquanto tem jogo a bola está rolando, a gente tem até o dia 4 de agosto, quando terminam as convenções, para saber exatamente como cada partido vai ficar nessa composição", finalizou.
Mauro Filho alegou “perseguição política”
No último dia 24 de junho, o deputado federal Mauro Filho reclamou de estar sofrendo “perseguição política” desde que deixou a base do governador para apoiar a pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo.
“Todo mundo está em cima dos meus companheiros para eles me deixarem. Eu achava que a pressão devia ser para os prefeitos votarem no governador deles, o Elmano. Aí seria legítimo fazer isso. Agora, um cara que contribuiu 30 anos para o Estado do Ceará e, de uma hora para outra, ser perseguido estritamente porque não conseguiria trair o Ciro Gomes, que é meu companheiro há 40 anos…”, declarou o deputado.
À época, o PontoPoder procurou a assessoria de imprensa, mas não houve retorno. Já nesta terça-feira, logo após as declarações da vice-governadora, o deputado federal Mauro Filho foi procurado pela reportagem, mas não respondeu.