Quase metade dos vereadores de Fortaleza vai concorrer a novos cargos nas eleições deste ano

Levantamento do PontoPoder aponta que 21 parlamentares da CMFor disputarão vagas nas eleições de 2026.

Escrito por Bruno Leite bruno.leite@svm.com.br
14 de Agosto de 2026 - 06:00
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Legenda: Informações foram disponibilizadas pelas siglas ao TSE.
Foto: Zé Rosa Filho/CMFor.

O quadro de vereadores titulares da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) terá uma participação expressiva nas eleições deste ano, com quase metade dos políticos do Poder Legislativo municipal já confirmados pelas siglas na corrida eleitoral após o período de convenções partidárias. 

Dos 43 vereadores que compõem o Plenário Fausto Arruda, 21 decidiram lançar candidaturas para buscar cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) e na Câmara dos Deputados.

As informações foram disponibilizadas pelas agremiações partidárias na plataforma DivulgaCand (Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais), administrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

PL e Republicanos terão maior número

No Partido Liberal (PL), quatro vereadores entraram na disputa. PP Cell, Julierme Sena e Pedro Matos são candidatos a deputado federal. Já a vereadora Bella Carmelo concorrerá ao cargo de deputada estadual.

O partido Republicanos terá cinco nomes no pleito. A maioria vai concorrer para vagas na Câmara dos Deputados, lançando Ronaldo Martins, Michel Lins e Benigno Junior como candidatos a deputado federal. Gardel Rolim e Márcio Martins serão representantes do partido na disputa por cadeiras de deputado estadual.

PDT, PSD e Psol vão lançar dois

Pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), dois parlamentares confirmaram seus nomes para a corrida eleitoral em âmbito nacional. Adail Jr e Kátia Rodrigues são candidatos a deputado federal.

Segundo o líder da bancada pedetista na Casa, o vereador Marcel Colares, a expectativa do partido é eleger "um deputado federal e, em um cenário bem otimista, até uma possível segunda vaga".

"Há diversos nomes competitivos na chapa, dentre eles o do nosso presidente, André Figueiredo, dos vereadores e outras lideranças já consolidadas e 'testadas de voto'", disse a liderança.

O Partido Social Democrático (PSD) vai dedicar seus esforços tendo como alvo a representação estadual. Os vereadores Erich Douglas e Apollo Vicz são candidatos a deputado estadual.

De acordo com a vereadora Estrela Barros, líder do PSD na CMFor, a estratégia do partido é ampliar sua presença política e apresentar nomes que, dentre outros atributos, "tenham trajetória".

"No caso dos vereadores que colocam seus nomes à disposição nesta eleição, vejo como uma oportunidade de levar para outras esferas as pautas que já fazem parte da nossa atuação na Câmara Municipal. É uma forma de ampliar a representação e fazer com que as demandas de Fortaleza e do Ceará tenham ainda mais voz", frisa.

No Partido Socialismo e Liberdade (Psol), as candidaturas foram divididas. A vereadora Adriana Gerônimo será candidata a deputada federal, enquanto o vereador Gabriel Aguiar tentará se eleger como deputado estadual.

Demais partidos vão concorrer com uma candidatura

No Partido dos Trabalhadores (PT), o único nome da bancada de parlamentares da CMFor confirmado na disputa proporcional para 2026 é o da vereadora Adriana Almeida, que é candidata a deputada estadual.

No Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), a representação no pleito vai se dar com o vereador Jorge Pinheiro, que foi lançado pela sigla tucana como candidato a deputado estadual.

Dez partidos têm nomes lançados em chapas proporcionais para a eleição deste ano.
Legenda: Dez partidos têm nomes lançados em chapas proporcionais para a eleição deste ano.
Foto: Luciano Melo/CMFor.

As demais legendas que contam com candidaturas confirmadas disputarão o cargo de deputado federal. O Solidariedade será representado por Emanuel Acrizio. Enquanto o Partido da Renovação Democrática (PRD) lançará Chiquinho dos Carneiros e o União Brasil terá o Soldado Noelio na disputa pela Câmara dos Deputados.

A reportagem do PontoPoder contatou as demais lideranças de partidos com representação na Casa Legislativa e com nomes lançados para o pleito de outubro. Não houve resposta até a última atualização desta matéria.

Estratégias eleitorais e os reflexos na rotina legislativa

Para entender o movimento de quase metade da Câmara Municipal de Fortaleza rumo às eleições de 2026, especialistas apontam que o fenômeno envolve desde o cálculo para o quociente partidário até a busca por maior visibilidade política.

A socióloga e cientista política Paula Vieira explica que o acúmulo de votos de um vereador já eleito é um ativo para as legendas. "Mesmo que não tenha sido o vereador mais votado, consegue, por já ter esse acúmulo político, contribuir para o quociente eleitoral partidário", afirma.

Além disso, a pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC) destaca que a candidatura serve para "expandir para outros eleitores" e aumentar o capital político para pleitos futuros".

Dos 43 vereadores que compõem a Casa, 22 não irão concorrer.
Legenda: Dos 43 vereadores que compõem a Casa, 22 não irão concorrer.
Foto: Zé Rosa Filho/CMFor.

Já a cientista política e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor) Mariana Dionísio ressalta que a motivação também passa pelo poder de influência dos cargos em disputa.

"O orçamento e a capacidade de barganha de um deputado estadual ou federal são ordens de grandeza maiores, porque envolvem emendas parlamentares, indicações a cargos no Executivo e maior visibilidade midiática", analisa.

Impactos no funcionamento da Câmara

Para Paula Vieira, a mudança na correlação de forças é pequena, pois o mandato pertence ao partido. "Quem assume é uma pessoa do partido. Em termos partidários, não muda essa correlação de forças na Câmara", pondera a socióloga

Dionísio alerta para questões técnicas e de continuidade. Segundo ela, "muitas vezes, suplentes assumem sem experiência prévia de mandato, exigindo tempo de adaptação ao Regimento Interno". Ela aponta que o processo pode gerar "possíveis atrasos em novas pautas" e disputas caso o vereador afastado ocupasse cargos na Mesa Diretora.

Nacionalização do debate e competitividade

O uso de pautas de repercussão nacional no plenário da Câmara também é visto como uma tática de campanha. Paula Vieira observa que essa é uma forma de o parlamentar "se mostrar vinculado a um nome nacional" para "maximizar a sua chance de expansão da base eleitoral".

Mariana Dionísio concorda, classificando a estratégia como uma maneira "relativamente barata" de "testar discurso, ganhar visibilidade extramunicipal e sinalizar posicionamento ideológico". Quanto às chances de vitória, as analistas apontam que o mandato de vereador não é garantia de eleição imediata para outros cargos. 

Mariana enfatiza que o resultado depende de variáveis externas, como o "desempenho da coligação". Paula Vieira, por sua vez, reforça que parlamentares em primeiro mandato, salvo casos de votações expressivas ou perfis "mais ideologizados", têm maior dificuldade em se eleger rapidamente para o âmbito estadual ou federal.

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