Três postulantes cearenses ultrapassaram a marca simbólica dos 100 mil votos nas urnas nesse domingo (4), mas acabaram de fora da bancada que assumirá os mandatos no período de 2027 a 2031.
Isso ocorreu devido ao quociente eleitoral. Conforme a legislação eleitoral, os quocientes eleitoral e partidário estruturam a distribuição de mandatos no Poder Legislativo por meio do sistema proporcional, utilizado nas eleições das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e a Câmara dos Deputados.
O caso mais emblemático de alta votação sem eleição foi o de Renato Roseno (Psol), que somou 116.905 votos. Ele era deputado estadual eleito na disputa anterior e, pela primeira vez, tentava uma cadeira na Câmara de Deputados, em Brasília.
Logo em seguida aparece Luiz Gastão (PSD), com 108.924 votos — ele que já exercia o mandato de deputado federal e não conseguiu a reeleição. Em 2022, Gastão foi eleito com 96.537 votos.
A lista dos votados que não garantiram vaga conta ainda com Roger Aguiar (PSB), que conquistou 106.170 votos. Ele não tinha mandato anterior.
Por depender do desempenho global das federações e coligações partidárias para atingir o quociente eleitoral, candidatos com grande apelo popular individual muitas vezes acabam não entrando na cota final de vagas do estado.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no sistema proporcional, o eleitor vota no candidato, mas sua votação também contribui para o desempenho eleitoral do partido ou da federação.
É essa combinação entre os votos individuais e os votos da legenda que determina, no sistema proporcional, quantas cadeiras cada partido ou federação poderá ocupar.
Já nas eleições para prefeituras, governos estaduais, Senado e Presidência da República, é adotado o sistema majoritário.
Renovação e derrotas de peso na bancada cearense
O resultado das urnas impôs derrotas significativas a nomes experientes do cenário político local. Entre os seis parlamentares em exercício que buscavam permanecer em Brasília e ficaram de fora estão Mauro Filho (União), que encerra um ciclo de dois mandatos consecutivos em Brasília (2018 e 2022), após ter sido deputado estadual por seis mandatos seguidos.
Integram a lista Priscila Costa (PL), que havia assumido em maio deste ano em substituição a Dayany Bittencourt (União), André Figueiredo (PDT), Eduardo Bismarck (PV) e José Airton (PT).
A configuração resultante deixará a representação do Ceará a partir de 2027 com 10 deputados estreantes e 12 parlamentares reeleitos.
Veja a lista de deputados federais eleitos no Ceará:
PSB
- Tainah Marinho (PSB) - 265.585 votos
- Robério Monteiro (PSB) - 165.876 votos
- Idilvan Alencar (PSB) - 127.140 votos
- Dr. Acilon (PSB) - 125.161 votos
PL
- André Fernandes (PL) - 684.372 votos
- Matheus Noronha (PL) - 123.990 votos
- Dr. Jaziel (PL) - 64.870 votos
- Carmelo Neto (PL) - 56.068 votos
PSD
- Domingos Neto (PSD) - 180.434 votos
- Célio Studart (PSD) - 122.415
- Fernanda Pessoa (PSD) - 122.963 votos
Federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB)
- Fernando Santana (PT) - 129.248 votos
- Raimundo Martins (PT) - 115.424 votos
- Luisa Cela (PT) - 93.321 votos
Federação União Progressista
- Moses Rodrigues (União) - 141.205 votos
- Danilo Forte (PP) - 119.862 votos
- AJ Albuquerque (PP) - 105.259 votos
MDB
- Yury do Paredão (MDB) - 261.291 votos
- Nenen Coelho (MDB) - 98.831 votos
Federação PRD-Solidariedade
- Giordanna Mano (PRD) - 235.848 votos
- Emanuel Acrízio (SD) - 57.192 votos
Republicanos
- Erika Amorim (Republicanos) - 109.025 votos