O presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, o vereador Felipe Vasques (PSD), e o prefeito do município, Glêdson Bezerra (Podemos), romperam a aliança em torno do projeto comum que mantinham para a eleição deste ano. O rompimento foi tornado público no sábado (6) quando o gestor anunciou que vai apoiar a médica Andrea Landim (PSDB) para deputada estadual.
Segundo Glêdson, Andrea fará uma "dobradinha eleitoral" com sua esposa, a pré-candidata a deputada federal Sandrinha Bezerra (Cidadania). Antes, Felipe Vasques é quem seria lançado numa estratégia de campanha eleitoral conjunta com a primeira-dama de Juazeiro do Norte.
A ruptura abre uma cisão no palanque do pré-candidato ao Governo do Ceará pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o ex-ministro Ciro Gomes, na região do Cariri. Tanto a ala de Glêdson quanto a de Vasques integram o agrupamento que apoia o nome do membro do clã Ferreira Gomes atualmente.
O anúncio da nova parceria ocorreu por meio de um vídeo publicado de maneira compartilhada entre os perfis de Glêdson, Sandrinha e Andrea no Instagram. Segundo a pré-candidata a deputada federal, a escolhida é "muito competente" e vai "engrandecer cada vez mais" o projeto político ao qual ela integra.
Ao PontoPoder, o chefe do Legislativo juazeirense disse que recebeu "com um pouco de surpresa" o rompimento, mas "com muita tranquilidade". "Embora o prefeito tivesse um compromisso em votar com a gente, ele me chamou para conversar e disse que achava melhor que não estivéssemos em conjunto nesta eleição agora de 2026", discorreu.
O pós-rompimento
Felipe Vasques pontuou que as relações institucionais, da Câmara Municipal com a Prefeitura de Juazeiro, e pessoais, entre ele e Glêdson Bezerra, estão mantidas. Quanto à sua estratégia para o pleito de outubro, ele falou que "ainda está conversando" com seu grupo político para definir com quem deve compor uma nova "dobradinha".
Vasques se mantém como pré-candidato a deputado estadual, enquanto outro nome a ser definido deverá concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.
A conversa mencionada pelo chefe do Legislativo juazeirense, segundo contou, ocorreu antes da publicação do registro pelo gestor e aliadas. Embora o rompimento represente uma cisão no grupo oposicionista, Felipe Vasques minimizou qualquer impacto da ruptura no agrupamento que orbita a candidatura de Ciro ao Palácio da Abolição na região.
"Primeiro, vejo que continua muito tranquilo o palanque do Ciro, porque tanto eu quanto Glêdson continuamos votando com ele, e eventuais alianças que possamos fazer também votarão. E, em segundo lugar, não vejo a candidatura do Ciro como vinda da classe política, é um desejo do povo... não vejo o prefeito Glêdson e nem eu dando votos significativos para o Ciro", avaliou.
Propósito de eleger uma bancada ampla
Da mesma maneira, Gledson afirmou que não entende que o fim do acordo atrapalhe a pré-candidatura tucana naquela porção do território cearense. "Primeiro, porque nós estamos do lado do Ciro. Segundo, porque o Ciro aqui, ao meu ver, vem da vontade popular, a força dele vem da vontade popular", disse.
Ele comparou a trajetória do aliado com a sua na eleição de 2024, quando venceu o deputado estadual Fernando Santana (PT), que era o candidato alinhado ao governador Elmano de Freitas (PT) na cidade.
"Não por conta dele estar apoiado ou ancorado a qualquer político, e sim numa força espontânea, que está vindo do povo da região do Cariri", argumentou.
Glêdson ainda declarou que, apesar de não haver mais uma "dobradinha política", sua relação de amizade com Felipe Vasques permanecerá, assim como "o propósito de continuar trabalhando para eleição do maior número de deputados estaduais e federais de Juazeiro [do Norte] e da região do Cariri, em especial da candidatura do Ciro".