Flávio Bolsonaro nos EUA: entenda por que ex-candidato é investigado no Brasil

O parlamentar deixou o País 48 horas depois de perder as eleições para presidente.

Escrito por Milenna Murta* milenna.murta@svm.com.br
28 de Outubro de 2026 - 11:43
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Legenda: O candidato derrotado é alvo de três inquéritos em trâmite no STF.
Foto: TheNews2/Nurphoto via AFP.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem três inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele deixou o país nesta terça-feira (27) junto da esposa e das duas filhas, rumo aos Estados Unidos.

Um dia antes, na segunda-feira (26), o parlamentar havia relatado nas redes sociais que a Polícia Federal (PF) teria o intimado a entregar seus passaportes. No pedido apresentado ao STF, as autoridades apontaram a possibilidade de Flávio deixar o País caso perdesse as eleições.

Com a derrota em segundo turno e o mandato no Senado Federal próximo ao fim, esta será a primeira vez que ele ficará sem cargo público em 20 anos em 2027. As investigações, entretanto, seguirão em curso, e ele deve perder o foro privilegiado que possui por ser parlamentar.

Em síntese, os inquéritos buscam apurar três circunstâncias distintas:

  • Caso "Dark Horse";
  • Caso Bets e Willer Tomaz;
  • Caso de calúnia contra Lula.

'Dark Horse', Vorcaro e Banco Master

Em maio deste ano, uma reportagem do Intercept Brasil revelou mensagens onde Flávio Bolsonaro pedia dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Seis operações financeiras foram realizadas, totalizando R$ 134 milhões de repasse para a obra, intitulada "Dark Horse". Em um primeiro momento, o senador negou as acusações, mas depois reconheceu os pedidos e disse não saber, à época, dos envolvimentos de Vorcaro em fraudes financeiras.

Em setembro, quando sua candidatura já estava em andamento, tornou-se público que um inquérito foi aberto pela PF para investigá-lo por supostas irregularidades no financiamento do filme. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça - indicado de Jair Bolsonaro.

Os crimes a serem apurados envolvem, por exemplo, lavagem de dinheiro, evasão de dívidas e corrupção. Suspeita-se que parte da verba recebida por Flávio não tenha sido utilizada na produção do "Dark Horse".

Casas de apostas e Willer Tomaz

Um inquérito foi aberto no STF nesse mês de outubro para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro. Em ocasiões anteriores, ele chegou a afirmar a "amizade legítima" que possui com o investigado.

As investigações, primeiramente, estavam sob comando da PF do Rio Grande do Sul. Entretanto, após o órgão encontrar e-mails no sigilo telemático de Willer que indicavam Flávio como "usuário master" de uma conta bancária de sua empresa Alcazar Holdings, o caso subiu para o Supremo.

As suspeitas envolvem lavagem de dinheiro em um valor próximo a R$ 5 bilhões, evasão de dívidas e o uso de casas de apostas dentro do esquema investigado pela Polícia. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Apesar de confirmar a amizade com o advogado, Flávio nega que eles tivessem qualquer negócio juntos.

Calúnia contra Lula

O senador Flávio Bolsonaro realizou uma postagem no X (antigo Twitter) em janeiro deste ano, na qual comparava o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Nicolas Maduro, chefe de Estado da Venezuela que, à época, havia sido capturado por tropas norte-americanas.

Ao petista, foram atribuídos crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O inquérito foi aberto sob justificativa de possível calúnia contra Lula. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

O que diz Flávio Bolsonaro?

O senador nega as acusações. Sobre o Caso "Dark Horse", bastante mencionado durante a campanha presidencial, Flávio afirmou que as relações entre ele, Vorcaro e o financiamento do filme eram assuntos privados, e que não houve envolvimento de verba pública.

"O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet", afirmou o senador. Ele também reforçou que, quando conheceu o ex-banqueiro, "não existiam acusações nem suspeitas públicas".

Já quanto ao seu envolvimento com Willer Tomaz, a defesa do parlamentar reforçou que a única relação entre Flávio e o advogado é de amizade. "O senador nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz e nenhuma de suas empresas. Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa", foi dito em nota.

O inquérito de calúnia contra Lula, por sua vez, teve posicionamento da defesa de Flávio em julho de 2026. À época, a suspeita foi classificada como uma interpretação equivocada, e não teria havido cometimento de qualquer crime por parte do réu.

Inquéritos seguem no STF

Por ser senador da República, Flávio Bolsonaro tem foro privilegiado em qualquer investigação, ou seja, ele passa a ser julgado em tribunais superiores, ao invés de juízes de primeira instância. A regra existe para autoridades públicas, como governantes, parlamentares e ministros.

Apesar de seu mandato encerrar em fevereiro de 2027, espera-se que os inquéritos sigam no Supremo. A permanência acontece pois, em 2025, o órgão decidiu que as investigações que ocorressem por práticas durante o exercício do cargo, ou que possuam relação com as atribuições públicas, devem ter o foro mantido.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Dahiana Araújo.

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