O gramado referência no Brasil
Leia a Coluna desta quarta-feira (24)
Sou de outros tempos. Para mim, gramado é o natural. Podem me chamar de retrógrado por não aceitar os novos tipos que estão aí. A modernidade trouxe o gramado híbrido, nos modelos "costurado" e "tapete". Li comentários favoráveis e desfavoráveis. Entendo as opiniões divergentes.
Sou recalcitrante. Posso estar errado. Mas a não aceitação vem muito da história. O gramado do Castelão, na década de 1970, foi considerado um dos dois melhores do Brasil. O outro era o gramado do Estádio Serra Dourada, em Goiânia. Os jogadores elogiavam e diziam de suas preferências pelos dois.
Na época, havia um funcionário chamado Manoel (não recordo o sobrenome dele), que se especializou em deixar a gramado perfeito. Que segredo ele tinha, não sei. Mas posso afirmar que nunca o gramado foi tão perfeito quanto no tempo em que dele o senhor Manoel cuidou.
Vão mudar o gramado do Castelão. O estádio receberá um cenário bem diferente. A meu juízo, a decisão correta seria aprimorar os trabalhos de conservação, tal como o Manoel fazia nos primeiros tempos.
Preservação
Há alguns anos, quiseram colocar um gramado sintético no PV. Fui contra. Os jogadores também se mostraram contra porque, segundo levantamento de especialistas, o piso é duro, fato que amplia as possibilidades de contusão. Dizem que, com as novas tecnologias, esse problema foi bastante reduzido.
Pressão
Observo uma forte pressão no sentido de promover a substituição do gramado natural pelo gramado sintético. A indústria quer vender seu produto. Faz parte. A publicidade está clara, inclusive mostrando a utilização do gramado híbrido nas competições promovidas pela FIFA.
Rotação acelerada
Pode ser que, com o passar dos anos, eu faça uma revisão de conceitos e passe a aceitar o gramado híbrido. Mas, no momento, noto que a bola corre mais, alterando a reação dos jogadores. Guardadas as devidas proporções, dá a impressão de um vídeo em rotação acelerada.
Ainda bem
Por enquanto, não falam em mudar o gramado do PV. Continuará com o gramado natural. O mesmo cheiro de grama dos primeiros tempos. Estive lá, recentemente, gravando um vídeo para o SVM. Participei de troca de passes com ex-jogadores e amigos. Gramado perfeito. Por que isso não é possível no Castelão? Incrível.
Ficção
Neném Prancha, o filósofo do futebol, dizia: "Bola tem que ser rasteira porque o couro vem da vaca e vaca gosta de grama" e "Goleiro é uma posição tão amaldiçoada que onde ele pisa nem grama nasce." Hoje, mudou tudo: a bola já não é do couro da vaca e a grama é artificial. Em breve, os jogadores serão robôs, produzidos pela IA.