Um grupo de noivas cearenses resolveu criar uma rifa solidária para tentar aliviar o prejuízo após suposto golpe de uma cerimonialista e de um buffet móvel da Regiã Metropolitana de Fortaleza.
O caso, que já reuniu cerca de 100 pessoas em um grupo por meio do WhatsApp, veio a público logo após uma das noivas, que diz ter sido vítima, expor o assunto nas redes sociais.
Angélica Silva foi uma das mulheres responsáveis por registrar Boletim de Ocorrência sobre o caso.
Segundo ela, as empresas GP Cerimonial e Angélica Buffet fecharam pacotes de serviços com dezenas de vítimas, mas não cumpriram com os prazos acordados e não fizeram repasses de valores pagos a fornecedores.
As empresas envolvidas foram questionadas sobre as denúncias, mas não retornaram até a publicação desta matéria.
Outras vítimas, inclusive, se reconheceram após a divulgação do caso. Samyla Ravena Matos, de 34 anos, que estava com data marcada para a celebração dos 15 anos da filha, foi uma delas.
A sogra dela, Maria Graci Gomes, de 55 anos, também diz ter sido lesada por Emanuela Ferreira de Oliveira Gomes e Ana Angélica Peixoto da Costa, responsáveis pelas duas empresas, respectivamente.
Juntas, as duas dizem ter percebido uma série de comportamentos anormais antes de descobrirem o possível golpe e, agora, estariam na busca para diminuir os prejuízos supostamente deixados pelas duas.
"Antes de tudo isso, tivemos uma reunião com a Angélica, e ela estava muito estranha, não levou nada para dizer como seria o casamento da minha sogra", relata.
"Achamos muito estranho, mas tudo bem. Porém, logo depois, o espaço onde seria o evento publicou uma mensagem, citando o caso, e rezamos para que não fosse o buffet. Mas, no fim, era sim", desabafou a consultora de vendas em relato ao Diário do Nordeste.
Maria Graci conta ter perdido mais de R$ 13 mil com os dois serviços.
"Tem muita gente prejudicada, muitos sonhos destruídos. Estamos aqui começando do zero, sem saber como a gente vai recuperar esse dinheiro, como a gente vai fazer a festa. Está tudo muito difícil porque a gente ficou endividado", explicou.
Ideia da rifa surgiu após desespero
O casamento da sogra, com 50% já pago, estava marcado para o dia 25 de setembro de 2026, enquanto o aniversário da filha de Samyla ocorreria dia 23 de dezembro de 2027.
Entretanto, nenhuma das datas fechadas por elas estava reservada no local. Elas ainda não conseguiram contabilizar todo o prejuízo.
Foi quando constatou todas as inconsistências repassadas pelas duas mulheres que Samyla se desesperou. "Eu não sabia nem o que fazer. Fiquei três dias bem mal mesmo", reforçou.
Desde então, as duas têm buscado ajuda, aos poucos, para tentar sanar parte dos prejuízos financeiros. A festa de aniversário, que só seria realizada em 2027, tem ficado em segundo plano, mas a situação de Maria Graci é mais preocupante.
Um familiar aqui, outro ali, e o plano de uma rifa solidária acabou surgindo. "Minha sogra queria desistir de tudo. O meu sogro ficou meio balançado, mas a gente não deixou. Nem que fossem só eles dois e o padre, eles vão casar", disse a nora.
As duas pensaram na ideia da rifa, na qual pessoas próximas podem ajudar e ainda receber um prêmio após um sorteio entre os participantes. Cada número equivale a R$ 10.
Uma parte do dinheiro arrecadado vai para o sorteio, enquanto a outra parte deve custear detalhes como a decoração do casamento, da comida a ser servida e outros detalhes do dia tão sonhado por Graci.
Além das duas, outras supostas vítimas também têm divulgado rifas. Em um grupo de WhatsApp, que reúne mais de 90 pessoas, diferentes iniciativas foram divulgadas nos últimos dias.
"Tenho fé que a minha sogra vai conseguir fazer o casamento dela, porque a gente tem família ajudando, tem os amigos. Mas quem não conseguiu? É difícil, sabe? Eu ainda tenho um tempo para fazer o da minha filha. Temos esse plano B, com esses valores doados, mas Deus vai me dar muita força para trabalhar", contou.
Busca das vítimas pelas autoridades
A mesma crença na possibilidade de conseguir ajuda, entretanto, não se estende para a possibilidade de reaver as quantias perdidas. Samyla e Graci não creem que elas ou as outras vítimas terão os investimentos restaurados.
"Acho que vai ficar por isso mesmo, que não vou receber esse valor e não vai acontecer nada com eles", lamenta a consultora.
O caso segue sendo investigado, conforme detalhes confirmados pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Segundo a pasta, diversos boletins de ocorrência sobre denúncias de estelionato em Fortaleza e na Região Metropolitana foram registrados, com a recomendação de que as vítimas procurem as autoridades para formalizar o relato.