Caso Clarissa: família pede condenação e defesa diz que Matheus confessará crime, mas que 'há outro culpado'

O réu é acusado por assassinar a enfermeira com 34 facadas.

Escrito por Emanoela Campelo de Melo e Luana Severo producaodiario@svm.com.br
13 de Julho de 2026 - 12:00
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Legenda: As primeiras testemunhas de acusação ouvidas nesta segunda-feira (13) foram um policial civil, que atendeu a ocorrência, uma vizinha e uma amiga da vítima.
Foto: Fabiane de Paula.

Acusado de assassinar a namorada, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz já está sentado no banco dos réus. O júri do 'Caso Clarissa' começou por volta das 9h30 desta segunda-feira (13) junto ao apelo da família da vítima, que pede a condenação e uma 'pena justa' para o réu pelo feminicídio.

A defesa de Matheus, agora representada pela Defensoria Pública do Ceará, por meio do defensor Emerson Castelo Branco, diz que o réu falará pela primeira vez sobre o crime e que "há outro culpado nessa história e não somente o Matheus".

"Ele vai confessar, pedir perdão e botar os joelhos no chão. Não pediremos absolvição, mas uma condenação justa... Ele tem depressão, problemas psicológicos e está comprovado que ele tomava medicação. Isso não justifica absolutamente nada, a defesa vai ser uma defesa ética", disse Emerson Castelo Branco sobre o assassinato da enfermeira Clarissa Costa Gomes.

Defesa e acusação chamaram 10 testemunhas para serem ouvidas em plenário (cinco de cada parte). O Diário do Nordeste acompanha a sessão presencialmente, que acontece no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza.

Devido à quantidade de testemunhas, há a possibilidade de o júri durar mais de um dia. 

Após sorteio, o Conselho de Sentença, formado por jurados populares, foi composto por cinco mulheres e dois homens. 

'NENHUMA CONDENAÇÃO VAI DIMINUIR A DOR DA SAUDADE'

Clarissa foi morta com 34 facadas, dentro de casa, em julho do ano passado.

As primeiras testemunhas de acusação ouvidas nesta segunda-feira (13) foram um policial civil, que atendeu a ocorrência, uma vizinha e uma amiga da vítima.

O policial abordou Matheus, realizou a prisão em flagrante e, já dentro da viatura, quando perguntou o porquê do crime, ouviu do suspeito "que tinha sido por desentendimento".

A amiga relatou que Clarissa estava descontente com o relacionamento e que Matheus nunca tinha batido nela, "mas que já tinha alterado o tom de voz e sido mais grosso, mais ríspido”.

Família e amigos da vítima estão no fórum e levaram cartazes.
Legenda: Família e amigos da vítima estão no fórum e levaram cartazes.
Foto: Fabiane de Paula.

Nathalie Capistrano, prima da vítima, diz que "nenhuma condenação vai diminuir a dor da saudade, mas é uma resposta pra gente dar pra sociedade, uma resposta pra gente, pra nossa família".

"Que a crueldade de que ela foi vítima não tenha sido em vão e que seja uma pena proporcional ao que ela passou, também para desencorajar que outros homens façam a mesma coisa, pra que nenhuma família sofra o que estamos sofrendo"
Nathalie Capistrano
Prima da vítima

Relembre o caso

Clarissa Costa Gomes morreu aos 31 anos, vítima de feminicídio, em Fortaleza. Segundo as investigações, ela foi assassinada com 34 golpes de faca pelo namorado, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, então com 26 anos.

Vizinhos da enfermeira disseram que viram o casal chegar à casa da vítima, no Jardim Cearense, por volta de 13h30. Um vizinho relatou à Polícia que, às 15h20, ouviu uma voz feminina gritar "me solta, vai me matar". Outra vizinha ouviu ela gritar o nome de Matheus duas vezes. Por último, os moradores ouviram apenas o som de uma batida no chão.

Matheus foi visto saindo da residência em sua motocicleta. O irmão dele chegou algum tempo depois e, junto aos vizinhos, encontrou o corpo de Clarissa sem vida. "Meu Deus, o que meu irmão fez?", exclamou ele, segundo o relato das testemunhas.

Matheus foi preso em flagrante na Maraponga e confessou o crime. Questionado sobre a motivação, ele disse, a princípio, tomar medicação para epilepsia e ansiedade. Depois, falou que não se lembrava do que tinha acontecido.

Vítima pediu ajuda

Na denúncia apresentada à Justiça sobre o caso, o MPCE detalhou que Clarissa chegou a mandar uma mensagem com os dizeres "S.O.S" para uma amiga no momento em que estava sendo espancada pelo namorado, mas a colega de trabalho acreditou que a enfermeira estava se referindo a um assunto que estava sendo tratado na reunião remota que ambas estavam participando naquela hora.

O MP afirmou ainda que o relacionamento de cerca de dois anos foi marcado por episódios de ciúme excessivo por parte do réu. Além disso, pessoas próximas à vitima relataram que haviam identificado comportamentos abusivos e possessivos no acusado, bem como uma mudança no comportamento de Clarissa, que se tornou mais fechada.

As investigações apontaram ainda que, em junho do ano passado, a enfermeira confidenciou a duas amigas que pretendia terminar o namoro com Matheus.

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