Dois supostos integrantes do Comando Vermelho foram denunciados à Justiça neste mês de junho por tentativa de chacina na Grande Messejana. O crime aconteceu uma semana antes do último Carnaval, no José de Alencar, por trás da casa que pertenceu ao escritor cearense que deu nome ao bairro. À época, a dupla foi acusada de sequestrar, torturar e tentar matar quatro pessoas para obter informações sobre a autoria do assassinato de Benedito Sabóia de Brito.
Benedito foi morto a tiros na madrugada de 8 de fevereiro. Poucas horas depois, Antônio Márcio Dias Ferreira, 37, e Francisco Wellington Costa Moreira, 21, teriam sequestrado quatro moradores da Travessa Pantanal, onde o crime foi cometido, e torturado as vítimas para que elas revelassem quem teria sido responsável pela execução do comparsa.
Há, ainda, a possibilidade de que essas pessoas tenham sido escolhidas por uma suposta vinculação delas com a Massa Carcerária/Tudo Neutro (TDN), facção rival que disputa o domínio na área.
O caso foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) à Justiça cearense no último 1º de junho. O Diário do Nordeste apurou que as defesas de ambos os réus solicitaram medidas de relaxamento à prisão preventiva, mas os pedidos de liberdade provisória foram negados devido à gravidade do caso e ao nível de periculosidade dos presos.
A decisão de manter os réus reclusos no sistema penitenciário foi tomada nessa quinta-feira (18) pelo Colegiado da 6ª Vara do Júri.
Sequestro e tortura
Na tarde do dia 8 de fevereiro deste ano, por volta de 15h40min, a Polícia recebeu uma denúncia de que pessoas estavam sendo torturadas em uma casa abandonada na rua Eliseu Oriá, no José de Alencar. No local, os agentes de segurança flagraram os réus e os prenderam em flagrante.
Foram resgatadas quatro vítimas, sendo duas mulheres e dois homens. O grupo estava amordaçado e apresenta lesões e sinais de tortura, como unhas e dentes arrancados, orelhas parcialmente cortadas e sinais de afogamento. Às autoridades, as vítimas relataram que foram torturadas por horas e que os agressores queriam saber quem tinha matado Benedito.
No local do crime, a composição policial apreendeu uma foice, um machado, uma faca e uma barra de ferro. Os relatórios também mencionam a apreensão de pedaços de madeira, cordas, fios com partes desencapadas e outros instrumentos de contenção utilizados nas agressões.
Denúncia à Justiça
O MPCE denunciou a dupla no último 1º de junho pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado tentado (quatro vezes) com motivo torpe e crueldade, tortura e organização criminosa. A denúncia foi recebida pela 6ª Vara do Júri, que agendou para a audiência de instrução e o julgamento do caso para o próximo 21 de julho.
Enquanto aguardam o julgamento, os dois estão recolhidos na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (UP – Itaitinga II). Ambos já tinham passado anteriormente pelo sistema carcerário: Márcio, por homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas, resistência e um ato infracional quando adolescente, análogo ao crime de tentativa de homicídio; Wellington, por tráfico de drogas.
Procurada pelo Diário do Nordeste, a defesa de Antônio Márcio Dias Ferreira alegou que as acusações contra o cliente carecem de "elementos concretos que comprovem sua participação nos fatos" e afirmou que confrontará as alegações durante a fase de instrução processual. "O acusado não foi localizado no local dos fatos, tampouco foi reconhecido por nenhuma das supostas vítimas, inexistindo, portanto, elementos seguros que possam sustentar a imputação que lhe é atribuída", acrescentou o advogado Roberto Cruz Cavalcante.
A reportagem também buscou contato com a defesa de Francisco Wellington, mas não teve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para inclusão do posicionamento.