Chacina do Curió: novo julgamento de policiais militares começa nesta quarta-feira (4)

A sessão acontece no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza e será acompanhada pelo Diário do Nordeste.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
04 de Novembro de 2026 - 07:16
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Legenda: Mães de vítimas e sobreviventes da Chacina do Curió reafirmaram a luta por justiça
Foto: Kid Júnior

Os policiais militares José Oliveira do Nascimento e José Wagner Silva de Souza sentam novamente no banco dos réus nesta quarta-feira (4). A dupla é acusada de envolvimento nas mortes do episódio que ficou conhecido como Chacina do Curió.

José Oliveira e José Wagner já foram condenados pelo crime há cerca de três anos. Eles recorreram em 2º Grau e conseguiram anular as sentenças. O novo júri está programado para começar às 9h, na 1ª Vara do Júri de Fortaleza, no Fórum Clóvis Beviláqua.

Na última semana, o coletivo das Mães do Curió e a Defensoria Pública concederam entrevista à imprensa reforçando o pedido de Justiça pelas 11 vítimas assassinadas. "A gente não é contra a polícia... A gente quer que a polícia comece a trabalhar como um direito para uma população que vos paga. Basta de genocídio dentro da nossa periferia", afirmou Edna Carla Souza Cavalcante, cofundadora do 'Mães do Curió' e mãe de Alef Souza Cavalcante, morto aos 17 anos na chacina.

Além dos interrogatórios dos réus, estão previstos depoimentos das testemunhas de defesa e acusação no plenário. O Diário do Nordeste acompanha o julgamento. 

Acusados de homicídios e tortura 

Em 2023, José Oliveira do Nascimento foi condenado por 18 crimes, tendo que cumprir 210 anos e 9 meses de reclusão em regime inicial fechado, com perda do cargo público após o trânsito em julgado.

A sentença foi por crimes de homicídio qualificado (9 vezes), homicídio simples (2 vezes), tentativa de homicídio qualificado (2 vezes), tentativa de homicídio simples (1 vez), três torturas físicas e uma tortura mental. Ele ficou preso provisoriamente após o júri.

Já José Wagner Silva de Souza foi condenado a 13 anos e 5 meses de reclusão por crimes de tortura — duas torturas físicas e uma mental —, em regime inicial fechado e com perda do cargo público após o trânsito em julgado. 

Na apelação, a defesa, representada em primeiro grau pelos advogados Magno Aguiar e Cícero Roberto e, em segundo grau, pelo advogado Mayko Alcântara, alegou que a condenação anterior ignorou provas técnicas como dados de rastreamento da viatura do policial que serviriam de álibi.

Além disso, eles afirmam que o cliente não estava em uma "caçada" por vingança naquela noite, apenas cumprindo "ordem de serviço expressa" do comando do 16º Batalhão de Polícia Militar para localizar os autores do latrocínio do soldado Valtermberg Chaves Serpa, crime considerado o estopim do massacre que acabou com 11 inocentes mortos em novembro de 2015.

A defesa apontou ainda que o oficial foi levado a júri popular apenas por ser o de "menor patente", enquanto coronéis inseridos no mesmo contexto foram absolvidos. Sobre a acusação de tortura, ele defendeu ainda que a testemunha que o PM conduziu na viatura não teria ficado incomunicável, tendo falado com a família e sido liberada após não ser reconhecida.

Em nota enviada ao Diário do Nordeste, o advogado Mayko Alcântara celebrou a decisão judicial. "O resultado decorre de um trabalho técnico e minucioso da defesa, que examinou a cronologia dos fatos, os registros da CIOPS [Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança], a prova testemunhal e as nulidades processuais apontadas. [...] A justiça que a sociedade clama não se faz com a condenação de um inocente, mas com a apuração correta e individualizada das responsabilidades", disse o defensor particular.

O Tribunal do Júri que condenou o tenente ocorreu em setembro de 2023. À época, oito militares sentaram no banco dos réus para serem julgados por 11 homicídios, três tentativas de homicídio e quatro crimes de tortura. No entanto, apenas dois, entre eles, José Nascimento, foram condenados pelos crimes. O restante dos réus foi absolvido.

José Oliveira do Nascimento foi condenado por 18 crimes, tendo que cumprir 210 anos e 9 meses de reclusão em regime inicial fechado, com perda do cargo público após o trânsito em julgado. A sentença foi por crimes de homicídio qualificado (9 vezes), homicídio simples (2 vezes), tentativa de homicídio qualificado (2 vezes), tentativa de homicídio simples (1 vez), três torturas físicas e uma tortura mental. Ele ficou preso provisoriamente, sem possibilidade de recorrer em liberdade.

Chacina do Curió: relembre o caso

Em novembro de 2015, entre a noite do dia 11 e a madrugada do dia 12, 11 pessoas foram assassinadas a tiros em diversos pontos da Grande Messejana, em Fortaleza. As investigações pontaram a participação de policiais militares nos crimes, como retaliação à morte de um colega de farda, o soldado Serpa.

Segundo o Ministério Público do Ceará (MPCE), nos memoriais finais do processo, "diversos homens encapuzados circularam pelos locais do fato durante longo tempo, contando com a conivência dos PMs que estavam de serviço e que, apesar dos insistentes e desesperados apelos da população, não socorreram a tantos que precisavam de proteção".

As vítimas do massacre foram:

  1. Álef Souza Cavalcante, morto aos 17 anos;
  2. Antônio Alisson Inácio Cardoso, morto aos 16 anos;
  3. Francisco Elenildo Pereira Chagas, morto aos 40 anos;
  4. Jardel Lima dos Santos, morto aos 17 anos;
  5. Jandson Alexandre de Sousa, morto aos 19 anos;
  6. José Gilvan Pinto Barbosa, morto aos 41 anos;
  7. Marcelo da Silva Mendes, morto aos 17 anos;
  8. Patrício João Pinho Leite, morto aos 16 anos;
  9. Pedro Alcântara Barroso do Nascimento Filho, morto aos 18 anos;
  10. Renayson Girão da Silva, morto aos 17 anos;
  11. Valmir Ferreira da Conceição, morto aos 37 anos.

 

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