Irauçuba enfrenta falta d´água

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
22 de Janeiro de 2003 - 03:49
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Legenda: Açude Jerimum, de 20.500.000 m3, está com apenas 1,5% de seu volume, o correspondente a 300 mil m3
Foto: F. Edilson Silva
Irauçuba (Sucursal/Sobral) - É das mais graves a situação de abastecimento d´água de Irauçuba, na Zona Norte do Ceará. O açude Jerimum, que tem capacidade de armazenar 20.500.000 metros cúbicos (m3) está praticamente seco. O volume hoje é de apenas 1,5%, o que corresponde a cerca de 300 mil m3. Em conseqüência, a água que é fornecida através da adutora da Cagece é de péssima qualidade, imprópria para o consumo humano.

O gerente da Cogerh/Bacia do Curu, Berthyer Peixoto Lima, destaca que ainda no mês de julho alertou as autoridades sobre a possibilidade de um colapso no fornecimento de água. O vereador Mozarniel Rocha Gomes, que é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, comenta que o problema foi anunciado, a Cagece iniciou a reativação da adutora do açude Patos, de Sobral, mas nada foi resolvido. ´A obra deveria estar pronta em 40 dias, depois em 60 dias, e até agora não foi concluída a substituição da antiga tubulação que é de ferro´.

O açude Jerimum sangrou apenas em 1996, ano de sua construção pelo governo do Estado. É administrado pela Cogerh. Operando com volume morto, o reservatório não atende a população. A água que ainda chega nas torneiras é em pequena quantidade, escura e com mau cheiro. Pessoas pobres chegam a cozinhar a água para beber.

Hoje existe em Irauçuba o comércio de água, atividade explorada por proprietários de caminhões que transportam o líquido em tambores. Com R$ 1,00 é possível comprar três latas de vinte litros. Nos bairros e nas ruas centrais, incluindo restaurantes e todo o comércio, as pessoas aguardam a chegada dos carros que procedem da região do Missi, de olhos d´água e cacimbões que ficam distantes até 20 km.

´A população está tendo duas despesas. A Cagece continua cobrando a água, que não serve mais nem para lavar roupa ou tomar banho; e as pessoas são obrigadas a comprar latas d´água para beber. A água do Jerimum vem causando outro problema sério, com o aparecimento de muitas doenças´.

É o que afirma o vereador Mozarniel Rocha Gomes, cobrando uma posição da Cagece sobre as obras de recuperação da adutora do Patos, açude de 11 milhões de m3 que sangrou no ano passado. Ele relata que o açude pertence ao município de Sobral, fica distante 35 km da sede de Iraucuba, e durante muito tempo atendeu a cidade. Foi desativado com a construção do açude Jerimum.

CARRO-PIPA -- A falta d´água não atinge apenas a cidade. O quadro também é crítico na zona rural, que estava sendo atendida por seis carros-pipa da Defesa Civil do Ceará. O programa foi desativado, o que deixou várias comunidades em desespero. Todos os pequenos açudes estão comprometidos. Algumas localidades dispõem de poços, mas a água é salgada. Outras contam com dessalinizadores, mas os equipamentos não recebem a devida manutenção . ´Estamos aguardando a reativação e ampliação do programa de carro-pipa em Irauçuba. É muito difícil a vida por aqui e piora muito sem água´, disse Mozarniel Gomes.