"Russas - da criação do gado à indústria" seguirá itinerante nas comunidades, retratando a economia da cidade
Russas. O tempo gera as transformações, as vilas se transformam em cidades, e desde sempre o conglomerado populacional vai encontrando suas formas de sobrevivência. Cada terra tem seu tesouro. A do Município de Russas é a carnaubeira, e dela se extraindo a cera de carnaúba. Mas também pode ser o barro, da argila bruta transformada em telhas e tijolos compondo as casas daqui e alhures, e literalmente erguendo a economia. A laranja também é um tesouro, hoje bem menos que ontem. Nas várias gerações e seus tesouros, é o povo quem transforma, e para o que possa ficar registrado na memória, a exposição "Russas - da criação do gado à indústria" seguirá itinerante nas comunidades, retratando a economia, num túnel do tempo que começa no boi e termina na fábrica. Está sendo o ponto de partida para quem nasce nos tempos atuais.
A exposição sobre a memória da economia foi lançada na Semana do Município de Russas, dez dias atrás, nas comemorações dos 209 anos de emancipação política. Às margens da Lagoa da Caiçara, um ambiente climatizado para o frio aconchegante dá uma dimensão moderna para dizer que a economia é modernizadora. A pecuária foi desbravadora, no gado de corte, nas charqueadas, na produção de leite, na fixação no terreno. A pecuária foi sobrepondo-se ao espaço indígena, então habitantes desse território.
"Com poucas condições técnicas, a criação de gado formava os currais que ocuparam todo o Vale do Jaguaribe, nesse sentido a água do rio era o principal impulsor desta cultura, pois o gado que viajava em rebanhos, vindos do Icó em direção ao porto do Aracati e ao Rio Grande do Norte, encontrava no Rio Jaguaribe a fonte de sobrevivência", explica a pesquisadora Adriana Ribeiro de Lima, mestra em História Social do Trabalho, cujos levantamentos deram alicerce para a exposição sobre a economia de Russas.
Na terra de tesouros, houve também um ouro branco, o algodão mocó. O algodão que não se desligará do gado, ao desenvolver-se põe outras regiões da Capitania do Ceará em destaque e com maior vantagem econômica sobre aquelas que se mantinham apenas com o gado e seu comércio. O algodão, como planta nativa, era trabalhado pelos índios e, posteriormente, pelos escravos, na produção artesanal de "panos grosseiros". A partir do século XVIII é que o algodão toma um caráter de atividade comercial, fato relacionado à demanda têxtil europeia. No Ceará, o algodão invade a bacia do Jaguaribe, e seu principal centro se localizará no Alto-Sertão, em Icó e em todas as cidades da ribeira do Jaguaribe, como Russas. Na exposição, ao lado de um gibão de couro tem uma rede de algodão, dois encorpados da matéria bruta, o couro e a agricultura, que fizeram a dinâmica econômica do Interior do Estado.
Fique por dentro
A origem
Primeiramente chamada de Santo Antônio do Ouvidor, depois Sítio Igreja das Russas, seguida de São Bernardo do Governador, São Bernardo de Russas e, enfim, Russas. O Município é um dos poucos do Ceará que se originou de fortificação militar, da época em que os colonizadores travaram a "Guerra dos Bárbaros", o maior movimento de resistência indígena no Nordeste. Além de ser um núcleo militar com a Fortaleza de São Francisco Xavier, o lugar era centro religioso, simbolizado desde a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário de Russas, com praticamente três séculos desde o início de sua construção.
MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura do Município de Russas
Vale do Jaguaribe
(88) 3411.8404
PÚBLICO PARTICIPANTE
Instrumento pedagógico
Russas. A exposição "Russas, da criação do gado à indústria" foi planejada para ter todos os públicos, mas são principalmente os jovens a poderem repassar o que viram, o que aprenderam. Conhecer o passado para inventar o futuro.
De acordo com a secretária de Educação do Município, Lindalva Pereira, o entendimento da história econômica da cidade de Russas - localizada no Vale do Jaguaribe - pode servir de catalisador, de impulso, para que a juventude possa ampliar os olhares para a economia e, também, para o desenvolvimento de um povo. A tal economia modernizadora, agregadora de trabalho e emprego, também é excludente, quando não distribui as riquezas desse "tesouro". E se no passado ficou a riqueza dos ciclos, no presente fica o que deve ser "melhorado".
A exposição da história econômica de Russas, lançada às margens da Lagoa Caiçara, deverá seguir itinerante pelas comunidades do município. A exposição vai mostrar, ainda, a história pungente da carnaúba muito peculiar dessa zona cearense. Entre os séculos XIX e XX o extrativismo desse vegetal colocou a região jaguaribana no mercado internacional.
"Será uma forma de mostrar a história de Russas para as pessoas que estão mais distantes desses meios em que se propaga o conhecimento, levar para a comunidade o retrato da história do povo por meio de muito trabalho", afirma Ricardo Torres, da Secretaria Municipal da Educação.
Imagens expostas
Diferentes objetos fazem parte da exposição sobre a economia de Russas, mostrando quais os setores que tinham ou tem influência no Município.
1. A indústria cerâmica é pujante. Do barro e da argila podem surgir peças de artesanato;
2. A "Russas - da criação do gado à indústria" faz uma viagem no tempo e todos os visitantes podem conhecer um pouco mais lendo informações ou observando fotos e painéis expostos;
3. Outro destaque na economia russana é a carnaubeira, mostrada por meio de suas palhas e objetos feitos a partir da árvore.
Melquíades Júnior
Colaborador
Russas. O tempo gera as transformações, as vilas se transformam em cidades, e desde sempre o conglomerado populacional vai encontrando suas formas de sobrevivência. Cada terra tem seu tesouro. A do Município de Russas é a carnaubeira, e dela se extraindo a cera de carnaúba. Mas também pode ser o barro, da argila bruta transformada em telhas e tijolos compondo as casas daqui e alhures, e literalmente erguendo a economia. A laranja também é um tesouro, hoje bem menos que ontem. Nas várias gerações e seus tesouros, é o povo quem transforma, e para o que possa ficar registrado na memória, a exposição "Russas - da criação do gado à indústria" seguirá itinerante nas comunidades, retratando a economia, num túnel do tempo que começa no boi e termina na fábrica. Está sendo o ponto de partida para quem nasce nos tempos atuais.
A exposição sobre a memória da economia foi lançada na Semana do Município de Russas, dez dias atrás, nas comemorações dos 209 anos de emancipação política. Às margens da Lagoa da Caiçara, um ambiente climatizado para o frio aconchegante dá uma dimensão moderna para dizer que a economia é modernizadora. A pecuária foi desbravadora, no gado de corte, nas charqueadas, na produção de leite, na fixação no terreno. A pecuária foi sobrepondo-se ao espaço indígena, então habitantes desse território.
"Com poucas condições técnicas, a criação de gado formava os currais que ocuparam todo o Vale do Jaguaribe, nesse sentido a água do rio era o principal impulsor desta cultura, pois o gado que viajava em rebanhos, vindos do Icó em direção ao porto do Aracati e ao Rio Grande do Norte, encontrava no Rio Jaguaribe a fonte de sobrevivência", explica a pesquisadora Adriana Ribeiro de Lima, mestra em História Social do Trabalho, cujos levantamentos deram alicerce para a exposição sobre a economia de Russas.
Na terra de tesouros, houve também um ouro branco, o algodão mocó. O algodão que não se desligará do gado, ao desenvolver-se põe outras regiões da Capitania do Ceará em destaque e com maior vantagem econômica sobre aquelas que se mantinham apenas com o gado e seu comércio. O algodão, como planta nativa, era trabalhado pelos índios e, posteriormente, pelos escravos, na produção artesanal de "panos grosseiros". A partir do século XVIII é que o algodão toma um caráter de atividade comercial, fato relacionado à demanda têxtil europeia. No Ceará, o algodão invade a bacia do Jaguaribe, e seu principal centro se localizará no Alto-Sertão, em Icó e em todas as cidades da ribeira do Jaguaribe, como Russas. Na exposição, ao lado de um gibão de couro tem uma rede de algodão, dois encorpados da matéria bruta, o couro e a agricultura, que fizeram a dinâmica econômica do Interior do Estado.
Fique por dentro
A origem
Primeiramente chamada de Santo Antônio do Ouvidor, depois Sítio Igreja das Russas, seguida de São Bernardo do Governador, São Bernardo de Russas e, enfim, Russas. O Município é um dos poucos do Ceará que se originou de fortificação militar, da época em que os colonizadores travaram a "Guerra dos Bárbaros", o maior movimento de resistência indígena no Nordeste. Além de ser um núcleo militar com a Fortaleza de São Francisco Xavier, o lugar era centro religioso, simbolizado desde a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário de Russas, com praticamente três séculos desde o início de sua construção.
MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura do Município de Russas
Vale do Jaguaribe
(88) 3411.8404
PÚBLICO PARTICIPANTE
Instrumento pedagógico
Russas. A exposição "Russas, da criação do gado à indústria" foi planejada para ter todos os públicos, mas são principalmente os jovens a poderem repassar o que viram, o que aprenderam. Conhecer o passado para inventar o futuro.
De acordo com a secretária de Educação do Município, Lindalva Pereira, o entendimento da história econômica da cidade de Russas - localizada no Vale do Jaguaribe - pode servir de catalisador, de impulso, para que a juventude possa ampliar os olhares para a economia e, também, para o desenvolvimento de um povo. A tal economia modernizadora, agregadora de trabalho e emprego, também é excludente, quando não distribui as riquezas desse "tesouro". E se no passado ficou a riqueza dos ciclos, no presente fica o que deve ser "melhorado".
A exposição da história econômica de Russas, lançada às margens da Lagoa Caiçara, deverá seguir itinerante pelas comunidades do município. A exposição vai mostrar, ainda, a história pungente da carnaúba muito peculiar dessa zona cearense. Entre os séculos XIX e XX o extrativismo desse vegetal colocou a região jaguaribana no mercado internacional.
"Será uma forma de mostrar a história de Russas para as pessoas que estão mais distantes desses meios em que se propaga o conhecimento, levar para a comunidade o retrato da história do povo por meio de muito trabalho", afirma Ricardo Torres, da Secretaria Municipal da Educação.
Imagens expostas
Diferentes objetos fazem parte da exposição sobre a economia de Russas, mostrando quais os setores que tinham ou tem influência no Município.
1. A indústria cerâmica é pujante. Do barro e da argila podem surgir peças de artesanato;
2. A "Russas - da criação do gado à indústria" faz uma viagem no tempo e todos os visitantes podem conhecer um pouco mais lendo informações ou observando fotos e painéis expostos;
3. Outro destaque na economia russana é a carnaubeira, mostrada por meio de suas palhas e objetos feitos a partir da árvore.
Melquíades Júnior
Colaborador