Feira livre de Limoeiro atrai compradores de toda a região

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
13 de Outubro de 2012 - 01:20
Sempre aos sábados pela manhã, pequenos vendedores ofertam produtos em duas praças centrais

Limoeiro do Norte As tradicionais feiras livres são importantes locais de comércio popular em várias cidades. Neste município, essa prática ganha aspectos importantes para preservação e valorização da cultura local. A arte encontra-se nos objetos vendidos aos sábados em duas praças do Centro da cidade. A feira reúne comerciantes de vários lugares por conta da grande movimentação de clientes nos arredores do mercado.

Desde cedo, as calçadas são tomadas pelos vendedores. Os produtos são organizados debaixo das árvores na Praça Capitão João Ênis, conhecida popularmente como Praça do Mercado Central, e também na Praça da Assunção, ou Pça. do Banco do Nordeste. Aos sábados, a feira atrai vendedores de outras cidades, devido ao grande fluxo de pessoas que frequentam o local, gerando expectativa positiva para as vendas.

Tem sido essa a rotina de João Bosco, natural de Russas, que vende móveis artesanais há mais de dez anos. Nos últimos três anos, traz os produtos para vender em Limoeiro do Norte. "Por aqui passa muita gente, então todo sábado eu venho pra cá com boa expectativa de venda", diz João Bosco.

Os móveis que ele vende são simples: cadeiras, mesas e bancos de madeira rústica, sem acabamento, de vários tamanhos. A mobília é produzida na comunidade de São João do Aruarú, município de Morada Nova.

Ela conta que, durante a semana, o material é vendido em Russas. Em todos os sábados, ele transporta uma parte da mercadoria numa pequena caminhonete. Considera que as vendas são um pouco baixas. Avalia que são poucos os clientes que compram o estilo de móvel. "Hoje ninguém mais quer saber desse tipo de móvel. As pessoas preferem ir numa loja e comprar um mais bonito, com mais acabamento", lamenta.

Mesmo com esse novo gosto do consumir, ele diz que dá para vender algumas peças. "Já cheguei a vender R$ 350,00 numa manhã", explica.

O que ele fatura com a venda de móveis é parte da renda que ele completa com o gosto pela agricultura. Ele mantém uma pequena criação de ovinos e caprinos em seu sítio, localizado na comunidade de Boa Vista, zona rural de Russas.

Agricultura

Para o pequeno produtor, o trabalho na feira é difícil, mas é um bom local para conhecer novas pessoas. "Eu venho pra cá. Se a venda for boa, tudo bem. Se não for, eu fico conversando com o pessoal que eu conheci por aqui", conclui João Bosco.

A maioria das pessoas que frequenta a feira procura por bons preços e por itens que não vendem em qualquer lugar. "O bom disso aqui é que eu encontro produtos diferentes do que as lojas costumam vender. É algo mais artesanal, mais bonito e mais barato também", afirmou Maria de Fátima, que mora no Centro da cidade e costuma ir à feira aos sábados para ver as novidades.

Além da variedade de produtos e dos bons preços, quem frequenta o local aos sábados pode encontrar também boas histórias, que são contadas ali mesmo nas calçadas, pelos próprios vendedores.

"Eu fiz minha primeira peça de couro em 21 de julho de 1952, no dia do meu primeiro casamento", conta um dos vendedores mais antigos da feira, Antônio Felício da Costa, de 84 anos, e que há 31 vende seu artesanato em couro na calçada do mercado central.

Seu Antônio realiza o ofício a mais de 60 anos, sendo o mais procurado no Baixo do Jaguaribe pela qualidade das peças que fabrica. São arreios para cavalo, chapéus, roupas de couro, sandálias, tudo que ele aprendeu com o tempo e que as novas gerações não têm muito interesse. Fato que o deixa preocupado, podendo comprometer a continuidade desse trabalho para as futuras gerações.

"Não é todo mundo que aprende esse ofício por isso é difícil manter essa tradição, mas o que Deus faz não se acaba", conta seu Antônio.

Ele tem uma pequena oficina em casa onde fabrica suas peças. O artesão vende, principalmente, produtos para cavalos, já que a região mantém a tradição das vaquejadas. "Já fiz muita cela, muito arreio. Já vendi uma roupa completa por R$ 1.500,00", rememora.

Conversas

Pela idade avançada, seu Antônio diminuiu a produção, mas garante que, enquanto tiver saúde, irá continuar trabalhando. Sobre ir à feira, afirma que é uma opção de vida. "O principal é conversar e conhecer pessoas novas. Eu venho pra cá, trago minhas peças e fico conversando. Já conheci muita gente", conta ele, com otimismo.

As feiras dão uma importante contribuição para economia e para as tradições do lugar. Para o estudante de Pedagogia, João Paulo, a feira valoriza o aspecto cultural da cidade, além de ser, para algumas pessoas, sua principal fonte de renda. "Ultimamente, só se vê pessoas comprando em lojas que pertencem a um empresário e que não gera renda razoável para a população. A feira gera renda para algumas pessoas que dela necessitam para o ganha pão", afirma o estudante.

Os consumidores habituais da feira já sabem os dias e horário em que os vendedores estão com suas banquinhas.

Variedade em produtos

Pequenos comerciantes predominam

Antônio Felício da Costa, de 84 anos, é um dos vendedores mais antigos da feira de Limoeiro. Há 31 anos vende seu artesanato em couro na calçada do mercado central.

São arreios para cavalo, chapéus, roupas de couro, sandálias, tudo que ele aprendeu com o tempo e que as novas gerações não têm muito interesse em aprender também.

O agricultor João Bosco, natural de Russas, também vende móveis artesanais há mais de dez anos no local. Diz que as pessoas estão preferindo mais os produtos das lojas.

Já o eletricista Gean Carlos concerta e vende eletroeletrônicos. Foto: Ellen Freitas

Mais informações:

Feira livre de Limoeiro do Norte sempre aos sábados de 7 às 11 horas
Nas Praças da Assunção e Cap. João Ênis, Centro da cidade

ELLEN FREITAS
COLABORADORA