Agricultores colhem primeira safra de flores

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
22 de Maio de 2004 - 03:16
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Foto: Antônio Vicelmo
Crato (Sucursal) — O governador Lúcio Alcântara visitou, ontem, o Projeto Condomínio Santo Antônio, onde está sendo colhida a primeira safra de flores do Município. O projeto representa uma grande virada na vida de 24 famílias, que antes viviam da coleta de pequi e da produção de carvão, que geravam uma renda de cerca de R$ 50,00 mensais. As mãos calosas que antes cultivavam mandioca e retiravam lenha para carvão em cima da serra, são as mesmas que, habilidosamente, entrelaçam flores.

Através do projeto Caminho de Israel, eles conseguiram formar um condomínio e obtiveram financiamento para o plantio de 8.800 metros quadrados, onde foram cultivados tipos de flores como crisântemo de vaso, gladíolo, gypsophila e plantas ornamentais. Como resultado, nesta primeira fase, a projeção é que cada família passe a receber R$ 500,00 por mês. O Governo do Estado ofereceu a infra-estrutura necessária para a execução do projeto, como água, energia e assistência técnica.

A mudança de comportamento ocorreu há 4 anos, quando o professor José Venilson Araújo, falecido este ano, descobriu que o ecossistema da Serra do Araripe era propício para a floricultura. Venilson lançou a idéia e as primeiras sementes de flores. Criou o Projeto Santo Antônio, que tem como coordenador o agricultor Francisco Erasmo Ferreira. Os primeiros dois anos foram de dúvidas e incertezas. “Os associados enterraram sementes de sonhos, esperanças e frustrações”, lembra Erasmo Ferreira, acrescentando que muitos desistiram no meio do caminho.

Os que acreditaram no projeto, segundo ele, “comeram o pão que o diabo amassou”. Sem recursos financeiros, tiveram que dividir o sonho com a realidade. Continuaram trabalhando duro para sustentar a família. Nas horas vagas, prestavam assistência ao projeto. Com dois anos de funcionamento, eles receberam a visita do agrônomo holandês Matth’js Niemeijer, que se apaixonou pela Serra do Araripe e apostou no plantio de flores.

Hoje, Matth`js Niemeijer é um dos condôminos do projeto. Faz questão de dizer que é um serrano e construiu um chalé ao lado condomínio. Para os associados, a presença do holandês foi uma “mão na roda”. O projeto cresceu. Com a primeira colheita, iniciada antes dos dias das mães, os associados receberam os primeiros rendimentos dos quatro anos de sonho.

Cercados de flores, eles não querem nem ouvir falar dos espinhos do passado. O associado Cícero Laurindo da Silva, 40 anos, pai de 10 filhos, diz que agora tem um grande futuro pela frente. Junto com a família, ele cuida de uma das 24 estufas. O ex-plantador de mandioca José João da Silva diz que não come farinha para não se lembrar que existe mandioca. “Sou o floricultor”, diz orgulhoso. O tesoureiro do projeto, Antônio Sebastião dos Santos, lembra que, no começo, relutou. Os amigos diziam que o plantio de flores era uma atividade de mulher. “O importante é que hoje eu estou com dinheiro no bolso”, desabafa.

As flores do Condomínio Santo Antônio estão sendo vendidas nos mercados do Crato e de Juazeiro. O presidente do projeto, Francisco Erasmo, já está pensando em aumentar a área plantada para atender a demanda. Dos 60 hectares comprados, com recursos do Banco do Nordeste, está sendo cultivado menos de um hectare. “Com o tempo, vamos transformar este sítio num imenso jardim”, garante Francisco Erasmo.

Mas nem tudo são flores. Erasmo adverte que o trabalho é árduo. O dinheiro do financiamento tem que ser administrado criteriosamente. “Dos 268 mil reais liberados pelo Banco, resta mais da metade”, diz. Cada um dos condôminos é responsável por uma estufa, área protegida com redes, onde são feitos os plantios. As responsabilidades são divididas com os associados. É um trabalho solidário que exige dedicação. O plantio é feito invariavelmente na quarta-feira para que a produção seja constante. As orientações dos técnicos são obedecidas religiosamente.

Mesmo podendo se desenvolver bem em qualquer tipo de solo, a roseira precisa de cuidados especiais. É preferível plantá-la em terra mais para argilosa, rica em húmus. que tenha boa drenagem. A deficiência da serra está sendo corrigida com esterco de gado. A floricultura gosta de local ensolarado e bem arejado, onde há luz solar direta por 6 a 7 horas para evitar o surgimento de fungos nas folhas e flores. A iluminação solar é complementada com iluminação artificial. Foram instaladas redes de lâmpadas dentro das estufas que permanecem acesas durante a noite. Erasmo diz que, ao todo, são 14 horas de iluminação.

Segundo os produtores , não há restrição quanto ao período de plantio feito com mudas “envasadas” (geralmente, vendidas em sacos plásticos), mas, sempre que possível, deve-se evitar os meses mais quentes. Para as mudas de “raiz nua”, o período mais indicado vai da segunda metade do outono à primeira metade da primavera.

Eles recomendam que logo após o plantio das mudas e até a primeira floração, a roseira deve ser regada moderadamente, mas todos os dias. Depois disso, uma vez por semana no inverno e duas vezes em época de seca.

Os produtores de flores recomendam que uma semana antes do plantio das mudas de roseira devem-se preparar os canteiros. Cavar bem a terra até cerca de 40 centímetros de profundidade. Para cada metro quadrado, deve-se incorporar uma mistura de 15 quilos de esterco curtido de gado e 200 gramas de farinha de ossos. O espaçamento vai depender de cada tipo ou variedade de rosa.