A reeleição do presidente Lula (PT), nesse domingo (25), deve fortalecer também lideranças políticas cearenses em Brasília, que ocuparam postos-chave da campanha do candidato petista, principalmente durante o 2º turno da disputa presidencial.
Cientistas políticas ouvidas pelo PontoPoder são unânimes quanto a o cearense que ganha mais projeção com a vitória de Lula: o senador e ex-ministro da Educação, Camilo Santana (PT). Ele, que já teve destaque durante o terceiro mandato de Lula, deve continuar a ter grande peso político em Brasília.
Contudo, ele não é a única liderança cearense que sai fortalecida. Figuras como José Guimarães (PT), ministro de Relações Institucionais, também devem ter destaque durante o quarto mandato de Lula, além do governador Elmano de Freitas (PT), reeleito no 1º turno no Ceará.
Com um Congresso Nacional mais bolsonarista, parlamentares eleitos também devem ganhar força a partir de 2027, como os senadores Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede), além da nova bancada de deputados federais do PT, que conta com três estreantes na Câmara dos Deputados: Fernando Santana (PT), Raimundo Martins (PT) e Luísa Cela (PT).
'Papel de destaque' para Camilo Santana
A cientista política Mariana Dionísio pontua que Camilo Santana "combina capital eleitoral com proximidade pessoal com Lula". Doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e professora da Universidade de Fortaleza, ela considera que Camilo é o cearense "quem mais se fortalece em Brasília".
O cenário para o quarto mandato de Lula confirma uma posição ocupada por Camilo desde 2023, quando assumiu o Ministério da Educação, uma das pastas mais importantes do governo federal e que "teve avanços consideráveis" durante o terceiro mandato do presidente, afirma a cientista política Cleris Albuquerque.
A convergência é de que esse papel de destaque de Camilo no Governo Lula deve seguir nos próximos quatro anos e ele deve ganhar ainda mais força.
Dois motivos ajudam a explicar esse peso político do cearense. O primeiro deles é o resultado da disputa pelo Governo do Ceará, que mesmo em uma disputa acirrada com Ciro Gomes (PSDB) — que chegou a ter mais de 10 pontos de vantagens em pesquisas eleitorais —, Elmano de Freitas saiu vencedor.
"(Camilo Santana) foi peça fundamental na vitória de Elmano sobre Ciro Gomes já no primeiro turno. Como esse resultado foi bastante apertado, o peso da atuação de Camilo ficou ainda mais acentuada", explica Dionísio.
Albuquerque concorda. "Camilo ratificou sua força política na campanha para governador. (...) Não por acaso, na disputa do segundo turno das eleições presidenciais está na coordenação-geral da campanha de Lula", diz.
Camilo Santana assumiu a coordenação da campanha de 2º turno de Lula logo nos primeiros dias após o resultado do 1º turno, que terminou com a vitória de Flávio Bolsonaro (PL). O senador cearense participou dos principais atos de Lula durante a fase final da campanha, além de ter acompanhado o presidente em debates e entrevistas.
Presença na Esplanada dos Ministérios
Por isso, a projeção é de que o Ceará esteja, mais uma vez, presente na Esplanada dos Ministérios do Governo Lula para o quarto mandato. Mariana Dionísio e Cleris Albuquerque apontam que Camilo Santana deve assumir um ministério em 2027, mas pode não ser o único.
O deputado federal José Guimarães, hoje ministro na Secretaria de Relações Institucionais, também deve ser realocado no governo federal, após não concorrer à reeleição à Câmara dos Deputados e sair da disputa pelo Senado Federal.
Mariana Dionísio aponta ainda que, na articulação política de Lula desde abril, "foi elogiado pelos presidentes da Câmara e do Senado". E, com um cenário difícil projetado para o Congresso Nacional a partir do próximo ano, ele pode ser importante para garantir governabilidade para Lula.
"Ele tende a ser mantido ou realocado em um posto de peso", completa. Por isso, para Cleris Albuquerque, Guimarães é mais um cearense que pode sair fortalecido da vitória de Lula. Além dos mandatos como deputado federal e do atual cargo no governo federal, ela cita o fato dele ser um "aliado antigo" de Lula.
Junto com ele, também se fortalece Elmano de Freitas, na avaliação de Dionísio. "Guimarães foi responsável pela articulação política com Câmara e Senado, além de Elmano de Freitas, que deve ser um dos governadores nordestinos de maior peso na interlocução com o governo federal", considera.
Atuação no Congresso Nacional
A vitória pelo quarto mandato no Palácio do Planalto vem acompanhada de um desafio para Lula: a composição do Congresso Nacional deve ser dominada por partidos mais à direita. O PL fez a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 deputados federais, e terá um terço do total de cadeiras do Senado, com 28 parlamentares.
Por isso, pontuam as cientistas políticas ouvidas pelo PontoPoder, parlamentares cearenses devem ganhar força em Brasília para ajudar na articulação política do Governo Lula. Os primeiros nomes citados são de Cid Gomes, reeleito para o Senado, e Luizianne Lins, estreante na Casa Alta. "Enquanto Cid usa de sua influência para apoiar Lula no segundo turno, Luizianne, apesar de ter migrado de partido, é um nome conhecido do eleitorado e que construiu sua trajetória política dentro do PT", detalha Cleris Albuquerque.
Mariana Dionísio concorda. "Cid Gomes, que é o primeiro senador cearense a se reeleger em mais de 50 anos, tende a ter muito protagonismo caso Lula venha a se reeleger, porque, com uma bancada de 28 senadores do PL a partir de fevereiro, o presidente precisará de negociadores experientes no Senado, e Cid cumpre esse papel".
Para ela, Luizianne tem “um ganho mais simbólico e de visibilidade", mas pondera que o "histórico de atritos com o grupo de Camilo", pode dificultar a atuação da senadora eleita.
Na Câmara dos Deputados, a bancada petista pode ganhar peso, acrescenta Dionísio. Foram eleitos Fernando Santana, Raimundo Martins e Luísa Cela. "O peso deles vem da votação, de redes familiares e partidárias, do alinhamento à chapa de Elmano e do apoio de Guimarães e Camilo, não propriamente de um apoio à ideologia partidária".
"Yury do Paredão e Domingos Neto ficaram entre os cinco mais votados e também podem ser úteis a um governo Lula como parte do centro na Câmara", acrescenta. Contudo, a falta de uma atuação mais central destes parlamentares durante a campanha do 2º turno pode acabar limitando o destaque deles no Governo Lula.
Cleris Albuquerque aponta ainda Tainah Marinho, deputado federal eleita com a maior votação de uma mulher no Nordeste. "Acredito que Tainah Marinho possa ser um nome de destaque, considerando não apenas sua votação expressiva e o apoio a Lula, mas também, o fato que na próxima legislatura teremos a maior bancada feminina na Câmara", projeta.