Relembre trajetória política de Luizianne Lins, eleita senadora no Ceará

Ela concorre ao Senado Federal pelo partido Rede Sustentabilidade nas eleições de 2026.

Escrito por Luana Barros luana.barros@svm.com.br
04 de Outubro de 2026 - 21:29 (Atualizado às 21:30)
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Legenda: Luizianne Lins concorreu ao Senado Federal pela Rede Sustentabilidade.
Foto: Ismael Soares.

Com três mandatos como deputada federal, Luizianne Lins (Rede) concorreu, pela primeira vez, a uma cadeira no Senado Federal, sendo a única mulher nessa disputa em 2026. Antes de chegar a essa eleição, ela exerceu diversos cargos tanto no Executivo como no Legislativo.  

Luizianne iniciou a vida pública em 1996, quando se candidatou para a Câmara Municipal de Fortaleza e foi eleita como a mais votada do Partido dos Trabalhadores naquele ano. Quatro anos depois, foi reeleita para o cargo. 

Em 2002, foi a mulher mais votada para a Assembleia Legislativa do Ceará, com mas de 60 mil votos, iniciando o mandato como deputada estadual no ano seguinte. Contudo, ela só passaria dois anos exercendo o cargo. 

Após uma disputa interna no PT, Luizianne Lins foi escolhida como candidata a Prefeitura de Fortaleza para as eleições de 2004. Ela se tornou a segunda mulher eleita prefeita da capital cearense, ganhando com 56,21% no segundo turno. Em 2008, ela foi reeleita para o cargo ainda no primeiro turno, com 50,16% dos votos. 

Dois anos depois de deixar a Prefeitura de Fortaleza, ela se candidatou à Câmara dos Deputados e foi uma das dez candidatas mais votadas daquele ano no Ceará, com mais de 130 mil votos. 

Nas duas eleições seguintes, em 2018 e 2022, renovou o mandato de deputada federal, sempre figurando entre as dez mais bem votadas do estado para a Câmara dos Deputados. 

Luizianne Lins também voltou a disputar a Prefeitura de Fortaleza, mas sem sucesso. Em 2012, indicou Elmano de Freitas (PT) para concorrer a sucessão em 2012, mas ele acabou sendo derrotado por Roberto Cláudio (União). 

Ela então voltou a ser a candidata a prefeita de Fortaleza pelo PT nas eleições de 2016 e 2020. Contudo, nas duas ocasiões acabou ficando na terceira colocação e não chegou a ir para o 2º turno. Em 2024, perdeu a disputa interna do PT pela candidatura e quem concorreu ao cargo foi Evandro Leitão (PT). 

Saída do PT

As discordâncias de Luizianne Lins com lideranças do PT, como o senador Camilo Santana (PT), fizeram com que a possibilidade de saída dela do partido fosse ventilada em muitas ocasiões distintas. 

Contudo, a concretização dessa possibilidade ocorreu apenas em 2026, quando a deputada federal tomou "a maior escolha política" da vida dela, segundo a própria Luizianne Lins. Em abril, ela entrou a carta de desfiliação ao PT após 37 anos de militância na sigla. 

Ela deixou o partido e se filiou ao Rede Sustentabilidade. A decisão, segundo Luizianne Lins, foi "muito dolorosa". "Foi muito difícil, muito dolorosa. Passei três anos numa situação de reflexão sobre tudo isso", disse.

"Digo que foram três decisões que me marcaram profundamente, e três decisões muito difíceis. Então eu coloco essa como uma das três. (...) Além dos cargos públicos, digamos assim, eu posso dizer que o partido para mim sempre foi uma vivência coletiva e uma vivência coletiva muito forte. Foi uma escola política", disse Luizianne Lins.

A chegada ao novo partido ocorreu poucos meses depois do Campo da Esquerda, uma corrente do PT, lançá-la como pré-candidata ao Senado, ainda em 2025. Apesar disso, na época ela disse que não chegava ao Rede como pré-candidata a senadora.

Apesar disso, lideranças tanto do PT como da Rede Sustentabilidade e do Psol, partido federado à Rede, passaram a defender o nome dela como possibilidade ao Senado.

Em entrevista ao PontoPoder, ela chegou a falar sobre a vontade de concorrer ao cargo na chapa de Elmano. "Eu gostaria muito se fosse a candidata da chapa do governo", disse durante entrevista à Live PontoPoder em maio.

Confirmação de Luizianne na chapa governista

O nome de Luizianne Lins começou a ganhar força em maio para a disputa ao Senado, mas existia resistência. As divergências com Camilo Santana, com quem ela passou a estabelecer diálogo, era apontado por muitos aliados governistas como um dos pontos de tensão.

O número de partidos que integram a aliança de Elmano de Freitas era outro problema, já que existiam diversos nomes colocados como pré-candidatos ao Senado Federal.

Entre os pontos que contavam a favor de Luizianne Lins, estava a força eleitoral em Fortaleza — cidade em que Elmano perdeu na eleição de 2022 —, a representatividade feminina e também o desempenho em pesquisas eleitorais durante a pré-campanha. 

No final de julho, ela acabou sendo confirmada como candidata a senadora pela federação formada por Rede e Psol, após uma disputa interna definida por poucos votos, mas seguiu no aguardo das definições da chapa governista.

A convenção de Elmano de Freitas, inclusive, ocorreu sem a definição de quem ficaria na segunda vaga ao Senado Federal. O evento contou com a presença de Cid Gomes, primeiro candidato ao Senado anunciado na chapa governista.

Na ocasião, ele fez um aceno a apoiadores de Luizianne presentes no local, que estava com máscaras da deputada federal. 

“É uma honra estar ao lado do presidente Lula, do governador Elmano, da Gabriella (Aguiar) e, daqui a pouco, junto com mais um candidato ou uma candidata ao Senado, que ninguém sabe ainda”, disse. Cid era apontado, nos bastidores, como um dos defensores da presença de Luizianne na chapa. 

A indefinição sobre a segunda vaga, no entanto, continuou enquanto a federação União Progressista era disputada judicialmente pela oposição e pela situação. A chapa liderada por Ciro Gomes acabou vencendo e a federação seguiu apoiando a candidatura tucana, inclusive lançando candidaturas para a chapa. 

A confirmação de Luizianne como candidata ao Senado na chapa de Elmano veio no início de agosto, após uma negociação que envolveu inclusive o presidente Lula (PT). 

“Quando ele viu a movimentação, estava havendo uma movimentação e que eu não seria candidata, ele fala com (José) Guimarães, eu também tenho que reconhecer que o ministro Guimarães foi importante também nesse processo, então a gente conversa e o presidente Lula disse que o Guimarães viesse aqui para colocar o meu nome, porque ele mesmo fala isso, não existia nenhum nome que pudesse, digamos assim, ser forte, pelas palavras do Lula, ser forte ou ser melhor adequado para esse momento e para esse espaço do que o meu nome”, disse ela durante a Sabatina PontoPoder. 

Propostas para o Senado

Ao falar sobre os posicionamentos que pretender ter no Senado Federal, Luizianne Lins defendeu uma "reforma do Judiciário" e disse que essa seria justamente uma prerrogativa dos senadores. Para ela, o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa de "controle social".

"Não existe uma eleição direta como existe do Legislativo e do Executivo. Então, eu acho que todo Poder precisa, inclusive nós já defendemos de muito tempo. (...) Se é o Senado que tem essa prerrogativa, eu acho que deve ser considerado, que isso daí é uma das atribuições, dentre tantas outras atribuições do senador", disse durante a Sabatina PontoPoder.

Contudo, ela criticou o desejo de que mecanismos como o impechament de ministros do Supremo sejam utilizados por motivos políticos. "Sou contrária a essa visão, inclusive que os ditos bolsonaristas vêm fazendo, que é ter maioria no Senado, de procurar o Senado para ter controle sobre o Judiciário", afirmou.

Entre os temas que ela destacou durante a campanha a senadora, estiveram a busca por igualdade de gênero e o combate à violência contra a mulher. Ela citou a intenção de apresentar um projeto chamado "Crédito Lilás". A ideia, segundo ela, é garantir uma linha de crédito desburocratizada para mulheres empreendoras. 

A candidata também reforçou a intenção de participar das discussões sobre segurança pública, principalmente devido ao tema ser um dos destaques no Senado Federal, em que a chamada PEC da Segurança aguarda para ser analisada pelos parlamentares. "Quero, como senadora, ter a oportunidade de construir uma grande política nacional de segurança pública que consiga dar uma resposta complexa e ao mesmo tempo eficaz", disse durante debate do g1 Ceará. 

Luizianne Lins disse ainda ser favorável a proibição das bets, medida adotada pelo Governo Lula (PT) poucos dias antes do 1º turno da eleição, e contra a redução da maioridade penal.

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