O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao Governo do Ceará, agradeceu ao apoio do PL Ceará, homologado na convenção do partido nesta quarta-feira (22). O tucano afirmou que a aliança é um "exemplo para o Brasil" de como "diminuir a radicalização" e "colocar as diferenças de lado" em prol de "ajudar o povo a superar os problemas".
O apoio do PL Ceará a Ciro, anunciado em maio e confirmado agora, tem gerado crises nacionais para o PL, envolvendo inclusive figuras da família Bolsonaro, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro.
O impasse foi inflamado novamente nesta semana quando,no último sábado (18), Ciro Gomes citou Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) como possibilidades de voto para presidente, após a desistência do deputado federal Aécio Neves (PSDB) de se candidatar ao cargo.
A falta de menção a Flávio resultou em novas críticas de Michelle, que chamou a direita do Ceará de "vendida". "Choca? Não! Só não viu quem não quis, por causa do velho 'toma lá, dá cá'. Eu alertei que esse senhor, cujo partido contribuiu para deixar o meu marido inelegível, não daria o seu apoio. Ainda assim, queria os votos dos bolsonaristas. Infelizmente, a direita do Ceará está vendida", disse.
No vídeo publicado no Instagram, Ciro não cita diretamente o embate no PL envolvendo o cenário cearense, mas pontuou as "diferenças" existentes entre ele e o partido, "motivadas pelas nossas convicções, pelos nossos princípios", mas fez questão de reforçar à união em torno das questões locais.
"O Governo do Estado abandonou o nosso povo. Só isso, só o tamanho desse problema, a cara grave desse problema já pede que nós sejamos capazes, como o PL está demonstrando de forma exemplar, de colocar de lado as nossas diferenças, todas elas motivadas pelas nossas convicções, pelos nossos princípios, para procurar, em homenagem ao povo sofrido do Ceará".
"Por todas essas razões, nós temos todos o dever de lutar juntos", segue o pré-candidato. "Nós estamos talvez dando aqui do Ceará um exemplo para o Brasil, de diminuir essa radicalização política, de diminuir essa confrontação ideológica para trabalharmos juntos".
'Eu aprendi a admirar'
Ciro Gomes agradeceu a "todos os filiados" do PL Ceará pela decisão de apoiar a candidatura dele ao Palácio da Abolição, mas destacou dois nomes no agradecimento: André Fernandes, deputado federal e presidente estadual do partido, e Alcides Fernandes, deputado estadual e pré-candidato ao Senado.
Alcides Fernandes foi confirmado na chapa majoritária encabeçada por Ciro. O ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União) devem completar a composição, sendo pré-candidatos ao Senado e à vice-governadoria, respectivamente.
Referindo-se a ele como "futuro senador", Ciro elogiou Alcides Fernandes. "Alcides Fernandes é dessas pessoas que quando você conhece de perto, se apaixona. E eu não estou exagerando. Eu aprendi a admirar, querer bem, cada dia que passei ao lado desse homem de uma simplicidade, mas de uma grandeza extraordinária na sua fé cristã, no seu testemunho de vida", disse.
A candidatura ao Senado Federal também esteve envolvida na crise do PL. Enquanto André Fernandes, com apoio de Flávio Bolsonaro, defendia Alcides como "candidato único" do partido para a cadeira de senador, Michelle Bolsonaro apoiava a deputada federal Priscila Costa para a cadeira.
Na convenção do PL Ceará, no entanto, Priscila foi confirmada como candidata à reeleição para a Câmara dos Deputados, enquanto Alcides foi confirmado para a candidatura ao Senado.