Capitão Wagner (União), presidente da federação União Progressista, recebeu com "surpresa" a ação judicial que pede a anulação da convenção estadual da composição, que havia definido apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará. O dirigente alega que havia um “acordo” para a pauta não ser judicializada.
As declarações foram dadas por Capitão Wagner logo após o café da oposição da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), realizado na manhã desta terça-feira (28), no gabinete do deputado estadual Cláudio Pinho (PSDB).
Em entrevista coletiva, o presidente da federação criticou a ação dos diretórios estaduais do União Brasil e do PP, comandados pelos deputados federais Moses Rodrigues e AJ Albuquerque, respectivamente. Os parlamentares governistas pedem a "nulidade da deliberação da Convenção Estadual União Progressista".
“A gente ficou surpreso, ficou. A federação nacionalmente ficou surpreso, ficou, por quê? Nós tínhamos um acordo de respeitar a decisão deles, mas de evitar qualquer judicialização. Eu acho que a judicialização mais nos ajudou do que nos atrapalhou, porque lá em cima viram que a gente cumpriu o que foi compromisso nosso”
Questionado sobre os possíveis desdobramentos da judicialização, Capitão Wagner defendeu que a “reviravolta é impossível”. “O estatuto da federação é muito claro. Ele diz que quando há convergência dos partidos, quem toma a decisão é a federação do estado do Ceará. E houve essa convergência, não houve atrito entre PP e União Brasil. Então a decisão cabe à federação, e nós tomamos a nossa decisão”, alegou o dirigente do arranjo partidário.
Capitão aponta, ainda, que houve um contato com a direção nacional da Federação, que deve lançar um posicionamento oficial em respaldo à decisão da oposição “muito em breve”.
“A gente vê como precipitada a ação judicial, ela foi tão exacerbada que ela nem esperou a divulgação do edital da candidatura do Ciro, antes de publicar o edital eles já estavam pedindo a impugnação do Ciro”, pontuou Wagner.
Os presidentes estaduais do União Brasil, Moses Rodrigues, e do Progressistas, AJ Albuquerque, ainda não se pronunciaram sobre o episódio.
Impasse vai parar na Justiça
Individualmente, PP e União Brasil decidiram pelo apoio à pré-candidatura do governador Elmano de Freitas (PT), inclusive com a possibilidade de indicação para a vice-governador ou senador na chapa governista registrada na ata da convenção partidária das siglas.
Contudo, a convenção estadual da União Progressista confirmou o apoio a Ciro Gomes. Poucos minutos depois do fim do evento, a coligação apresentou o pedido de registro de candidatura de Ciro, tendo Roberto Cláudio como vice.
Agora, tanto o diretório estadual do União Brasil como o do PP pedem a "nulidade da deliberação da Convenção Estadual União Progressista".
A ação, apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), também pede que sejam reconhecidas as "deliberações adotadas pelas convenções estaduais do União Brasil e do Progressistas, regularmente encaminhadas à federação" e que, segundo a defesa, "não poderia ser desconsideradas ou esvaziadas sem fundamento legal ou estatutário específico".
Logo após a convenção do domingo, Moses Rodrigues falou que a decisão da Federação poderia não estar 100% fechada. "Se tiver algum problema nessa discordância, nessa divergência, onde houve convergência com o União Brasil e o PP de apoiar o Elmano e isso sair da esfera estadual e for para a esfera nacional, aí a decisão poderá ser lá em cima", acrescentou.