A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quarta (29), que ele não autorizou o uso de imagem e voz para produção de vídeo com inteligência artificial que foi exibido na convenção que oficializou Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato à Presidência.
Segundo o documento apresentado pelos advogados, o ex-presidente está impossibilitado de dar qualquer autorização do tipo por conta das medidas de restrição de contato às quais está submetido.
O posicionamento da defesa veio justamente após o ministro Alexandre de Moraes pedir esclarecimentos sobre a participação ou não de Bolsonaro no vídeo. Caso positivo, ele teria descumprido medidas cautelares e poderia ser punido por isso.
O vídeo feito por IA foi inicialmente exibido no último sábado (25) na convenção do Partido Liberal. “Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial. Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária, baseada em algo que eu nunca fiz”, diz a imagem que simula o ex-presidente.
Os advogados lembraram que Flávio está, inclusive, proibido de visitá-lo até o dia 11 de outubro. A proibição foi estabelecida no início de julho após o então pré-candidato ter lido suposta carta escrita pelo pai em live — o que já desrespeitou a medida cautelar que proíbe o ex-presidente de usar redes sociais, seja por acesso direto ou por ajuda de terceiros.
No documento, a defesa destaca, ainda, que Bolsonaro tem a imagem pública utilizada pelos filhos em eventos político-partidários costumeiramente, “prática notória, contínua e jamais objeto de qualquer oposição por parte do titular desse direito”.