Das paisagens de Quixadá ao elenco infantil, veja 5 motivos para ver ‘Feito Pipa’ no cinema
Filme cearense que representa o Brasil no Oscar e tem direção de Allan Deberton estreia nesta quinta (5).
A emocionante história de conexão entre uma avó e um neto, as belezas naturais de Quixadá e o elenco — indo do estreante Yuri Gomes aos veteranos Teca Pereira e Lázaro Ramos — estão entre os motivos para ver o filme cearense “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton e com roteiro de André Araújo.
Gravado no município do interior do Ceará e premiado em festivais no Brasil e no mundo, o longa representa o Brasil na busca por uma indicação ao Oscar em 2027. A trama acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino criativo de 12 anos que tem na avó Dilma (Teca Pereira) o principal eixo familiar, mas enfrenta uma relação difícil com o pai (Lázaro Ramos).
A estreia oficial está marcada para o próximo dia 5, mas a produção já tem diversas sessões de pré-estreia confirmadas ao longo desta semana em Fortaleza. A coluna separou algumas das razões para você conferir a obra.
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Paisagens de Quixadá
Ao longo da carreira como cineasta, Allan Deberton visitou diferentes paisagens do Ceará. Nascido em Russas, ele estreou em longas com “Pacarrete”, filmado na cidade natal e contando uma história de lá.
Já na comédia romântica musical “O Melhor Amigo”, Canoa Quebrada foi a locação majoritária. Com “Feito Pipa”, a câmera do cineasta se volta para Quixadá.
O filme apresenta, por exemplo, as formações rochosas características do município do Sertão Central ao público, além de espaços de sociabilidade e circulação da cidade. Essas paisagens ganharam o mundo primeiro em Berlim, de onde “Feito Pipa” saiu multipremiado, e podem chegar ao Oscar.
Elenco infantil
"Feito Pipa" é centralizado no ponto de vista de Gugu, interpretado pelo ator Yuri Gomes, 12 anos, de Salvador. A obra marca a estreia do artista no cinema, e já num papel de protagonista.
Yuri constrói um personagem carismático e natural, habilidoso do futebol à dança e que exala liberdade em meio aos desafios do bullying na escola, da relação difícil com o pai e do início de uma doença da avó.
Além do destaque claro ao ator, vale ressaltar, também, a participação das outras crianças do elenco. Melhores amigos de Gugu, o religioso Enzo e a companheira Kelly são interpretados por Luan Vasconcelos e Beatriz Carwile.
Uma sequência de briga na escola abre espaço para o restante do elenco infantil também brilhar. Em cena, nomes como Nathyel Martins, Manuela Paulino, Pablo Vinícios, Enzo Uejo, Antonella Uejo e Valentia Uejo.
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Teca Pereira e Lázaro Ramos
O protagonismo de “Feito Pipa” é de Gugu, mas a presença da avó Dilma, em interpretação de Teca Pereira, e do pai Batista, vivido por Lázaro Ramos, é central para o filme.
Teca é o grande destaque da obra, construindo uma personagem que ecoa a Pacarrete do longa de estreia de Allan, vivida por Marcélia Cartaxo: um espírito livre que não segue convenções esperadas naquele contexto.
A construção da trajetória dessa mulher é acrescida de traumas passados, uma vida romântica e afetiva ativa e o início de processo de uma doença. Há humor, emoção, fortaleza e vulnerabilidade nas cenas da atriz.
Completando o trio principal, vem o Batista de Lázaro Ramos, pai de Gugu que construiu outra família. Para o menino, ele é ausente e sem traquejo. Com a nova esposa e a outra filha, é amoroso e atento. O texto e a composição do personagem evitam maniqueísmos, fazendo dele uma figura complexa.
Relação avó e neto
Destaques de “Feito Pipa”, Yuri Gomes e Teca Pereira constroem uma relação entre neto e avó que dá o tom do filme. A história central aqui, de fato, é a que conta o afeto entre os dois.
Na sequência inicial, Gugu surge dançando em casa, com pedras de enfeite coladas no rosto, uma capa em tecido brilhoso e trajando roupas coloridas de futebol. A extravagância e a liberdade do menino são logo vistas também em Dilma.
Ela mesma usa enfeites parecidos, lantejoulas e pede ajuda do neto para escolher a cor do esmalte. Respeito, acolhimento e leveza dão guiam as conversas e momentos divididos entre eles.
Os carinhos, risadas e abraços ganham camadas à medida que a doença que acomete a avó se desenvolve e o menino passa a ter que encarar uma nova realidade se aproximando.
Da primeira cena dividida entre os dois à emocionante sequência final, “Feito Pipa” evidencia o elo entre Gugu e Dilma.
Paralelos com “Pacarrete”
As semelhanças de “Feito Pipa” com “Pacarrete” não param no eco entre Dilma e a personagem-título do filme de estreia do diretor. Ambos têm o roteirista André Araújo na equipe.
No 1º longa de Allan, ele dividiu os créditos com o próprio cineasta e também Natália Maia (responsável pelo roteiro da futura adaptação cinematográfica de “A Cabeça do Santo”) e Samuel Brasileiro. Já no novo, André assina o roteiro com Camila Agustini.
Por conta disso, os dois longas também guardam paralelos também narrativos e estéticos. Determinadas escolhas também se irmanam, como as formas que os dois filmes optam por concluir as narrativas, em sequências que misturam dança e sonho.
Veja o trailer de 'Feito Pipa':