Transnordestina chega a Quixeramobim nesta sexta (14); veja os próximos passos

Locomotiva terá viagem estendida até o município do Sertão Central em viagem 'simbólica' nesta sexta-feira (14).

Escrito por Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
14 de Agosto de 2026 - 06:00
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Legenda: Transnordestina chega oficialmente a Quixeramobim; operações comerciais devem iniciar ainda neste ano.
Foto: Thiago Gadelha.

A primeira locomotiva da Transnordestina chega a Quixeramobim, no Sertão Central, nesta sexta-feira (14). A viagem é simbólica e antecede a operação-teste prevista para outubro.

Não haverá transporte de carga porque o trecho ainda não tem licença de operação. O percurso ocorre em alusão aos 237 anos do município, comemorados neste dia.

Para que a ferrovia opere comercialmente até Quixeramobim, ainda são necessárias a licença de operação do Ibama e a autorização de abertura de tráfego da ANTT.

A ferrovia opera desde dezembro de 2025 em fase de testes entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu (CE).

A previsão para este ano é a entrega de mais 120 km de trilhos, com a totalidade dos lotes 6 (Quixeramobim-Quixadá) e 7 (Quixadá-Itapiúna) e parte do 11 (Caucaia-Porto do Pecém).

Operação-teste em Quixeramobim

A previsão de outubro é do CEO da Value Global Group, Ricardo Azevedo, responsável pelo Porto Seco do Sertão Central. A TLSA, concessionária da ferrovia, não informou prazo.

Hoje, as licenças em vigor autorizam o transporte comercial em 679 quilômetros, de São Miguel do Fidalgo (PI) a Acopiara (CE). 

ANTT vistoria os lotes 4 e 5 ainda será feita em agosto

A TLSA comunicou à ANTT no início de julho a conclusão de cerca de 100 km da ferrovia, correspondentes aos lotes 4 (Acopiara-Piquet Carneiro) e 5 (Piquet Carneiro-Quixeramobim).

"Será realizada inspeção para verificação da conclusão destes trechos ainda no mês de agosto para verificar as condições operacionais e de segurança. Caso a via férrea esteja apta ao tráfego, a solicitação é levada para deliberação pela Diretoria da Agência e emissão da autorização formal", informa.

Só depois disso a concessionária pode pedir formalmente a autorização de tráfego, o que deve ocorrer, conforme a ANTT, "possivelmente ainda no segundo semestre de 2026".

Pedido no Ibama está parado por falta de documentação, diz órgão

O Ibama afirma que a TLSA apresentou pedido de licença de operação para mais 136,9 km no Ceará, dos lotes 4 ao 6, incluindo o trecho entre Quixeramobim e Quixadá, ainda em construção.

"A empresa, no entanto, ainda não apresentou a documentação técnica necessária à avaliação. O processo permanece, portanto, pendente dessa documentação para que o Ibama possa iniciar a análise do pedido", completa.

Conforme o órgão, novos trechos só serão liberados após a TLSA comprovar a conclusão das obras e o cumprimento das condicionantes ambientais previstas na licença de instalação.

Porto seco prepara terminal para a operação-teste

A chegada dos trilhos antecede o Porto Seco do Sertão Central, primeiro equipamento do tipo no interior do Estado. A preparação do terminal inclui instalação de infraestrutura de energia e seleção de mão de obra.

"Já encomendamos os primeiros silos para grãos, mas a operação-teste, ainda temporária, será na linha principal da ferrovia, em paralelo às obras de infraestrutura e, depois, às edificações", afirma Azevedo.

O projeto prevê um complexo industrial e portuário em três fases, com pelo menos 2,7 mil empregos gerados:

  • Fase 1: de outubro de 2026, com a operação-teste, a julho de 2027, com o término da linha desviada, o desvio ferroviário que levará as cargas ao complexo. Serão 300 empregos na obra e 130 na operação, entre diretos e indiretos;
  • Fase 2: de julho de 2027, com a operação da linha desviada, a outubro de 2028, com os silos de grãos para exportação. Ao todo, 1 mil empregos diretos e indiretos;
  • Fase 3: de outubro de 2028 a dezembro de 2029, com a construção de tanques de combustíveis, heliponto, hotel e prédio administrativo. A expectativa é de 1,3 mil postos de trabalho.

A área alfandegada, que constituirá oficialmente o porto seco, está prevista para a fase 2. Azevedo diz que a empresa contratou assessoria externa para o processo e deve dar entrada no próximo ano.

Em paralelo, a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Quixeramobim, com investimento de R$ 20 milhões, deve ter as obras iniciadas até o fim do ano.

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