DN Business: Ceará tem energia para atrair data centers, mas falta ao Brasil desenvolver a indústria

Evento reuniu alguns dos maiores especialistas do Brasil para debate econômicos.

11 de Agosto de 2026 - 06:00
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Legenda: DN Business promoveu debate econômico entre alguns dos maiores especialistas do setor no Brasil.
Foto: Thiago Gadelha.

A forte geração de energia no Ceará pode posicionar o Estado entre os principais players do mercado de data centers. É preciso, entretanto, desenvolver a indústria para que as vantagens não sejam desperdiçadas.

Essa é a avaliação dos economistas presentes na 1ª edição do DN Business, realizada nesta segunda-feira (10), em Fortaleza. O evento reuniu grandes especialistas da área para um debate de alto nível.

Como o segmento precisa de energia limpa em alta escala, o Brasil se torna um dos melhores candidatos para instalação dos equipamentos, apontou O superintendente de Pesquisa Macroeconômica do Itaú Unibanco e um dos palestrantes, Fernando Gonçalves.

Primeira edição do DN Business trouxe debates econômicos importantes para público seleto em Fortaleza.
Legenda: Primeira edição do DN Business trouxe debates econômicos importantes para público seleto em Fortaleza.
Foto: Thiago Gadelha.

Ele alertou, contudo, para o risco de o País se tornar um mero provedor no segmento. "O nosso risco é virar um fornecedor de commodities de inteligência artificial, ficar no nível baixo, não desenvolver a indústria e ficar muito mais próximo das vantagens naturais, do que das vantagens que podem ser construídas em cima das vantagens naturais", aponta.

O especialista ressaltou que a consolidação bem feita de um marco regulatório é fundamental para destravar investimentos. Uma das maiores vantagens do Brasil, e em especial do Ceará, é a oferta de fontes renováveis. 

O economista-chefe da XP Investimentos e palestrante no evento, Caio Megale, acrescentou que o surgimento de uma nova indústria nesse porte é uma oportunidade de reposicionamento dos players da tecnologia.

"É uma nova tecnologia. É o momento de quem ficou lá para trás na tecnologia anterior ficar mais para frente. Na época do 3G, 4G E 5G, cada vez que vinha um diferente, mudavam as empresas", exemplificou.

O economista lembrou que a estruturação do segmento de data centers no Brasil deve ocorrer de forma rápida, com liberdade para o setor. "Temos a vantagem do Brasil no início da cadeia; resta saber como vamos aproveitar essa oportunidade. É preciso criar um ambiente de negócio, marcos regulatórios e deixar o negócio florescer", listou.

CURTAILMENTE É DESAFIO NO SETOR DE ENERGIA

Ana Paula Vescovi é uma das palestrantes da 1ª edição do DN Business.
Legenda: Ana Paula Vescovi é uma das palestrantes da 1ª edição do DN Business.
Foto: Thiago Gadelha.

Um dos desafios do segmento de energia renovável brasileiro é a imposição de cortes de geração pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), também chamado de curtailment. O cenário gera prejuízos às empresas e causa instabilidade para novos investimentos.

O tema foi discutido pela ex-secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi, durante o DN Business. Na visão da economista, não há uma solução a curto prazo para o setor. 

"O setor de energia diz tudo: o usuário está pagando 30% a 40% mais alto porque temos setores muito influentes que não querem perder os subsídios. Se a gente olha a energia renovável e toda a capacidade de geração distribuída, é um negócio espetacular", comenta. 

Ana Paula Vescovi defende uma reestruturação da cadeia seguindo alguns passos: descruzar os subsídios, tornar a precificação mais clara e fortalecer o marco regulatório. 

DN Business debate desafios e caminhos da economia e abre lista de espera para a 2ª edição 

A primeira edição do DN Business reuniu quatro economistas de referência do País para debater a economia brasileira, com recortes para o Nordeste e para o Ceará.

Diante de um grupo seleto de 250 participantes, apresentaram suas análises o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale; o superintendente de Pesquisa Macroeconômica do Itaú Unibanco, Fernando M. Gonçalves; e o economista, professor e escritor Eduardo Giannetti, além da ex-secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi.

Entre os temas estiveram o ajuste das contas públicas, a reforma tributária, o ambiente de investimentos, a dinâmica do petróleo e os juros, discutidos pelos desafios e pelas oportunidades que apresentam.

Membros do conselho de administração do GEQ, Felipe Queiroz Rocha (à esquerda) e Vitor Frota (à direita) estiveram no DN Business e avaliaram a importância dos debates para a economia cearense.
Legenda: Membros do conselho de administração do GEQ, Felipe Queiroz Rocha (à esquerda) e Vitor Frota (à direita) estiveram no DN Business e avaliaram a importância dos debates para a economia cearense.
Foto: Thiago Gadelha.

Para o membro do conselho de administração do Grupo Edson Queiroz (GEQ), Felipe Queiroz Rocha, a discussão sobre a reforma dos gastos públicos foi importante por aproximar o tema da realidade da população.

"Não se vê só o lado negativo, vê-se o lado positivo também, com as oportunidades que há principalmente aqui no Ceará e no Nordeste. Foi muito ressaltada a questão das energias renováveis e do turismo, e acho que o Ceará está muito bem posicionado nesse sentido", disse.

Também membro do conselho de administração do GEQ, Vitor Frota destacou a pluralidade de visões dos especialistas. "Pudemos escutar quatro visões diferentes que, no fundo, compartilham do mesmo dever de casa que precisamos fazer. É importante que todos nós, empresários, tenhamos a visão do caminho a ser percorrido para a prosperidade", observou.

O CEO do GEQ, Carlos Rotella, também avaliou que o resultado da primeira edição abre espaço para a  2ª, que já tem lista de espera no site do evento.

"Tendemos a ganhar robustez e aprender com esse formato, com maior profundidade e abrangência. A ideia é crescer em número de espectadores e em relevância, para que a marca ganhe notoriedade. Precisa ser divulgado no Brasil, para que as pessoas observem o potencial da região", destacou Rotella.

O diretor superintendente do Sistema Verdes Mares (SVM), Ruy do Ceará Filho, acrescentou que o DN Business foi concebido para dialogar com o empresariado e com os executivos que atuam na economia do Estado e da região, e que os temas da segunda edição já estão em discussão, a partir das prioridades da pauta econômica e dos nomes de referência para abordá-las.

"A partir do momento em que temos a oportunidade de trazer um evento para cá e, mais do que isso, de fomentar esse debate no nosso jornalismo antes e depois do encontro, entendo que estamos criando um grupo de pessoas que fazem a diferença na economia do Estado e da região. Nos próximos passos, continuaremos debatendo temas que vão nos ajudar a ter informação para tomar decisões mais estratégicas e mais acertadas, e ter isso como vantagem competitiva", afirmou.

DN Business aproxima diagnóstico dos analistas e leitura do empresariado

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante, um espaço de discussão econômica, como o DN Business, é condição para que o País construa soluções.

"O Brasil é o rei em resolver as coisas da noite para o dia, mas o que precisamos é discutir o que temos de fazer ou de parar de fazer. É mais ou menos o que o asiático faz: tudo é pensado, tudo tem tempo. Aqui não, precisamos resolver tudo ao mesmo tempo", afirma.

Na mesma direção, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amilcar Silveira, aponta o encontro como oportunidade de amadurecer novas ideias de negócio.

Já para o presidente do Grupo BSPAR, Beto Studart, o valor está no encontro entre a leitura dos analistas e a experiência de quem opera no mercado.

"São pessoas nobres que nos explicam a situação brasileira e apresentam suas visões. Houve uma convergência entre o que estamos sentindo e vivenciando e o que eles estão analisando e endereçando como soluções", avalia.

Serviço

DN Business: inscreva-se na lista de espera para o 2º evento
Link: dnbusiness.com.br

 

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