José Osmar da Silveira, fundador e proprietário do restaurante Zé do Mangue, morreu aos 69 anos nessa segunda-feira (27), em Fortaleza. A morte foi confirmada pela família por meio do perfil do estabelecimento nas redes sociais. A causa do falecimento não foi divulgada.
"Com profundo pesar que comunicamos o falecimento do Zé do Mangue. Aos familiares e amigos, nossos mais sinceros sentimentos. Sua presença foi um presente. Sua memória, um tesouro. Seu amor, um legado que jamais se apagará. Para sempre em nossos corações. Saudades eternas", diz comunicado publicado no Instagram.
O velório de José Osmar ocorre nesta terça-feira (28), e o corpo deve seguir na quarta-feira (29) para sepultamento no município de Marco.
Restaurante Zé do Mangue
O empreendedor era uma figura conhecida na região da Sapiranga, onde fundou o tradicional restaurante Zé do Mangue, às margens do Rio Coaçu.
Em 2019, a 7ª Vara da Fazenda Pública determinou a demolição do Restaurante Zé do Mangue e de outras construções no bairro Sapiranga, por se tratar de uma Área de Preservação Permanente (APP).
A decisão, concedeu, à época, prazo de até um ano para a Prefeitura de Fortaleza realizar “desocupação e limpeza” do entorno, sob multa de R$ 10 mil por cada dia de descumprimento. Tanto o município como o proprietário do restaurante recorreram da decisão.
A ação civil pública foi movida pelo Ministério Público do Estado (MPCE), alegando que a Prefeitura "foi negligente ao permitir, por cerca de 30 anos”, que comércios e residências se instalassem na área de preservação “sem tomar providência”. O órgão solicitou, ainda, a demolição do restaurante – que é, ao mesmo tempo, “residência e comércio” –, que estaria causando danos ambientais.
Em entrevista ao Diário do Nordeste à época, José Osmar, o “Zé do Mangue”, afirmou que a decisão judicial era injusta.
“Eu moro aqui há 43 anos e aqui e acolá eles vêm com essa história. A gente não tá poluindo o rio, tá é ajudando a natureza. Não tenho outro meio de vida nem onde morar. Criei meus filhos aqui e agora estou criando os netos. Eu vivo desse negócio, meu sustento e da minha família veio daqui”, ressaltou o comerciante.
Já em 2020, tanto o restaurante como os estabelecimentos da redondeza foram incluídos no Plano de Manejo do Parque Estadual do Cocó (PMPC). Na decisão, a região passou a ser definida como "Zona de Uso Divergente" (ZUD), com permissão de permanência no local.