Campanha Doe de Coração 2026 celebra Ceará como líder de transplantes no Brasil

Fundação Edson Queiroz lança 24ª edição do projeto nesta terça-feira (1º).

Escrito por Redação ceara@svm.com.br
01 de Setembro de 2026 - 15:58
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Legenda: Da esquerda para a direita: Prof. dr. Randal Martins Pompeu, reitor da Unifor; Lenise Queiroz Rocha, Presidente da Fundação Edson Queiroz; artista plástico Hélio Rola; e coordenador da campanha Doe de Coração 2026, dr. Lourrany Borges.
Foto: Thiago Gadelha.

Dá para nascer outra vez – e está para além da crença espiritual. Doar órgãos é esse movimento concreto de dizer sim à vida e à esperança. A 24ª edição da Campanha Doe de Coração, lançada pela Fundação Edson Queiroz nesta terça-feira (1º), segue com o objetivo de inspirar e conscientizar, ao mesmo tempo que celebra um feito importante: o Ceará como líder nacional de transplantes.

Somos o primeiro em transplantes de córnea e o quinto maior no número total de transplantes. Desde quando a Central de Transplantes foi criada, em 1998, aumentou em 12 vezes a quantidade de operações dessa natureza. Com certeza a campanha Doe de Coração, nascida há 20 anos, tem impacto importante nesse processo”, festeja Lourrany Borges, doutor em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador da ação.

Segundo ele, a campanha faz parte do Mês de Responsabilidade Social da Fundação Edson Queiroz, e contará com série de ações. Além da fala institucional realizada nesta terça-feira no auditório da Biblioteca da Universidade de Fortaleza (Unifor), haverá atividades como a Jornada de Transplantes; ciclo de palestras e debates com professores e profissionais da Saúde; atividades educativas na Praça de Ferreira, no dia 25 de setembro; caminhadas e passeatas na Avenida Beira-mar; e divulgação em shoppings e hospitais. 

“A gente não terá um ponto final na campanha. O ideal é que esse tema e a doação de órgãos se perpetue pelo ano inteiro”, torce Lourrany. “O principal gargalo ainda é a recusa familiar. Dados oficiais mostram que 45% das famílias não autorizam a doação. Por isso é tão importante que essa conversa seja feita antes, fora do momento de dor ou de luto, para que, quando a família receba a proposta de doação, consiga decidir de forma tranquila”.

Nessa mesma frequência, o Diário do Nordeste lança, também nesta terça-feira (1º), a série de reportagens multimídia “Entrelaçados, a rede que move transplantes no Ceará”. A produção – desenvolvida entre fevereiro e agosto deste ano – aborda a logística envolvida nesse tipo de cirurgia, capaz de conectar desconhecidos por toda a vida, ainda que o anonimato entre doadores e receptores seja preservado.

Lourrany Borges é doutor em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador da Doe de Coração 2026.
Legenda: Lourrany Borges é doutor em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador da Doe de Coração 2026.
Foto: Thiago Gadelha.

O trabalho acompanha também doadores vivos, responsáveis por oferecer a parentes e pessoas próximas possibilidade de vida ao se submeterem a transplantes interventivos. Junto à série de reportagens, o minidocumentário “Entrelaçados” conduz o público pelos bastidores de processos que, conduzidos pela ciência, aproximam doadores, receptores e profissionais, além de reunir sentimentos como esperança, solidariedade, luto, dor, amor e vitória.

Dimensão da campanha

Presidente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha confere mais detalhes sobre a relevância da campanha Doe de Coração. Para ela, a sensação é de maior participação da sociedade e de pertencimento: todos podemos fazer nossa parte. Ao mesmo tempo, confessa que não tinha noção do quanto a ação poderia crescer.

“No primeiro ano, estávamos todos muito emotivos por um problema nosso, pessoal, da família, que nos fez abrir os olhos para darmos início a essa campanha. Não tínhamos noção da projeção que essa campanha poderia conseguir. Ela tem nos dado grande satisfação ao fazer com que várias pessoas comecem a ver esse ato como um ato normal”, situa.

“Havia muito tabu. As pessoas não queriam doar porque achavam que tinha algum problema. Mas não tem problema nenhum para quem doa. Você vai dar vida para quem recebe”.
Lenise Queiroz Rocha
Presidente da Fundação Edson Queiroz

Diógenes Lima de Castro que o diga. Nasceu duas vezes: a primeira em 10 de dezembro de 1970. A segunda no dia em que recebeu um novo coração, no dia 24 de agosto de 2016. Desde a data, nunca se sentiu ainda mais amante da existência e grato por ter havido alguém com vontade e disponibilidade para doar o órgão.

“Quem esteve internado e ficou esperando um coração, sabe o sacrifício. Passei 12 horas em jejum, tomando banho com produto especial, fazendo vários eletro raio-x e exames de sangue, para chegar ao centro cirúrgico. Naquele momento, em 2016, coloquei na minha cabeça, o Espírito Santo falou: ‘Teu corpo é propaganda’. Então sempre faço parte da campanha, todo ano faço uma camisa nova, um símbolo novo”.

Lenise Queiroz Rocha, Presidente da Fundação Edson Queiroz.
Legenda: Lenise Queiroz Rocha, Presidente da Fundação Edson Queiroz.
Foto: Thiago Gadelha.

Neste ano, por iniciativa própria, ele homenageia a família do doador do coração que o permitiu voltar à vida, e o hospital de Messejana pela marca histórica de 600 transplantes realizados. “De uma forma ou de outra, faço parte dessa história”, vibra.

Transplantar não significa estar livre de problemas. Mas eles já não me interessam porque esse coração me dá satisfação em resolvê-los e provar para o mundo, para a família doadora e para a minha família que estou aqui, vivo, porque alguém fez um ato de amor”.

Novo ano da campanha tem nova identidade

Além de comemorar a liderança cearense no segmento, há outra boa novidade no front: a identidade visual do projeto é assinada neste ano pelo artista plástico Hélio Rola. O tradicional coração da campanha – outrora composto por nomes do calibre de Stênio Burgos e Francisco de Almeida, por exemplo – agora encontra, no emaranhado de cores e entrelaços de uma seiva florestal, motivo extra para bater mais forte.

O artista plástic Hélio Rola, responsável pela identidade visual da campanha neste ano.
Legenda: O artista plástic Hélio Rola, responsável pela identidade visual da campanha neste ano.
Foto: Thiago Gadelha.

Visivelmente satisfeito por participar do momento de inauguração do projeto, Hélio explica: “Geralmente um trabalho artístico tem dois tipos: um que você parte de um ponto e vai perseguindo até conseguir o objetivo; outro que decorre de derivas do viver. Fiz um coração, recortei-o e o coloquei em cima de desenhos meus”, conta.

“Quando surgiu o convite para a campanha, usei essa ideia. Não teve uma coisa premeditada. Depois que apareceu é que comecei a refletir: a floresta parece a musculatura cardíaca. Ao mesmo tempo, a imaginação é livre pro observador criar outras coisas também, claro”.

Mônica Maria Paiva Lima, enfermeira do Hospital Universitário Walter Cantídio e da Central Estadual de Transplantes do Ceará.
Legenda: Mônica Maria Paiva Lima, enfermeira do Hospital Universitário Walter Cantídio e da Central Estadual de Transplantes do Ceará.
Foto: Thiago Gadelha.

Enfermeira do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC/UFC) e da Central Estadual de Transplantes do Ceará, Mônica Maria Paiva Lima pontua que esse componente afetivo da ação é o que a faz ser tão perene, capaz de ir além de setembro – mês tradicionalmente dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e estímulo aos transplantes.

“Hoje a gente tem no Estado do Ceará 48 estabelecimentos realizando transplantes e 54 equipes de transplante – tanto de órgãos quanto de tecido e de células. Sempre digo que devemos isso às parcerias, como a Doe de Coração. É o diferencial. Terminamos o mês de agosto com quantidade enorme de efetivados, e cada vez mais aumentando”, contabiliza.

Da esquerda para a direita: Lourrany Borges, coordenador da campanha; Prof. dr. Randal Martins Pompeu, reitor da Unifor; Ana Cristina Mendes, artista plástica; Hélio Rola, artista plástico; Lenise Queiroz Rocha, Presidente da Fundação Edson Queiroz; Francisco de Almeida, artista plástico; Wilson Neto, artista plástico; Stênio Burgos, artista plástico; Lia Brasil, diretora do Centro de Ciências da Saúde; e Mônica Maria Paiva Lima, da Central Estadual de Transplantes do Ceará.
Legenda: Da esquerda para a direita: Lourrany Borges, coordenador da campanha; Prof. dr. Randal Martins Pompeu, reitor da Unifor; Ana Cristina Mendes, artista plástica; Hélio Rola, artista plástico; Lenise Queiroz Rocha, Presidente da Fundação Edson Queiroz; Francisco de Almeida, artista plástico; Wilson Neto, artista plástico; Stênio Burgos, artista plástico; Lia Brasil, diretora do Centro de Ciências da Saúde; e Mônica Maria Paiva Lima, da Central Estadual de Transplantes do Ceará.
Foto: Thiago Gadelha.

Doar órgãos e tecidos é um ato de cidadania. Você tira não apenas um, mas vários pacientes de uma fila a partir da quantidade de órgãos que serão doados. Para muitos, o transplante é essa única alternativa. Logo, ele é fundamental”.

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