Lázaro Barbosa ligou para a mãe e contou que não agiu sozinho na Chacina em Ceilândia, diz tia

O contato aconteceu dois dias depois que ele matou um homem, uma mulher e os dois filhos deles, em 9 de junho

Mãe de Lázaro Barbosa Chacina em Ceilândia
Legenda: A mãe do suspeito da ação criminosa e de diversos outros ataques estava em um ônibus, voltando para Barra do Mendes, na Bahia, quando recebeu a ligação do filho
Foto: Reprodução TV Bahia/Reprodução Polícia Civil

A tia de Lázaro Barbosa, Zilda Maria, relatou em entrevista exclusiva ao G1 que ele ligou para a mãe dois dias depois da Chacina em Ceilândia, em Goiás, e contou que não agiu sozinho na ocasião.  

Segundo Zilda Maria, a mãe do suspeito da ação criminosa e de diversos outros ataques estava em um ônibus, voltando para Barra do Mendes, na Bahia, quando recebeu a ligação do filho.

Na conversa, ele perguntou se a mãe, Eva Maria de Souza, estava bem e falou que não era ele que estava com a mulher (vítima da Chacina).

Ela falou que conversou com ele dois dias após o crime. Ele ligou para ela, ela já estava vindo para a Bahia, porque estava em Brasília
Zilda Maria
Tia de Lázaro Barbosa

Vítimas

O contato de Lázaro Barbosa com a mãe aconteceu dois dias depois que ele um homem, uma mulher e os dois filhos deles em Ceilândia, em 9 de junho.

Naquele dia, foram assassinados o empresário Cláudio Vidal, 48 anos; Gustavo Vidal, 21; e Carlos Eduardo Vidal, 15. Os três foram encontrados mortos, na chácara da família, com marcas de tiros e facadas.

A esposa do empresário e mãe dos dois jovens, Cleonice Marques, 43, foi sequestrada pelo suspeito e encontrada sem vida três dias depois do primeiro crime.

Conversa

"Ela atendeu o telefone no ônibus, ficou nervosa, ele perguntou se ela estava bem e ela disse: 'Como é que você me pergunta se eu estou bem? Depois de tudo que você fez, como é que é você me pergunta se eu estou bem? Cadê a mulher? O que que tu fez?'. Aí ela disse que ele falou assim: 'Não foi eu sozinho e não sou eu que estou com a mulher'. Ela disse que a prosa foi essa aí", revelou a tia de Lázaro Barbosa.

Também de acordo com Maria Zilda, depois do contato dele com a mãe, o sobrinho nunca mais entrou em contato com ninguém da família.

Vias cercadas

No entorno do Distrito Federal, 270 agentes da Segurança Pública usam cães farejadores, drones e helicópteros nas buscas pelo foragido.

Na sexta-feira (18), a Polícia Rodoviária Federal colocou barreiras nas estradas de terra e rodovias das regiões de Cocalzinho de Goiás e Águas Lindas de Goiás, e cercaram o suspeito.

Buscas por Lázaro Barbosa
Legenda: Mais de 200 agentes participam de buscas por Lázaro Barbosa
Foto: Reprodução/SSP-GO

Os servidores públicos que fazem parte da força-tarefa estão abordando veículos que passam pela BR-070, seja durante o dia ou madrugada.

Também na sexta-feira (18), um morador contou que o homem apontado como autor da Chacina em Ceilândia invadiu uma fazenda para roubar queijo, carregador de celular e dinheiro. 

Visto em um chiqueiro de chácara

Ainda na sexta-feira (18), Lázaro Barbosa foi visto em um chiqueiro de uma chácara, mas fugiu para a área de vegetação novamente, segundo a PRF. 

Também conforme instituição, agentes que estavam em um helicóptero o identificaram no local. A movimentação intensa de viaturas da corporação iniciou depois das 15h. 

Pedido de cela separada

Na segunda-feira (21), a Defensoria Pública do Distrito Federal pediu à Vara de Execuções Penais que, quando Lázaro Barbosa for preso, fique em uma cela separada dos demais internos. No entanto, a Justiça do DF negou a solicitação do órgão no mesmo dia.

A juíza Leila Cury classificou que, agora, o requerimento do órgão é "inoportuno", pois depende "da concretização de fatos futuros e incertos". 

Conforme a magistrada, caso Lázaro seja capturado, ainda não se sabe se ele será transferido ao Distrito Federal, já que as buscas por ele estão concentradas em Goiás. Com a negativa da Justiça, a Defensoria Pública recorreu da decisão.

Família feita refém

No dia 15 de junho, uma família foi feita refém pelo suspeito, em Edilândia, Goiás. A adolescente, que tem 16 anos, foi encontrada por ele embaixo da cama, enquanto ligava para a Polícia Militar.

Dois dias depois, os parentes publicaram um vídeo nas redes sociais agradecendo a quem rezou pela vida deles e informaram que "estão bem".

Fuga da cadeia

Antes de cometer os delitos neste ano, Lázaro Barbosa já havia fugido de presídios várias vezes. A primeira foi em março de 2016, quando ele escapou do Centro de Progressão Penitenciária (CPP), em um "saidão" de Páscoa.

O então presidiário ganhou o benefício depois que ele, que cumpria pena em regime fechado, conseguiu progressão para o semiaberto.

Carta escrita por Lázaro Barbosa e enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a progressão da pena para o regime semiaberto
Legenda: Carta escrita por Lázaro Barbosa e enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a progressão da pena para o regime semiaberto
Foto: Reprodução

Ficha criminal de Lázaro Barbosa

  • 2007: capturado sob acusação de um duplo homicídio no município Barra dos Mendes, na Bahia. Dez dias de ser preso, no entanto, ele fugiu e até hoje é tido como foragido pela polícia local
  • 2009: o criminoso migrou para Brasília, onde ficou em reclusão no Complexo Penitenciário da Papuda (CPP). Os ilícitos atribuídos a ele era porte ilegal de arma de fogo, estupro e roubo
  • 2013: o mesmo presídio emitiu um laudo psicológico informando que o homem era um "psicopata imprevisível". O diagnóstico foi elaborado a partir da conduta agressiva e impulsiva, assim como pela instabilidade emocional e falta de controle e equilíbrio do preso
  • 2014: a Justiça autorizou a conversão da prisão de Lázaro Barbosa para o regime semiaberto
  • 2016: voltou a sumir do radar das forças de segurança
  • 2018: fora do sistema prisional do Distrito Federal, foi alcançado pela polícia de Águas Lindas de Goiás e novamente preso por porte ilegal de arma de fogo, homicídio qualificado, roubo e estupro. Em julho do mesmo ano, escapou da detenção
  • 2020: foi indiciado por roubo mediante restrição da liberdade de quatro idosos e emprego de arma branca durante tentativa de latrocínio em uma chácara em Santo Antônio do Descoberto, em Goiás

CRIMES MAIS RECENTES

Já no último dia 8 de abril de 2020, a polícia de Goiás o indiciou por roubo mediante restrição da liberdade de quatro idosos e emprego de arma branca durante tentativa de latrocínio em uma chácara em Santo Antônio do Descoberto. Na ocasião, uma das vítimas chegou a ser atingida na cabeça com golpes de machado.

De volta ao Distrito Federal, Lázaro invadiu uma casa no dia 26 de abril no Sol Nascente. Ele levou uma mulher para um matal e a estuprou enquanto o marido e o filho dela ficaram trancados no quarto.

Em 17 de maio, ele esteve na mesma região e ameaçou populares com arma de fogo e faca. As vítimas foram obrigadas a ficarem peladas. Das 19h até meia-noite, o suspeito prendeu homens no quarto e as ordenou que as mulheres preparassem e servissem um jantar.

No dia 9 de junho, Lázaro invadiu uma chácara em Ceilândia e matou quatro pessoas de uma mesma família: os empresários Cleonice Marques de Andrade, 43, Cláudio Vidal, 48, e os filhos do casal Gustavo Marques Vidal, 21, e Eduardo Marques Vidal, 15.

Na quinta-feira (10), ele rendeu o caseiro de uma chácara e a filha dele próximo ao imóvel dos empresários. Ele ordenou que a mulher preparasse o almoço enquanto ele acompanhava um telejornal. No mesmo dia, voltou a entrar sem permissão em uma casa e fez três pessoas reféns. Duas delas foram obrigadas a fumar maconha.  

O homem fugiu em 12 de junho para Cocalzinho de Goiás, onde invadiu fazendas, disparou contra quatro pessoas e colocou fogo em uma residência. A polícia montou um cerco, mas ele fugiu. Em 13 de junho, o criminoso furtou um carro e o largou na BR-070. 

O que é um serial killer?

A série de ataques realizados por Lázaro Barbosa em um curto espaço de tempo e as informações divulgadas pela Polícia Civil sobre sua personalidade levaram os internautas a chamarem o suspeito de 'serial killer'.

Um assassino em série é aquele que comete crimes com determinada frequência e tem um 'modus operandi' para agir, com características do crime que representam sua marca. 

A criminologista especialista em serial killers Ilana Casoy, que escreveu um roteiro sobre o caso de Suzane von Richtofen, afirmou ao portal G1 que esse não é o momento de definir o perfil psicológico de Lázaro.

"Ele é um fugitivo e precisa ser parado, ser preso porque é um cara de alta periculosidade, de grande experiência e está matando no caminho. Não é hora de pensar se ele é um serial killer, se teve uma infância traumática ou não, se ele é frio, psicótico, esquizofrênico, psicopata".

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