Jovem escapa de atentado, presta depoimento, mas acaba morto dias depois

Os réus são acusados de integrar a facção Comando Vermelho.

Escrito por Redação seguranca@svm.com.br
26 de Julho de 2026 - 07:00
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Legenda: Ravadielle prestou declarações apenas na fase de inquérito, porque dias após receber alta, antes de ser ouvido em Juízo, foi morto.
Foto: Arquivo DN.

A Justiça do Ceará decidiu pronunciar, ou seja, levar a júri popular três membros da facção criminosa carioca Comando Vermelho (CV) acusados por tentar matar um jovem. O crime aconteceu no entorno de uma escola, em Fortaleza.

A vítima, identificada como Ravadielle Neves Monteiro, foi socorrida com vida ao Instituto Doutor José Frota (IJF), onde permaneceu hospitalizada por uma semana.

Ravadielle prestou declarações apenas na fase de inquérito, porque, dias após receber alta, antes de ser ouvido em Juízo, foi morto. 

Na versão da vítima, ela não entendia o porquê do ataque, acreditando que "talvez tenha sido pelo fato de morar em lugar diferente dos autores, que disputam o território".

RÉUS PELA TENTATIVA DE HOMICÍDIO

No dia 4 de outubro de 2025, no bairro Messejana, Kaylo Wanderson Abreu, Francisco Maia Costa Júnior e Lucas Vinícius Ferreira dos Santos trafegavam em um Kwid de cor branca, em posse de armas de fogo.

Policiais militares ouviram estampidos de tiros e perseguiram o veículo.

A vítima estava junto da esposa e dos filhos, duas crianças, indo para a casa da sogra quando todos foram surpreendidos pela repentina aproximação de um veículo Kwid branco, no qual se encontravam os réus. 

"Agindo de inopino, de modo a dificultar a defesa da vítima, o réu Kaylo desceu do veículo e passou a efetuar disparos de arma de fogo contra Ravadielle, mesmo este se encontrando próximo a seus filhos. Após efetuar diversos disparos e alvejar Ravadielle, Kaylo retornou para o veículo e se evadiu do local juntamente com os réus Francisco Maia e Lucas Vinícius, os quais concorreram para o crime dando suporte à ação criminosa Francisco Maia e Lucas Vinícius, os quais concorreram para o crime dando suporte à ação criminosa".

Durante a perseguição, o trio teria resistido à abordagem policial, efetuando disparos de arma de fogo. As defesas dos denunciados não foram localizadas pela reportagem.

TERRITÓRIO ADVERSÁRIO

Segundo a acusação, "os policiais então revidaram os disparos e lograram êxito em abordar o veículo, efetuando a prisão em flagrante dos três réus. Apurou-se que os réus, vinculados à organização criminosa Comando Vermelho-CV, no dia dos fatos realizaram ataque à região dominada pela facção rival Massa, ataque este que tinha por finalidade atingir não apenas pessoas diretamente vinculadas à facção rival, mas também quaisquer pessoas que viessem a encontrar no território adversário".

O trio foi preso em flagrante. Lucas chegou a ser atingido nas nádegas.

Os juízes da 6ª Vara do Júri destacaram que a dinâmica do crime teria exposto terceiros a perigo comum, "pois os disparos foram efetuados em via pública, mesmo estando a vítima próxima a outras pessoas", e que o crime aconteceu com recurso que dificultou a defesa da vítima.

Na sentença de pronúncia proferida no último dia 10 deste mês, o Colegiado disse estar convencido da existência do crime e dos indícios suficientes de que os réus são, em tese, os autores.

As prisões de Kaylo Wanderson Abreu, Francisco Maia Costa Júnior e Lucas Vinícius Ferreira dos Santos foram reanalisadas, sendo mantidas "inexistindo fato novo apto a justificar sua revogação ou substituição por medidas cautelares diversas da prisão".

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