O homem acusado de assassinar a pauladas, em via pública, uma vítima em situação de rua, deve ir a Júri Popular. Na última semana, o juiz da 2ª Vara do Júri de Fortaleza decidiu pronunciar o denunciado Lucas da Silva Cabral, conhecido como 'Pio' ou 'Magão'.
O crime aconteceu na manhã de 11 de maio de 2024, no bairro Conjunto Ceará. De acordo com a acusação, 'Pio' em comunhão de esforços com outros homens não identificados, foi responsável pelo homicídio, mediante linchamento de Márcio Fábio Nuno da Silva.
A vítima foi agredida a pauladas e chegou a ser socorrida, ficando quase cinco meses hospitalizada. Em outubro de 2024, Márcio morreu "em razão de complicações clínicas supervenientes a traumatismo cranioencefálico", conforme laudo cadavérico.
A defesa do réu alegou nos autos a ausência de individualização da conduta e ausência do dolo de matar, pedindo a impronúncia.
O advogado não foi localizado pela reportagem para comentar a sentença.
O suspeito foi preso em flagrante, mas agora responde ao processo em liberdade. Ainda não há data prevista para o julgamento acontecer.
SUSPEITA DE FURTO DE FIOS
A vítima estava em via pública quando, segundo o Ministério Público do Ceará, foi surpreendida pela repentina abordagem de um grupo de pessoas, dentre elas Lucas.
O linchamento teria motivação torpe, consistente em 'justiçamento'.
"Segundo apurado, o réu e os comparsas lincharam a vítima por acreditarem que Márcio Fábio, que era usuário de drogas, estaria furtando a fiação do estabelecimento comercial".
A mesma versão foi trazida por Lucas que, quando preso, confessou ter participado do crime e disse que "foi porque a vítima furtava fios de energia de um bar".
Uma testemunha ouvida em juízo disse que na rua do homicídio havia informações que "a vítima andava mexendo em uns fios, as pessoas viram e acharam que ele estava roubando".
O proprietário do bar apresentou a versão de que só soube do furto dos fios quando recebeu a informação da morte por terceiros e foi verificar o que havia acontecido no próprio estabelecimento.
"Esclareceu, contudo, que os garotos que lhe deram essa informação não disseram quem teria cometido o furto nem quem teria participado do espancamento, afirmando que não conhece os nomes desses adolescentes e que apenas ouviu tais relatos de terceiros".
A perícia apontou que havia fraturas em diversas regiões da cabeça da vítima, indicando multiplicidade de lesões.
Nas alegações finais, o MP pediu a pronúncia. O juiz também entendeu que a prova judicial produzida "corrobora os elementos informativos constantes do inquérito".