O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) apresentou à Justiça denúncia contra o grupo acusado de envolvimento no sequestro e extorsão de uma mulher que pediu um carro por aplicativo no último dia 9 de julho no bairro Meireles, em Fortaleza. Os denunciados haviam sido indiciados pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) no último dia 17.
Os denunciados, segundo o MPCE, devem responder por roubo majorado, extorsão qualificada e associação criminosa. São eles:
- Matheus Bandeira Fontoura: motorista de aplicativo (Uber), que teria facilitado o crime, ao buscar a vítima em um restaurante e bar e permitir a entrada dos comparsas no carro.
- Cláudio Natan Barros da Silva, o 'Sorriso': apontado como um dos executores diretos do sequestro e roubo. Ele também confessou o crime de tráfico de drogas.
- Ana Karolina da Silva Horta: companheira de Cláudio Natan, apontada como responsável por auxiliar nas transferências bancárias durante o cativeiro.
- Otávio Joás Martins de Castro: teria ajudado a mexer no celular da vítima e realizar as transferências bancárias; também se disse "avião" (fornecedor de drogas) no esquema de drogas de Cláudio.
Uma quinta pessoa envolvida, conhecida apenas como 'Ezequiel', ainda não foi totalmente identificada na investigação. Uma mulher, Rayane da Silva Queroz, também estaria sendo investigada por supostamente repassar parte do dinheiro subtraído pelo grupo na extorsão. A investigação foi conduzida pela Delegacia Antissequestro (DAS).
Além da denúncia, o MPCE pediu que seja fixado um valor mínimo de reparação de danos materiais e morais no montante de R$ 30 mil. O processo agora segue para análise do Poder Judiciário.
Sequestro durante corrida
O caso ocorreu por volta das 23h50 do dia 9 de julho, quando a vítima saiu de um bar no bairro Meireles e pediu uma corrida direcionada para casa. Durante o trajeto, o motorista, Matheus, reduziu a velocidade e permitiu que Cláudio e 'Ezequiel', entrassem no carro, sem resistir.
A mulher foi amarrada, encapuzada e levada a um cativeiro, na casa de Cláudio Natan, no bairro Montese. No local, ela ficou cerca de uma hora sob ameaça de um simulacro de arma de fogo, enquanto os criminosos:
- Fizeram uma transferência PIX de R$ 620,00 da conta dela;
- Contrataram fraudulentamente um empréstimo de R$ 7.500 pelo Nubank;
- Levaram objetos pessoais: um iPhone 17, dois anéis de prata, uma pulseira de ouro e uma bolsa Dolmén com maquiagem e remédio.
Segundo documentos obtidos pela reportagem, quando a vítima foi liberada pelos criminosos, pediu ajuda em um condomínio e comunicou o sequestro à Polícia Civil. Os investigadores obtiveram imagens de câmeras de segurança "que confirmaram a dinâmica da abordagem criminosa narrada pela vítima".
As imagens reforçaram a participação de Matheus, enquanto motorista da Uber, na dinâmica do sequestro. "Com base nesses elementos, localizaram e prenderam Matheus Bandeira Fontoura, que tentou fugir e resistiu à abordagem", afirma o inquérito.
Em nota enviada após a publicação da reportagem, a empresa Uber lamentou o caso e informou que o motorista teve a conta desativada da plataforma. Além disso, declarou que "permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, na forma da lei".
Segundo a empresa, todas as viagens são cobertas por um seguro e, em parceria com o MeToo Brasil, conta com um canal de suporte psicológico, que foi disponibilizado à vítima.
No interrogatório policial obtido pelo Diário do Nordeste, Cláudio Natan Barros da Silva afirmou que a ideia do sequestro partiu de Matheus.
Segundo o preso, que estava entre os dois que embarcaram no veículo durante a corrida e que é companheiro de uma das mulheres presas pelo crime, o comparsa costumava sugerir vítimas para "futuros sequestros", incluindo alvos específicos, como a ex-esposa dele, que é médica "e ganha bem", e uma enfermeira.