Polícia indicia suspeitos de sequestrar e extorquir passageira de corrida de app em Fortaleza

Eles poderão responder pelos crimes de roubo qualificado, extorsão, associação criminosa e tráfico de drogas.

Escrito por Paulo Roberto Maciel paulo.maciel@svm.com.br
17 de Julho de 2026 - 19:54
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Legenda: Os quatro suspeitos tiveram prisões preventivas decretadas.
Foto: Reprodução.

A Polícia Civil do Ceará (PCCE) indiciou os suspeitos de terem participação no sequestro seguido de extorsão de uma mulher de 27 anos em Fortaleza, na semana passada. O inquérito foi concluído e remetido à Justiça nesta sexta-feira (17).

O Diário do Nordeste teve acesso ao relatório final. No documento, consta que Matheus Bandeira Fountoura, Cláudio Natan Barros da Silva, Ana Karolina da Silva Horta e um homem identificado apenas como Ezequiel podem responder por:

  • roubo qualificado por concurso de pessoas;
  • extorsão qualificada por privação de liberdade
  • associação criminosa

Cláudio Natan também foi indiciado pelo crime de tráfico de drogas, juntamente com Otávio Joas Martins de Castro.

Ele é o único do grupo que já tinha ficha criminal, com passagens pelos crimes de tráfico de drogas, violência doméstica, furto e crime ambiental.

Agora, o inquérito será analisado pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), que pode ou não abrir a denúncia-crime junto à Justiça.

Veja o papel de cada um dos indiciados no crime

Segundo o inquérito policial obtido pela reportagem, Matheus Bandeira Fontoura foi o responsável por conduzir o carro de aplicativo que buscou a vítima em um restaurante no bairro Meireles, no último dia 9.

Assim que a passageira entrou no veículo, o suspeito alterou deliberadamente o percurso e reduziu a velocidade em um determinado ponto da cidade, permitindo a entrada de mais dois indivíduos, sendo eles Cláudio Natan e Ezequiel.

Em seguida, os criminosos ameaçaram a vítima com um simulacro de arma de fogo. Eles a conduziram para uma residência no bairro Montese, utilizada como cativeiro.

No local, a vítima pensou ter ouvido a voz de uma mulher. Posteriormente, a suspeita dela foi confirmada, pois Ana Karolina da Silva Horta estava presente para auxiliar os demais envolvidos.

A PCCE entende que Otávio Joas Martins de Castro não participou ativamente do crime. Ainda assim, ele acabou preso e indiciado por ser localizado sob posse de cocaína supostamente obtida junto a Cláudio Natan.

Suspeitos foram identificados por câmeras de segurança

Quando a vítima foi liberada pelos criminosos e comunicou o sequestro à Polícia Civil, os investigadores obtiveram imagens de câmeras de segurança "que confirmaram a dinâmica da abordagem criminosa narrada pela vítima".

As imagens reforçaram a participação de Matheus, enquanto motorista inscrito na Uber, na dinâmica do sequestro.

"Com base nesses elementos, localizaram e prenderam Matheus Bandeira Fontoura, que tentou fugir e resistiu à abordagem", afirma o inquérito. 

"Após ser detido, Matheus confessou sua participação, afirmando que agiu a convite de Cláudio Natan Barros da Silva, conhecido como 'Natan, e informou que a vítima havia sido levada para a residência deste, onde Ana Karolina teria auxiliado na realização das movimentações bancárias", diz o documento. 

Foi no endereço indicado pelo motorista que os policiais localizaram Cláudio Natal, Otávio e Ana Karolina. Natan também teria resistido à prisão e, após ser contido, confessou a participação no sequestro e no roubo.

Grupo planejava outros sequestros

No interrogatório policial, Cláudio Natan Barros da Silva, conhecido como "Sorriso", apontado como um dos principais articuladores da ação criminosa, afirmou que a ideia do sequestro partiu de Matheus.

Segundo o preso, o comparsa costumava sugerir vítimas para "futuros sequestros", incluindo alvos específicos, como a ex-esposa dele, que é médica "e ganha bem", e uma enfermeira.

Já Matheus, que disse estar adquirindo um bar na Capital e ser dono de uma empresa de engenharia e energia solar em João Pessoa, na Paraíba, alegou que agiu sob coação.

À Polícia, ele afirmou ser usuário de cocaína e que comprava droga de Natan. Nesta versão, o traficante é quem o teria convidado para participar do assalto.

Os advogados Alysson Moura Arruda e Karla Celeste Silva de Araújo, que representam a defesa do suspeito, afirmam que "o motorista, longe de integrar a atuação criminosa narrada na investigação, também foi vítima da situação que deu origem aos fatos".

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