Detento morre eletrocutado durante trabalho de ressocialização em presídio no Ceará

O MPCE informou que requisitou a instauração de inquérito policial para apurar o caso.

Escrito por Bergson Araujo Costa bergson.costa@svm.com.br
21 de Julho de 2026 - 14:51
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Legenda: A SA disse que seguirá a “apuração natural para esse tipo de morte”.
Foto: Arquivo pessoal / Natinho Rodrigues.

Um detento de 48 anos morreu, nesse domingo (19), após levar um choque elétrico durante um trabalho de ressocialização na Unidade Prisional Professor Clodoaldo Pinto (UP-Itaitinga 2), em Itaitinga, no Ceará. 

O homem foi identificado como Francisco Rogério Torres Barbosa. A morte foi confirmada pelo Sindicato dos Policiais Penais do Estado do Ceará (Sindppen/CE). 

De acordo com o sindicato, os policiais penais iniciaram os procedimentos de primeiros socorros, com o apoio da equipe de saúde formada por técnico de enfermagem e médico do Hospital dos Policiais Penais (HSPOL).

Apesar das manobras de reanimação, "não foi possível reverter o quadro clínico, sendo o óbito constatado no local”, segundo a entidade. 

Sobre o fato, a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado do Ceará (SAP) disse que seguirá a “apuração natural para esse tipo de morte”. 

O que aconteceu?

Segundo o Sindppen/CE, o homem teria sofrido uma descarga elétrica após utilizar uma furadeira em uma estrutura de concreto. 

“Durante a execução do serviço, a ferramenta atingiu uma rede elétrica de alta tensão, provocando uma descarga elétrica de grande intensidade”, disse. 

De acordo com as informações preliminares, o interno desconhecia a existência da rede elétrica naquele local por não ter acesso à planta predial da unidade.

Segundo o Sindppen, o serviço também era realizado sem a utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados e sem o acompanhamento de engenheiro ou técnico em segurança do trabalho.  

O QUE DIZ A FAMÍLIA

Ao Diário do Nordeste, o filho da vítima, Junior Torres, disse que a família teria recebido informações de que Francisco “não estava usando EPI's e trabalhava em um dia em que não se pode trabalhar”.

“Quando fui reconhecer o corpo no IML, ele foi definido como desconhecido. Sendo que ele foi da unidade prisional para o IML, então, no mínimo, o sistema prisional deveria ter identificado o corpo do meu pai”, relatou o filho.

Junior disse que a família acionará o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) por considerar "as informações são vagas que incompletas”.

MPCE solicitou abertura de inquérito 

O Ministério Público do Ceará, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Corregedoria de Presídios e Penas Alternativas de Fortaleza, informou que requisitou a instauração de inquérito policial para apurar o caso. 

“O órgão também acompanha o andamento das investigações já iniciadas na esfera administrativa pela Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará (SAP/CE)”, expressa ainda a nota da entidade enviada ao Diário do Nordeste.

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