O júri do 'Caso Clarissa' chega ao segundo dia. A sessão foi retomada por volta das 9h desta terça-feira (14), no Fórum Clóvis Beviláqua, já com os depoimentos das testemunhas do réu Matheus Anthony Lima Martins Queiroz.
O primeiro a ser ouvido na sessão foi Plácido Anthony Queiroz, irmão do acusado de assassinar a enfermeira Clarissa Costa Gomes, de 31 anos, morta com 34 facadas em Fortaleza.
A testemunha contou em plenário que, desde a infância, o réu apresentava problemas como depressão e ansiedade: "foram muitos altos e baixos... Uma semana antes da tragédia, eu estava conversando com ele, um olhar muito vazio, muito triste. Difícil acreditar que aquela pessoa estava daquele jeito, tão frágil".
Durante o depoimento, Anthony se referiu à vítima como "uma pessoa maravilhosa" e disse que "a família lamenta demais" a morte dela.
A segunda pessoa a ser ouvida nesta terça-feira (14) foi a mãe do acusado. Maria Neuma Lima Martins Queiroz diz que o filho faz acompanhamento psicológico desde os 14 anos, mas que a família nunca pegou um laudo.
"Ele falava que a vida não tinha mais sentido, que ele não queria mais viver, ele se afastou muito dos amigos, não respondia mais ninguém, não tava conseguindo chorar"(sic), disse a mãe sobre como o filho estava nas semanas antes do crime.
Matheus acompanha a sessão e ouve as falas da família. Ele chorou durante parte dos depoimentos.
O QUE ACONTECEU NO 1º DIA DE JÚRI
No primeiro dia do júri foram ouvidas as testemunhas da acusação, dentre elas Áurea Lúcia Cândido Costa, mãe da enfermeira.
Logo após a fala de Áurea a sessão foi suspensa, porque o réu Matheus Anthony Lima Martins Queiroz passou mal.
A reportagem apurou que Matheus teria sofrido uma convulsão, caído e batido a cabeça, sendo socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao hospital.
Durante o depoimento, a mãe de Clarissa contou detalhes sobre o momento em que soube que a filha havia sido assassinada.
Ela recorda que estava no trabalho quando, por volta das 16h do dia 9 de julho de 2025, recebeu uma ligação de uma parente pedindo que fosse para casa. "Quando cheguei na minha casa, a rua estava cheia de gente. Quando entrei na minha casa, encontrei a minha filha no chão, assim, deitadinha, com a boquinha um pouquinho aberta. Eu disse: 'O que aconteceu com a minha filha? Filha, a mamãe vai cuidar de você', porque, até então, eu achava que eu ia cuidar dela".
"Posso levar minha filha pro hospital? Minha filha tem plano de saúde. O policial dizia: 'A senhora não pode mexer nela'. Ainda peguei nela, ela tava quentinha", narrou Áurea.
A mãe relatou ainda que não sabia dos desentendimentos entre a filha e o namorado: "Vim perceber mais depois de tudo o que passou. Na minha frente ela não demonstrava nada, nem tampouco ele. Ele, na minha frente, tratava ela muito bem".
"Minha filha era uma menina meiga, educada, inteligente, esforçada. Tinha muitas amigas, uma excelente aluna, excelente profissional e, principalmente, excelente filha", acrescentou a mãe da vítima.
Qual a versão da defesa do réu?
A defesa de Matheus, agora representada pela Defensoria Pública do Ceará (DPCE), por meio do defensor Emerson Castelo Branco, diz que o réu falará pela primeira vez sobre o crime e que "há outro culpado nessa história e não somente o Matheus".
"Ele vai confessar, pedir perdão e botar os joelhos no chão. Não pediremos absolvição, mas uma condenação justa... Ele tem depressão, problemas psicológicos e está comprovado que ele tomava medicação. Isso não justifica absolutamente nada, a defesa vai ser uma defesa ética", disse Emerson Castelo Branco sobre o assassinato da enfermeira Clarissa Costa Gomes.
Apesar da intercorrência médica desta segunda, a defesa afirmou que o depoimento do acusado está mantido.
Caso Clarissa: relembre o crime
Clarissa Costa Gomes morreu aos 31 anos, vítima de feminicídio, em Fortaleza. Segundo as investigações, ela foi assassinada com 34 golpes de faca pelo namorado, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, então com 26 anos.
Vizinhos da enfermeira disseram que viram o casal chegar à casa da vítima, no Jardim Cearense, por volta de 13h30. Um vizinho relatou à Polícia que, às 15h20, ouviu uma voz feminina gritar "me solta, vai me matar". Outra vizinha ouviu ela gritar o nome de Matheus duas vezes. Por último, os moradores ouviram apenas o som de uma batida no chão.
Matheus foi visto saindo da residência em sua motocicleta. O irmão dele chegou algum tempo depois e, junto aos vizinhos, encontrou o corpo de Clarissa sem vida. "Meu Deus, o que meu irmão fez?", exclamou ele, segundo o relato das testemunhas.
Matheus foi preso em flagrante na Maraponga e confessou o crime. Questionado sobre a motivação, ele disse, a princípio, tomar medicação para epilepsia e ansiedade. Depois, falou que não se lembrava do que tinha acontecido.