Incêndio na divisa entre Ceará e Piauí completa quatro dias

Bombeiros dos dois estados tentam apagar o fogo iniciado na quinta-feira (12). Fazendeiros locais apontam prejuízos irreparáveis

Legenda: Vegetação da Serra dos Cariás foi destruída
Foto: Wandemberg Belém

Desde quinta-feira (12), o fogo devasta a vegetação da área localizada no limite entre os municípios de Parambu (CE) e Pimenteiras (PI). O incêndio é considerado de grandes proporções e reúne esforços conjuntos de bombeiros dos dois estados. Fazendas estão sendo afetadas pelas chamas e proprietários afirmam que ainda não conseguiram calcular totalmente os prejuízos. Até este domingo inexiste a informação de vítimas.

De acordo com o Corpo de Bombeiros do Ceará, agentes do batalhão de Tauá (CE) trabalham na ocorrência desde quinta. Na sexta-feira (13), o efetivo ganhou o reforço de agentes lotados em Picos (PI) e Crateús (CE), confirma o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, coronel Eduardo Holanda. Além da divisa do Ceará, o fogo se alastra por solo piauiense.

"Estamos dando apoio, até mesmo pela proximidade. Além dos bombeiros do batalhão que fica em Picos, estamos apoiando as ações juntamente com bombeiros de Tauá e Crateús, tanto com homens, como viaturas e equipamentos", detalha. 

Moradores montaram frentes de serviço e usam caminhões-pipas e baldes na tentativa de diminuir o desastre. Informações do Tenente Alysson Rangel, sub-comandante do Corpo de Bombeiros de Picos, apontam que na manhã deste domingo, quarto dia de queimadas, as chamas se intensificaram. As equipes permanecem no local e contam com o reforço dos bombeiros de Canindé.

Segundo o tenente, esse tipo de ocorrência é considerada "atípica na área". Os bombeiros não trabalham com uma causa definida, porém existe a suspeita de que o fogo tenha sido provocado por interferência humana. Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Parambu não quis se pronunciar sobre o assunto.

Prejuízos

Veridiano Pereira Loiola, dono de uma propriedade localizada na Serra dos Cariás, zona rural de Parambu, afirma que os primeiros focos de incêndio surgiram às 15h30 de quinta-feira. As chamas começaram no local conhecido como Serra do Ivoneide. Segundo Loiola, o Corpo de Bombeiros de Tauá foi acionado e só chegou ao local já de noite (a testemunha não informou o horário preciso). Os agentes chegaram a intervir no local, mas devido ao difícil acesso a guarnição teve que retornar.

"Queimou minha terra toda. Ainda não contabilizei, mas o prejuízo foi grande demais. Perdi minha reserva de mata velha (feita para alimentar o pasto), cerca e duas fiações elétricas. É irreparável", descreve o proprietário.  

Já Rogério Possidônio, outro fazendeiro da região, estima que 100 hectares de sua propriedade foram destruídos. Se calcular o valor da cerca recém construída e atingida pelo fogo, o prejuízo pode ultrapassar os R$ 200 mil. O pasto nativo foi destruído e acesso a água é difícil na região.