Creche mantida com amor e solidariedade clama por ajuda

O projeto nasceu a partir da iniciativa do então pároco José Leirton Alencar Souza, no ano de 2006

Escrito por Honório Barbosa - Colaborador producaodiario@svm.com.br
28 de Outubro de 2017 - 01:00
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Legenda: A ação sócio educacional é iniciativa da Paróquia de Nossa Senhora da Purificação, e se mantém graças a doações de fiéis
Foto: Foto: Honório Barbosa

Saboeiro. Um trabalho movido a amor e solidariedade é realizado nesta cidade, no Centro-Sul, por meio da Fundação São José, que mantém uma creche na sede urbana e dois núcleos na área rural. O projeto atende 109 crianças de dois a cinco anos com oferta de educação infantil, reforço escolar, segurança alimentar e lazer, mas enfrenta dificuldades e precisão de doações.

A ação sócio e educacional é uma iniciativa da Paróquia de Nossa Senhora da Purificação, e se mantém graças a doações de fiéis, em sua maioria, da Paróquia Militar Nossa Senhora das Graças, no Hospital do Exército, em Fortaleza. "Enfrentamos dificuldades, precisamos de mais doações, porque estamos no limite", disse a diretora executiva, Luíza Ferreira Mota.

O projeto nasceu a partir da iniciativa do então pároco José Leirton Alencar Souza, em 2006. Em uma reunião na Igreja Matriz, o sacerdote pediu apoio dos coordenadores de pastorais e de movimento religiosos católicos para criar uma instituição que atendesse famílias carentes e pessoas doentes.

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O lema do sacerdote sempre foi 'levar vida e esperança a quem precisa', recorda Luíza Mota. No ano seguinte, a ideia do sacerdote foi concretizada com a implantação da Creche Padre Geraldo Slag, um holandês que durante muitos anos foi pároco local, e criação do Grupo Madre Rosa Gattorno, que reúne viúvas idosas. Inspirada na história de vida da italiana Madre Rosa, beatificada em abril de 2000, pelo Papa João Paulo II, o grupo de mulheres faz visitas a famílias em Saboeiro, levando conforto espiritual, ajuda religiosa e material: cadeiras de roda, fraldas, alimento e remédios.

Inicialmente, a creche funcionou em uma casa alugada, no entorno da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação. "Começamos a atender 57 crianças", recorda o diretor administrativo, Ronnedy Nascimento dos Santos. "Sempre tivemos confiança dos pais, aceitação do trabalho por ter qualidade".

Em 2011, o padre Leirton Alencar faleceu. Os coordenadores ficaram abalados e havia o risco da creche fechar e do grupo Madre Rosa suspender suas atividades. "Ficamos sem apoio da Prefeitura. Mas o padre conseguia ajuda de algumas pessoas", disse Luíza Mota. "O nosso temor era que não haveria possibilidade de dar continuidade às aulas no ano letivo seguinte".

Em meio ao temor de fechamento da Fundação São José, surgiu um verdadeiro anjo da guarda. O padre Luiz Noronha Pinto, da paróquia de Nossa Senhora das Graças, instalada ao lado do Hospital Militar do Exército, na Aldeota, em Fortaleza, era colega de seminário e amigo do sacerdote Leirton Alencar e costumava visitá-lo. Conhecia os projetos sociais desenvolvidos na cidade e decidiu pedir ajuda aos paroquianos.

"Voltei para Fortaleza sensibilizado e decidido a contar a história do projeto para os fiéis que frequentam a nossa paróquia", disse. "Havia o risco de paralisação total do projeto". Reservado e um pouco tímido, o padre Luizinho, como é conhecido, foi surpreendido pela reação dos católicos que passaram a fazer doações de alimento e brinquedo para as crianças.

Nos últimos cinco anos, a ajuda necessária para manutenção do projeto vem em sua maioria daqueles que integram a classe média e baixa, frequentadores da Paróquia Militar de Nossa Senhora das Graças. "Ainda temos pouca participação de filhos de Saboeiro, moradores ou ausentes, mas esperamos um dia contar com a sensibilidade porque há muitas pessoas que podem colaborar", frisou o religioso.

Na creche e nas duas unidades da zona rural, há 16 colaboradores que trabalham nas funções de merendeiras, auxiliares de serviço e professores, que recebem gratificações mensais. A Prefeitura de Saboeiro não mantém convênio com a instituição. É um desejo dos diretores de que alguns servidores fossem cedidos a exemplo do que ocorre entre outras cidades.

Em 2012, graças à realização de um bazar com produtos apreendidos pela Receita Federal, foi possível arrecadar recursos para a compra de um imóvel e construção da sede da Fundação São José e da creche Padre Geraldo Slag, que dispõe de três salas de aula, refeitório, cozinha com fogão industrial, banheiros e salas administrativas.

A expectativa dos dirigentes da creche é obter produtos para um segundo bazar, em Fortaleza. "Temos um projeto para ampliar, construir um auditório e mais salas de aula, em um piso superior e ao lado", explicou o padre Luiz Noronha. "Existe a cada ano uma procura elevada por matrícula".

Qualidade

A diretora executiva explica que os pais sabem da qualidade do ensino. "Os alunos saem da creche sabendo ler e escrever com bom nível de aprendizagem. Se pudéssemos, teríamos o dobro de alunos. A unidade não cobra mensalidade. Alguns pais colaboram com alimentos".

No sítio Mucambinho, a seis quilômetros da sede urbana, há uma unidade de reforço escolar que atende a 11 alunos, em uma casa de uma voluntária. Na localidade de Galés, o número de crianças atendidas é maior. São 19, sendo dez com alunas de reforço e nove de educação infantil. Nos dois núcleos há oferta de merenda escolar.

Os pais mostram-se satisfeitos com o projeto. A professora da rede municipal de ensino, Dalva Ferreira mantém na creche um filho de quatro anos. "É um trabalho excelente, com várias atividades, seriedade e competência da equipe pedagógica", frisou. "O meu filho passou a se expressar muito bem depois que frequentou a creche".

A doméstica Emanuela da Silva tem um filho de dois anos, que ingressou na creche. "Todos, com certeza, acham muito bom esse trabalho que é feito aqui, com carinho, cuidado e amor", disse. O aposentado Francinildo Gonçalves dos Santos tem um neto de quatro anos matriculado na unidade de ensino. "É ótimo", disse. "Ele está se desenvolvendo muito bem".

O trabalho realizado na creche recebe o reconhecimento dos moradores da cidade de Saboeiro, mas falta apoio mais concreto para manutenção e expansão do projeto. "Precisamos de doações porque as dificuldades são imensas", reforçou Luíza Mota. Quem desejar apoiar a iniciativa pode contribuir por meio de conta bancária da Fundação São José, que tem conta no Banco Bradesco, agência 634, e conta corrente número 14731-1. O telefone para contato é (88) 9 8109.7434 (WhatsApp).

O lema do então pároco, Leirton Alencar, "Levar vida e esperança a quem precisa" está inscrito na fachada do prédio e no corredor de acesso às salas de aula da creche.