Confusão e quebra-quebra encerram sessão

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
07 de Julho de 2005 - 03:50
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Foto: Silvana Tarelho

Na sessão de ontem da Câmara Municipal de Aquiraz, os 10 vereadores deixaram os debates democráticos e votação de projetos e partiram para agressões verbais, físicas e destruição do patrimônio público. Resultado: a sessão foi interrompida com pouco mais de 15 minutos e todos os envolvidos no tumulto — inclusive o advogado David Wanderley e oito seguranças particulares — foram encaminhados para a delegacia local com o objetivo de fazer o Boletim de Ocorrência (BO).

Segundo testemunhas, tudo começou quando o presidente da Casa, Marcos Callou Barros, contratou oito seguranças para evitar que ninguém, além dos próprios vereadores, entrassem no plenário para votarem a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O advogado David Wanderley, contratado por seis parlamentares que fazem parte da base de sustentação da prefeita Ritelza Cabral, tentou entrar para acompanhar os debates. “Ao ser barrado, ele simplesmente partiu para a ignorância acarretando danos ao patrimônio da Câmara”, afirma Callou.

O advogado, por sua vez, afirma que “por ter prerrogativa legal”, poderia entrar no recinto para assessorar seus clientes. Durante a discussão, houve o acirramento dos ânimos, empurra-empurra e quebradeira. De acordo com o presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, Daniel Markan, a LDO não estava na pauta de votação porque ainda nem passou pela comissão. “A votação seria pelo afastamento ou não do presidente Callou, o qual estamos tentando aprovar desde a semana passada”. Ele denuncia também o “sumiço da ata”. O documento deveria estar sob responsabilidade da vereadora Neide Queiroz de Freitas, também da base aliada, mas que “por razões políticas desapareceu”.

O delegado Barbosa Filho explica que todos os procedimentos foram feitos, inclusive o início de uma perícia técnica que vai avaliar os danos causados no plenário da Câmara. Os prejuízos financeiros ainda serão avaliados. Nenhum vereador entrou com representação. Mesmo os que afirmam ter sofrido agressão física, como no caso de Cláudio Diógenes. Ele conta que foi esmurrado no estômago pelos seguranças e teve o braço ferido.

De acordo com números da Polícia Militar, que foi chamada para intervir na confusão, cerca de 100 pessoas se aglomeram no pequeno prédio da Câmara Municipal. Na próxima quarta-feira está marcada uma nova sessão garantida pelo presidente Marcos Callou. “Vou ficar na minha cadeira, mesmo danificada, esperando os colegas”.

CASO — Na semana passada também houve tumulto na Câmara Municipal. Os vereadores iriam analisar e votar pelo afastamento do presidente da Casa, acusado de improbidade administrativa (contratação de serviços sem licitação e superfaturamento). Callou encerrou a sessão antes que os parlamentares pudessem se pronunciar. Houve revolta por parte dos edis da base da prefeita.

A denúncia das irregularidades conferidas ao presidente da Casa foi feita pelo vereador José Filgueiras de Lima, que afirmou não ser a favor do afastamento de Callou enquanto o Ministério Público não termine as investigações.

Lêda Gonçalves
enviada a Aquiraz