A Justiça italiana voltou a marcar uma audiência para analisar o novo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, apresentado pelo governo brasileiro. O julgamento está marcado para 29 de outubro.
Protocolada pela Advocacia-Geral da União (AGU), a extradição tem o objetivo de fazer com que Zambelli cumpra a pena de cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal no Brasil.
Zambelli foi condenada por perseguir o jornalista Luan Araújo às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, após os dois trocarem provocações durante um ato político no bairro dos Jardins, em São Paulo. Antes de ter a prisão decretada, no entanto, a ex-parlamentar fugiu para a Itália, por ter dupla cidadania.
Em julho, a Justiça italiana decidiu submeter a extradição a um novo julgamento, solicitando garantias do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre como daria suporte às condições de saúde de Zambelli, como quadros de fibromialgia e desmaios.
Segundo o g1, os novos dados já foram enviados. Com isso, o caso será reavaliado pela Corte Suprema de Cassação da Itália no final deste mês.
Defesa acredita em nova negativa
Em maio, a Corte Suprema de Cassação da Itália negou a extradição da deputada Carla Zambelli, mas em relação à condenação por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A última instância da Justiça italiana afirmou enxergar como problemática a dupla atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, no caso em que Zambelli acabou condenada a dez anos de prisão.
Em nota ao g1, a defesa de Carla Zambelli aponta que, como ocorreu no primeiro processo de extradição, a Justiça deve negar o pedido brasileiro pela "falta de garantias processuais e a âmbito de direitos humanos e princípios fundamentais".
Os advogados também prometeram apresentar ao STF duas revisões criminais e dois pedidos de exclusão da lista da Interpol. “As duas condenações no Brasil são abusivas e ilegais baseadas em perseguição política e parcialidade do julgador”, alega a defesa de Zambelli.