Metro quadrado de luxo em Fortaleza custa quase seis vezes mais do que em bairros populares

Disparidade entre comprar imóveis na área nobre e em bairros mais afastados mantém tendência de alta.

Escrito por Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
29 de Julho de 2026 - 15:42
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Legenda: Região da Avenida Beira-Mar tem o metro quadrado residencial mais caro de Fortaleza, aponta levantamento.
Foto: Fabiane de Paula.

O preço do metro quadrado (m²) de imóveis novos em regiões mais valorizadas de Fortaleza custa quase seis vezes o valor na comparação com áreas periféricas da Capital.

No primeiro semestre de 2026, o preço médio do metro quadrado de imóveis residenciais no Parque Santa Filomena foi de R$ 4.050. Já na região da Avenida Beira-Mar, esses valores alcançaram R$ 23.699/m².

As informações foram apresentadas na manhã desta quarta-feira (29) no balanço dos lançamentos imobiliários no primeiro semestre de 2026, divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica.

Diferença de preços entre bairros se aprofunda

Na pesquisa anterior, a diferença entre o metro quadrado do bairro mais caro e o mais barato de Fortaleza era menor do que a apresentada no atual levantamento.

No primeiro semestre de 2025, o preço médio do bairro Meireles foi de R$ 18.585/m², cerca de quatro vezes maior do que no Guajeru, com R$ 4.775/m².

O Meireles, que viu o valor médio do m² avançar para R$ 20.172, agora é apenas o terceiro bairro mais caro de Fortaleza, atrás do Mucuripe (R$ 20.217/m²) e da Beira-Mar. Já o Guajeru não foi considerado na pesquisa mais recente.

O levantamento do primeiro semestre de 2026 considera a Avenida Beira-Mar como um 'bairro', assim como o Parque Santa Filomena. Na divisão oficial de Fortaleza, ambos não são considerados bairros.

A Avenida Beira-Mar integra um percurso que entrecorta bairros como Praia de Iracema, Meireles e Mucuripe. Já o Parque Santa Filomena faz parte do Jangurussu, na periferia da Capital, e que aparece na lista de bairros mais baratos.

Confira a lista dos 10 bairros mais caros de Fortaleza:

  1. Beira-Mar: R$ 23.699/m²;
  2. Mucuripe: R$ 20.217/m²;
  3. Meireles: R$ 20.172/m²;
  4. Aldeota: R$ 16.555/m²;
  5. Dionísio Torres: R$ 14.466/m²;
  6. Fátima: R$ 14.158/m²;
  7. Praia de Iracema: R$ 14.056/m²;
  8. Edson Queiroz: R$ 13.643/m²;
  9. Cocó: R$ 13.171/m²;
  10. Guararapes: R$ 13.118/m².

Confira a lista dos 10 bairros mais baratos de Fortaleza:

  1. Parque Santa Filomena: R$ 4.030/m²;
  2. Coaçu: 5.197/m²;
  3. Bom Jardim: R$ 5.363/m²;
  4. Jangurussu: R$ 5.752/m²;
  5. Antônio Diogo: R$ 5.775/m²;
  6. Lagoa Redonda: R$ 5.782/m²;
  7. São João do Tauape: R$ 5.845/m²;
  8. Pedras: R$ 5.938/m²;
  9. Lago Sapiranga: R$ 6.040/m²;
  10. Parangaba: R$ 6.131/m².

Fortaleza fica estagnada nos lançamentos residenciais

Ainda conforme o levantamento, o número de lançamentos residenciais em Fortaleza manteve-se estável no comparativo entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Foram 20 novos empreendimentos em ambos os períodos.

O que mudou foi o número de unidades em cada um dos lançamentos. Se nos seis primeiros meses do ano passado foram 4,2 mil, neste ano, 5.268 novas residências foram entregues, 25% a mais.

A situação é diferente da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), cujos lançamentos residenciais saltaram 64% e o número de novas unidades em cada um deles mais do que dobrou, saindo de 1,41 mil para 3,27 mil.

Tanto na Capital quanto nas cidades vizinhas o predomínio foi absoluto de imóveis de padrão econômico, com crescimento de 45%. 

Esse cenário também refletiu no Valor Geral de Venda (VGV) dos imóveis na Grande Fortaleza. Ele mais do que duplicou no comparativo entre os dois semestres, e ultrapassou a casa do R$ 1 bilhão. 

A principal queda de empreendimentos ficaram nas unidades horizontais, principalmente nos loteamentos. Fortaleza não lançou nenhum empreendimento do tipo, ao contrário da RMF, cujos novos loteamentos lançados cresceram 10%.

Nas vendas, porém, o tombo foi ainda mais forte: a comercialização de loteamentos caiu 96% em Fortaleza e 23% na RMF.

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