A transportadora responsável pelo caminhão que destruiu o arco de entrada do Açude do Cedro, na tarde da última quarta-feira (26), deverá arcar com a recuperação da estrutura que integra a obra histórica que recebeu a ordem de construção por D. Pedro II. A informação foi confirmada pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) ao Diário do Nordeste, nesta quinta-feira (27).
“O DNOCS também está adotando as providências administrativas cabíveis, realizou Boletim de Ocorrência e solicitará a adoção das medidas necessárias, à transportadora responsável pelo veículo, de recuperação do arco de entrada, cuja estrutura foi danificada no acidente”, comunicou a entidade.
O Departamento informou que está acompanhando, desde a tarde da quarta, o incidente envolvendo um caminhão que atingiu e derrubou o arco localizado na entrada do Açude, em Quixadá.
MOTORISTA FOI DETIDO
Um servidor do DNOCS esteve no local acompanhando a ocorrência. O motorista foi detido pela Polícia, e o caminhão foi apreendido para perícia. Não houve feridos no incidente.
A entidade federal disse ainda que aguarda o resultado da perícia realizada no local e o relatório circunstanciado a ser encaminhado pelas autoridades policiais, com o detalhamento das avarias causadas à estrutura.
“A partir dessas informações, serão avaliadas e adotadas as ações para a recuperação do arco de entrada do Açude Cedro”, disse ainda a organização.
Quanto ao acesso ao Açude Cedro, o Dnocs e a Prefeitura de Quixadá já realizaram a limpeza do local e as condições de circulação foram restabelecidas. O acesso ao Açude Cedro já está ocorrendo normalmente.
PRIMEIRO AÇUDE DO BRASIL
A ordem de construção do Açude do Cedro foi dada por D. Pedro II, em decorrência do grande impacto social provocado pelas secas, entre os anos de 1877 e 1879, de acordo com informações do Dnocs.
O Governo Imperial, na época, solicitou estudos prévios ao engenheiro Ernesto Antônio Lassance Cunha e a outros técnicos.
Em 1882, o primeiro projeto para a construção do Açude do Cedro foi feito pelo engenheiro britânico Jules Jean Revy que coordenou a realização de obras preliminares, como a construção de uma estrada de acesso e a instalação das máquinas.
Às vésperas do início das obras, ocorre a Proclamação da República e, consequentemente, a retirada de Revy.
DO IMPÉRIO À REPÚBLICA
“Apenas no ano de 1889, o projeto volta a ganhar visibilidade. Após algumas modificações no projeto, realizadas naquele mesmo ano, pelo engenheiro Ulrico Mursa, da Comissão de Açudes e Irrigação, as obras foram finalmente iniciadas em 15 de novembro de 1890”, conforme artigo do Dnocs.
A autarquia salienta que o Açude é um monumento do Império que teve suas obras concluídas, após várias interrupções, em 1906, já sob coordenação do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro, que assumiu a direção da construção em 1900.
“De acordo com estudiosos do tema, é possível afirmar que o Açude do Cedro iniciou um novo momento no semiárido nordestino, pois foi, a partir da construção dele, que o governo passou a projetar outras barragens para mitigar os efeitos das secas”, reflete ainda o artigo da entidade.