Baleia-jubarte é retirada da Praia da Redonda, mas enterro ainda não foi concluído em Icapuí

Carcaça foi deslocada por cerca de 1,7 km para uma área afastada de residências; Prefeitura busca maquinário mais potente para finalizar o serviço nesta segunda-feira (21).

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
20 de Setembro de 2026 - 18:26
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Legenda: Animal foi levado para área não habitada pelo mar, mas ao chegar na areia as máquinas nõa conseguiram arrastá-la até o buraco do enterro.
Foto: Divulgação Prefeitura de Icapuí.

A baleia-jubarte que encalhou morta na Praia da Redonda, em Icapuí, no Litoral Leste do Ceará, foi retirada neste domingo (20) do trecho onde estava desde a manhã de sexta-feira (18). A carcaça foi deslocada por aproximadamente 1,7 quilômetro até uma área mais afastada de residências, mas o enterro ainda não foi concluído.

Segundo a Prefeitura de Icapuí, três máquinas foram mobilizadas durante a tarde para tentar levar a baleia até o local onde estava aberta uma cova. Os equipamentos, porém, não foram suficientes para movimentar a carcaça devido ao peso do animal.

A administração municipal informou que busca máquinas de maior potência para concluir o trabalho. A previsão é que a operação seja retomada na manhã desta segunda-feira (21).

Baleia foi retirada de área mais urbanizada

A remoção ocorreu após duas tentativas de deslocamento. Conforme o secretário de Infraestrutura de Icapuí, Francisco José Rebouças dos Santos, conhecido como Zezinho, o primeiro ponto de encalhe não apresentava condições para a realização do enterro.

A baleia estava em um trecho mais urbanizado da Praia da Redonda. Por isso, foi decidido transferir a carcaça para uma área considerada mais adequada, sem residências próximas e com espaço para a abertura de uma cova.

“O que aconteceu foi que onde ela estava não tinha como enterrar. Foi removido para uma área deserta onde dava para fazer o buraco, como a orientação sanitária”, explicou o secretário.

Animal havia encalhado em parte urbana da praia.
Legenda: Animal havia encalhado em parte urbana da praia.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Icapuí.

A operação de remoção ocorreu durante a maré cheia, na manhã deste domingo, e contou com embarcações de proprietários locais. Foram utilizados sistemas de atracação e tambores para auxiliar na flutuação da carcaça e permitir o reboque até o novo ponto.

A ação teve apoio da Marinha do Brasil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil municipal, Aquasis, secretarias municipais de Infraestrutura e Pesca e Instituto Municipal de Fiscalização Ambiental (IMFLA), além de moradores da região.

Enterro depende de máquinas mais potentes

Depois de retirar a baleia do trecho mais próximo às residências, as equipes iniciaram a segunda etapa da operação: levar a carcaça até o ponto escolhido para o enterramento.

A Prefeitura disponibilizou três máquinas, mas o maquinário não conseguiu concluir o deslocamento.

De acordo com Zezinho, o município está procurando equipamentos com maior capacidade, como escavadeiras sobre esteiras, para realizar o serviço.

“O que sei é que mesmo após a morte ainda acontecem processos biológicos no interior da carcaça. Bactérias continuam trabalhando, degradando matéria orgânica e aí ocorre o acúmulo de gases”, explicou o secretário, se referindo ao perigo do corpo do animal se romper.

O secretário ressaltou que não é técnico da área. A orientação sobre o procedimento adequado para a destinação da carcaça é acompanhada por órgãos ambientais que participam da operação.

Decomposição exige cuidados

A preocupação com a destinação da baleia está relacionada ao processo natural de decomposição. Uma carcaça de grande porte concentra grande quantidade de matéria orgânica e pode apresentar riscos quando manipulada de forma inadequada.

Em informações repassadas anteriormente ao Diário do Nordeste, a Aquasis orientou moradores e visitantes a não tocar, subir ou retirar partes da baleia. O alerta ocorreu após um homem ser filmado sobre a carcaça quando ela ainda estava na Praia da Redonda.

A reportagem tentou novo contato com a Aquasis neste domingo (20) para atualizar as informações sobre a operação e obter esclarecimentos sobre os procedimentos recomendados para o enterramento, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Baleia tinha cerca de 13 metros

O animal é um macho adulto da espécie jubarte (*Megaptera novaeangliae*) e tinha aproximadamente 13 metros de comprimento.

A baleia foi avistada inicialmente na tarde de quinta-feira (17), quando estava à deriva a cerca de 3 quilômetros da costa. Na manhã seguinte, a carcaça chegou à faixa de areia da Praia da Redonda.

A causa da morte ainda não foi confirmada. A Aquasis havia informado que seriam coletadas amostras biológicas para tentar identificar possíveis causas da morte e do encalhe.

O caso ocorre durante o período de reprodução das jubartes, que costuma ocorrer entre julho e novembro. Nessa época, os animais migram de regiões próximas à Antártida para águas mais quentes da costa brasileira, onde se reproduzem e têm seus filhotes.

A temporada reprodutiva, no entanto, não permite estabelecer uma relação direta com a morte da baleia encontrada em Icapuí.

Ceará registra histórico de encalhes

O encalhe em Icapuí faz parte de um histórico de ocorrências envolvendo baleias no litoral cearense. Levantamento da Aquasis publicado anteriormente pelo Diário do Nordeste aponta 35 encalhes de baleias de barbatana mortas no Estado desde 1997. Desse total, 26 eram jubartes.

Em 2026, antes do caso de Icapuí, haviam sido registrados encalhes de uma baleia-minke em Paracuru, em agosto, e de uma baleia-piloto em Fortim, em abril.

Agora, a expectativa é que a Prefeitura consiga concluir o enterro da baleia-jubarte nesta segunda-feira (21), com o apoio de equipamentos de maior potência.

Até a conclusão do trabalho, a recomendação é que moradores e visitantes mantenham distância da carcaça e não tenham contato direto com o animal.

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