Taxa de reprovação de alunos do CE cai em todos os níveis de ensino, revela Censo Escolar

Essa é a primeira vez, desde 2021, que a taxa apresenta uma queda.

Escrito por Alexia Vieira e Nícolas Paulino ceara@svm.com.br
26 de Junho de 2026 - 07:00
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Legenda: Taxa de reprovação de 2025 foi divulgada pelo Inep nesta sexta-feira (26).
Foto: Camila Lima

A taxa de reprovação dos alunos do ensino médio no Ceará sofreu uma redução após quatro anos de aumento, segundo dados do Censo Escolar divulgados nesta sexta-feira (26). De 2021 a 2024, o Estado apresentou crescimento do indicador. No período, a taxa foi de 0,2% para 1,2%. Já em 2025, uma queda de 0,2 pontos percentuais foi registrada, chegando a 1%. 

Conforme o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Censo Escolar, a taxa de reprovação representa o percentual de estudantes que não atingiram os critérios mínimos para a aprovação e conclusão da etapa de ensino. São incluídos dados de alunos da rede pública e privada, embora a maior parte dos estudantes do ensino médio sejam da rede pública.

O indicador foi publicado na segunda fase de divulgação do levantamento de 2025, que traz as taxas de rendimento da educação brasileira: taxas de aprovação, reprovação e abandono. O instituto compartilhou apenas as porcentagens já calculadas, sem os números absolutos.

Nos anos de 2020 e 2021, durante a pandemia, uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) orientou que as redes educacionais adotassem medidas de não reprovação de estudantes, além de permitir a fusão dos dois anos escolares. A deliberação teve em vista o risco de exclusão devido às desigualdades educacionais ampliadas pelo ensino remoto. 

Por isso, os dados de reprovação desse período atingiram patamares mais baixos. A partir de 2023, foi possível notar um aumento do índice novamente.

Comparado a outros estados do Brasil, o Ceará tem a terceira menor taxa de reprovação da etapa educacional, ficando atrás apenas do Pará (0,4%) e do Piauí (0,7%). O índice do Estado também é menor que a média nacional (3%) e nordestina (2,8%).

Todos os três anos do ensino médio tiveram redução na taxa. O primeiro ano, que tem a maior reprovação, foi de 1,7% em 2024 para 1,4% em 2025. Já o segundo ano teve diminuição de 0,2 pontos percentuais, indo de 1,3% para 1,1%. No terceiro ano, o índice de alunos reprovados passou de 0,5% para 0,3%.

Reprovação também caiu no ensino fundamental

Depois de dois anos com a mesma taxa de reprovação, de 0,2%, o Ceará chegou mais próximo de zerar o índice nos anos iniciais do ensino fundamental. A etapa, que contempla as séries do 1º ao 5º ano, registrou 0,1% de reprovação no Estado. Essa é a menor taxa de reprovação da etapa no País. 

Nos anos finais, do 6º ao 9º ano, a queda foi de 0,4 pontos percentuais, indo de 1% em 2024 para 0,6% em 2025. O índice é o segundo menor entre os estados, sendo superado apenas pelo Mato Grosso, que tem taxa de 0,5% de reprovação nos anos finais do ensino fundamental.

O ciclo que apresenta a taxa mais desafiadora é o 8º ano. Em 2025, o índice de reprovação dessa série ficou em 0,9%, 0,5 pontos percentuais a menos que em 2024. É a primeira vez que a taxa fica menor que 1% desde 2021.

Políticas de permanência e aprendizagem

Para o ministro da Educação, Leonardo Barchini, os resultados refletem um cenário de incentivo a políticas de permanência, aprendizagem e aprimoramento das condições da educação básica. O Pé-de-Meia está entre as iniciativas citadas pelo ministro como fatores para a melhoria das taxas de rendimento. O programa oferece incentivo financeiro para os estudantes que frequentam as aulas, passam de ano, concluem a educação básica e fazem o Enem.

"O jovem mais vulnerável precisa ter as mesmas chances de concluir os estudos que qualquer outro estudante. O Pé-de-Meia não é apenas uma transferência de renda. É uma política educacional para melhorar a permanência e o desempenho dos estudantes”, defende.

O ministro ressalta a importância também da articulação com os estados, aumento das matrículas em tempo integral, aumento do financiamento por meio do programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), melhoria na alimentação e no transporte escolar. 

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