O Ceará deve ter uma intensificação do déficit hídrico a partir de agosto. É o que diz o prognóstico do Boletim Agroclimatológico de agosto, publicado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão é válida também para os meses de setembro e outubro.
Em julho, o Estado já registrou chuvas abaixo da média — mês pouco chuvoso que teve precipitações mais escassas ainda. Foram 8,5 milímetros (mm), um acumulado 43,7% menor do que a normal climatológica de 15 mm. Os dados são da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Assim como o Ceará, o centro-sul do Maranhão, grande parte do Piauí, o sertão da Paraíba e o oeste do Rio Grande do Norte, de Pernambuco, de Alagoas e da Bahia tiveram acumulados inferiores a 40 mm.
Segundo o boletim, isso resulta em níveis de armazenamento de água no solo abaixo de 15% da capacidade de água disponível. Esse cenário pode influenciar negativamente o cultivo das culturas de sequeiro, como milho e feijão.
A partir de agosto, a expectativa é de intensificação do déficit hídrico. Ceará, Maranhão, Piauí e o oeste do Rio Grande do Norte devem concentrar as maiores perdas.
Temperatura deve permanecer acima da média
As temperaturas elevadas também estiveram presentes no mês de julho. Valores superiores a 34° C foram observados no centro-oeste do Ceará. Nos próximos meses, o Estado deve continuar com temperaturas de 0,5° C a 1° C acima da média climatológica.
Nos estados do Maranhão, Bahia e Piauí, as anomalias poderão atingir até 2° C acima da média.
A combinação de precipitações abaixo da média, temperaturas mais elevadas e baixos níveis de armazenamento de água no solo pode intensificar a restrição hídrica em áreas agrícolas do Nordeste, conforme a análise do Inmet para agosto, setembro e outubro.
Essa persistência de restrição hídrica pode comprometer a disponibilidade de água para a pecuária extensiva, reduzindo a oferta de forragem e aumentando a necessidade de suplementação alimentar para o gado.
Impacto do El Niño
As condições previstas para os próximos três meses são típicas do fenômeno El Niño. O aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico influencia na probabilidade de precipitação abaixo do normal principalmente nas regiões Norte, Nordeste e em grande parte do Centro-Oeste.
Projeções indicam a manutenção e a intensificação do fenômeno no segundo semestre de 2026, com alta probabilidade de que o evento atinja intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão.
Outras condições atmosféricas e oceânicas, como o cenário do oceano Atlântico, podem mitigar possíveis efeitos negativos de um El Niño forte.