Quatro regiões hidrográficas do Ceará têm situação crítica de escassez declarada

Medida legal tem como objetivo facilitar políticas de contingência, que ainda não precisaram ser implementadas.

Escrito por Alexia Vieira alexia.vieira@svm.com.br
23 de Setembro de 2026 - 14:00
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Legenda: Regiões hidrológicas mencionadas no ato declaratório devem receber mais atenção da gestão.
Foto: Ismael Soares.

As regiões hidrográficas do Rio Banabuiú, dos Sertões de Crateús, do Médio e do Baixo Jaguaribe tiveram a situação crítica de escassez hídrica declarada pela Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) do Ceará, em 13 de agosto. A declaração, publicada no Diário Oficial do Estado, é emitida quando as bacias chegam a menos de 30% da capacidade de reserva.

De acordo com o secretário Ramon Rodrigues, titular da SRH, o ato declaratório de escassez hídrica é uma ferramenta legal que subsidia as decisões da gestão dos açudes do Estado. A partir do dispositivo, é possível, caso seja necessário, suspender o uso da água para setores produtivos, priorizando o abastecimento humano e a dessedentação animal. 

Além disso, a declaração de escassez hídrica pode ser utilizada para a implementação de uma tarifa de contingência na conta de água dos moradores dessas regiões. Durante a última grande seca do Ceará, a medida foi instaurada na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) com o intuito de diminuir o consumo residencial.

No entanto, não há planos para a aplicação de tarifas ou medidas de contingência no momento, segundo Ramon. 

Situação das bacias em escassez hídrica

Sertões de Crateús:

Composta por dez açudes, a região tem apenas 15,69% de armazenamento. Ou seja, apesar de ter capacidade para guardar 391 hectômetros cúbicos (hm³) de água, os reservatórios da bacia só têm 61,36 hm³.

Conforme Ramon, Sertões de Crateús é a região que mais preocupa a gestão. “É uma região mais seca, onde os estoques hídricos são baixos e as alternativas são poucas, porque a gente depende da construção do Açude Fronteiras, que ainda está em em obras. Tem uma série de coisas que torna essa região mais vulnerável e requer da gente uma atenção maior”, explica. 

Banabuiú:

Com 18 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), a região tem 29,04% da capacidade preenchida —  773,41 hm³ de 2.663,49 hm³. O maior reservatório, que dá nome à bacia, está com 30,20% de água. 

Apesar de ter bem mais água reservada que a região de Sertão de Crateús, a bacia do Banabuiú atende uma demanda também maior, de 15 municípios. 

Médio e Baixo Jaguaribe:

As regiões do Médio e Baixo Jaguaribe têm características que as diferenciam da situação das demais, apesar de também serem mencionadas no ato declaratório. Tendo apenas o açude Santo Antônio de Russas, a bacia do Baixo Jaguaribe é a menor do Estado em capacidade e está com 26,19% de reserva. 

Já o Médio Jaguaribe tem 15 açudes, incluindo o Castanhão – maior reservatório da América Latina. Apesar de estar com 30,29% de capacidade preenchida, a bacia tem a maior quantidade de água do Estado: 2.235,15 hm³. A água do sistema Orós-Castanhão, inclusive, está sendo bombeada pelo Eixão das Águas para abastecer a Região Metropolitana de Fortaleza.

Preocupação com o El Niño forte

O secretário Ramon Rodrigues afirma que a gestão dos recursos hídricos está atenta aos efeitos do fenômeno El Niño, que já atingiu intensidade forte e mostra tendência de ser agravado até o fim de 2026. 

“A gente não sabe como o próximo inverno vai acontecer. Nós sabemos que nesse período que não chove, no segundo semestre, vai aumentar muito a evaporação e o consumo por conta do aquecimento. Com o super El Niño, você tem ventos mais fortes, que a gente pensa que resfria, mas também evapora mais”, afirma. 

Ainda sem as previsões sobre o comportamento do oceano Atlântico, que também interfere nas chuvas do Ceará, não é possível saber qual será o impacto do El Niño na quadra chuvosa do Estado. Por isso, a gestão das reservas atuais ganha ainda mais atenção. 

Ao todo, o Ceará tem 47,79% de reserva hídrica, o que equivale a 8.688 hm³. Os dados são do Portal Hidrológico do Ceará, consultados no dia 18 de setembro de 2026.

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